Utilities: caminhos para a transformação digital

Uma recente publicação da McKinsey (clique aqui para ver na íntegra), analisa a jornada digital das utilities.

Ciente de que esse é um caminho sem volta, o artigo busca entender os principais desafios para a instalação da cultura digital, bem como propõe maneiras práticas de superá-los.

Há quase 20 anos no mercado de IoT, a V2COM vem arquitetando soluções tecnológicas para as maiores utilities do Brasil e América Latina. Durante essa trajetória, encontramos muitos momentos de identificação com os aspectos levantados pela McKinsey.

Por conta disso, compilamos os principais dados do artigo, com intuito de fomentar a reflexão sobre o assunto.

Boa leitura!

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Digitalização das utilities: uma jornada sem volta

Embora aconteça em ritmos diferentes a depender do setor, a digitalização de processos é uma realidade unânime entre as utilities de todo o mundo. Ganhos como o aumento de eficiência operacional, melhoria na experiência do consumidor e agilidade na inovação – e consequente ganho em competitividade – são apenas alguns dos fatores que têm transformado esse mercado.

Dados recentes de pesquisas do McKinsey Global Institute apontam que a transformação digital cria importante valor para as utilities. Entre eles, destacam-se:

  • redução de até 25% em despesas operacionais;
  • aumento de performance entre 20% e 40%, especialmente em áreas como segurança e satisfação do consumidor;
  • aumento no lucro.

Mesmo diante desses ganhos, as pesquisas indicam que a maioria das empresas tem um desempenho de baixo a moderado nos processos digitais.

Isso demonstra, portanto, que há um grande espaço para avanços e investimentos nessa área.

A robustez organizacional dificulta, mas não impede a transformação digital

Uma das principais razões que podem “afastar” as utilities dos avanços digitais é a própria estrutura organizacional, direcionada para minimizar riscos e garantir a segurança e a longevidade dos ativos.

As utilities são tradicionalmente conhecidas por sua estabilidade e confiabilidade. Isso certamente se impõe como um importante obstáculo diante de uma nova realidade digital, marcada pela constante experimentação e processos ágeis.

Estruturas corporativas mais rígidas e robustas tendem a seguir processos bem definidos e necessitam de validações interdepartamentais para a incorporação de novas tecnologias. Nessa realidade, o caminhar decisório é, muitas vezes, mais lento que a evolução digital.

Diante disso, surge um impasse: a necessidade de inovar, dentro de um cenário que exige estabilidade e segurança.

Outro importante aspecto que dificulta os processos de transformação digital é o legado operacional complexo e o ambiente de tecnologia de informação robusto. Muitas vezes, uma simples alteração pode movimentar toda a engrenagem empresarial já estabelecida, devido à justaposição de diferentes processos maiores.

Mesmo cientes dessas dificuldades, utilities de diferentes segmentos têm desempenhado esforços importantes em direção à digitalização de seus processos. Consolidou-se, enfim, a percepção de que é necessário aumentar a agilidade na tomada de decisão, fomentando mudanças de modo mais dinâmico.

Engajamento de líderes: peça fundamental do processo

A transformação digital traz consigo ganhos reais. Não se trata apenas de uma simples tendência efêmera, mas sobretudo de uma jornada sem volta que envolve empresas de todos os setores, em nível global.

A  história da V2COM junto às utilities tem sido marcada por importantes iniciativas tecnológicas com intuito de otimizar recursos. Através de softwares e hardwares inteligentes, com estrutura plenamente digital, conseguimos evitar fraudes e furtos de energia, bem como garantir o uso eficiente de recursos naturais, humanos e financeiros.

Utilities

A viabilização desses trabalhos em muito se deveu ao contato direto com líderes de diferentes empresas cujo poder decisório esteve em perfeita sintonia com a necessidade de transformação digital. Somente a partir disso foram criados os movimentos necessários para envolver toda a estrutura corporativa e, assim, viabilizar os projetos.

Entretanto, esse envolvimento está longe de ser simples. Muitos desses líderes construíram sua trajetória cientes da necessidade de garantir a previsibilidade e a segurança tão características das utilities. E, por isso, é preciso que uma mudança de mindset ocorra, ao ponto de permitir novas possibilidades no cenário estratégico das corporações.

Soluções devem se adequar às empresas; não o contrário

A pesquisa conduzida pela McKinsey trouxe ainda outros interessantes achados.

Verificou-se que as utilities pioneiras na condução de transformações digitais experimentam maior valor quando comparadas às empresas que se movem com mais lentidão. Além disso, a busca pela liderança digital, especialmente entre as concessionárias de energia, costuma acontecer de maneira ainda mais rápida quando a alta direção conclui que o risco potencial em investir pouco nas tecnologias digitais é maior do que o risco de investir pesadamente e não obter um retorno tão interessante.

Se por um lado isso deixa cada vez mais clara a necessidade de mudanças em ritmo acelerado, por outro ainda persiste uma certa incerteza quanto ao melhor formato de se iniciar a transformação digital.

Uma das alternativas apontadas pelo estudo parte da necessidade de reavaliar e modernizar a arquitetura e ambiente de TI. As utilities estão há bastante tempo acostumadas com a utilização de pacotes de software bastante robustos, em razão da tradicional necessidade de garantir a máxima estabilidade de processos.

Esse padrão de arquitetura de software pode ser bastante eficiente para processos já consolidados e que necessitam de apenas alguns ajustes eventuais. Entretanto, em uma realidade digital bastante dinâmica – com o advento quase diário de novas tecnologias – é fundamental garantir o funcionamento mais flexível de sistemas de informação, capazes de se integrarem a mudanças com bastante agilidade e sem grandes rupturas processuais. A ideia é que as soluções se adequem à realidade das empresas e não o contrário.

Utilities que passaram por processos de aquisição de outras companhias apresentam ainda maiores desafios nesse sentido. Isso porque geralmente mantém-se o legado, de tal modo que, em uma mesma empresa, passam a existir diversos sistemas de naturezas semelhantes correndo em paralelo. Com isso, a estrutura de informação torna-se robusta e descentralizada, comprometendo a tomada de decisão.

Esse formato vai na contramão de companhias digitais que operam suas decisões em tempo real, usando softwares inteligentes, dinâmicos e versáteis. Nessa realidade, é fundamental que os sistemas suportem desenvolvimentos constantes – muitas vezes diários – mediante investimentos não tão elevados quanto os exigidos pelos tradicionais softwares monolíticos que ainda compõem a estrutura de muitas utilities.

Conclusão

Diante desse aparente conflito entre a rigidez das utilities e a fluidez da transformação digital, é preciso ter em mente que grandes mudanças começam a partir de pequenos passos. Antes de tudo, é importante que processos mais simples sirvam de experimentações para que, somente então, expanda-se a digitalização para a totalidade da empresa.

Desse modo, é possível incorporar a inovação sem gerar rupturas drásticas que poderiam comprometer o funcionamento já consolidado das utilities dos mais diversos segmentos.

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Este artigo tomou como referência dados da publicação realizada pela McKinsey, “Accelerating digital transformations: a playbook for utilities”, autoria de Adrian Booth, Eelco de Jong e Peter Peters.