Plano Nacional de IoT - expectativa para o agronegócio brasileiro - V2COM

Plano Nacional de IoT – expectativa para o agronegócio brasileiro

O Plano Nacional de IoT (Internet das Coisas) do Brasil está a um passo de se tornar realidade. Falta apenas o decreto a ser publicado pelo atual Presidente da República, Michel Temer. Isso feito, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) junto a outras áreas do governo e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) definirão o cronograma de implementação.

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Investimentos em IoT crescem no Brasil

A expectativa em torno do Plano Nacional de IoT é bastante alta, especialmente devido ao interesse das empresas brasileiras em investirem mais em IoT. Dados publicados pelo relatório IoT Barometer 2017/2018, da Vodafone, apontam que 95% dos entrevistados brasileiros direcionaram mais esforços financeiros a esse tipo de tecnologia quando comparados aos 12 meses anteriores à pesquisa. Isso representa 14 pontos percentuais a mais do que a média mundial.

Espera-se que até 2025, a Internet das Coisas acrescente de 34 a 132 bilhões de dólares à nossa economia. Segundo o BNDES, quatro principais áreas serão responsáveis por ativar esses investimentos: cidades, indústria, saúde e agricultura.

Especialmente no que se refere ao agronegócio, as estatísticas são bastante promissoras. Entretanto, ainda persistem importantes desafios que podem barrar o quadro otimista para os próximos anos.

Brasil: o país do Agro

É inegável a importância do agronegócio para a economia brasileira. Somos o segundo maior exportador de alimentos do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos). Em 2017, auferimos mais de 90 bilhões de dólares em exportações. Isso representa 44,1% de todas as vendas brasileiras do período.

Diante da importância desse setor – um dos únicos capazes de enfrentar a grave crise brasileira –  as possibilidades de aplicação de IoT no campo são infinitas. O acompanhamento de condições climáticas, aumento na eficiência de maquinário, rastreamento logístico e otimização no uso de insumos são apenas algumas delas.

Plano Nacional IoT - Agro
Possibilidades de IoT no Agro (Fonte: consórcio McKinsey/Fundação CPqD/ Pereira Neto Macedo)

A tecnologia no ambiente rural está diretamente ligada à redução de custos e aumento de competitividade dos produtos brasileiros frente ao mercado internacional. Um recente estudo do McKinsey Global Institute apontou um potencial positivo de até 21.1 bilhões de dólares apenas no campo brasileiro, até 2025.

Nesse sentido, as empresas desenvolvedoras de tecnologia de ponta, capazes de customizar soluções em conformidade com a realidade rural brasileira –bastante distinta do restante do mundo – certamente estão um passo à frente nesse processo de transformação.

Transformação digital no campo é democrática

O grande potencial agrícola brasileiro parte, sobretudo, de esforços de pequenos e médios produtores. Eles representam cerca de 78,1% do total de agropecuaristas brasileiros, de acordo com pesquisa do IBGE.

Diante disso, as cooperativas agrícolas desempenham um papel fundamental. Por concentrarem tecnologia de ponta, elas fomentam o desenvolvimento no campo transbordando-o aos cooperados com bastante agilidade e eficiência. Desse modo, pequenos agricultores que teriam problemas em assimilar novos investimentos tecnológicos conseguem acessá-los com muito mais facilidade.

Um recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) verificou que o impacto de novas tecnologias de IoT em propriedades familiares eleva consideravelmente a produtividade. A automatização de processos e a mecanização de rotinas agrícolas são as grandes responsáveis por esses ganhos.

Esse estudo ainda apontou que as propriedades mais tecnificadas alcançam o dobro de desempenho comparadas àquelas com baixa adoção tecnológica (em um cenário de renda positiva, ou seja, quando a renda é maior que os custos). Em realidades de renda negativa, por sua vez, essa diferença chega a atingir 400% de ganhos por hectare.

Isso prova, portanto, que a transformação digital no campo é democrática, impactando positivamente grandes e pequenos produtores.

Plano Nacional de IoT: barreiras estruturais do campo

Como se nota, o panorama do agronegócio mostra-se bastante promissor. Entretanto, a realidade brasileira ainda é marcada por complexos desafios estruturais.

Em comparação a outras realidades do mundo, muitas vezes os números brasileiros indicam um baixo desempenho, com produção muito custosa e retornos não tão elevados. Estamos, por exemplo, em quarto lugar no ranking mundial de maiores consumidores de defensivos agrícolas por hectare – utilizamos o dobro da quantidade dos canadenses. Além disso, apenas no mercado lácteo, temos uma eficiência 2,5 vezes menor que a norte-americana e 6 vezes menor que a de Israel, um país cercado por desertos e condições adversas.

Justamente para combater essa discrepância e melhor aproveitar as características positivas do território brasileiro, as novas tecnologias de IoT mostram-se fundamentais. Ao serem bem orquestradas junto à iniciativa público-privada, será possível remodelar aspectos estruturais danosos, corrigindo desvios históricos que comprometem nossa eficiência produtiva.

Principais desafios do agronegócio brasileiro

Estudos prévios ao Plano Nacional de IoT mapearam os principais entraves ao agronegócio brasileiro. Entre eles, destacam-se:

  • Logística e armazenamento ineficientes
  • Baixa profissionalização do trabalhador rural
  • Infraestrutura deficitária de conectividade

No Brasil, quase metade dos gastos com alimentos vêm dos custos de transporte. Dados do US Department of Agriculture (USDA) mostram que esse valor é muito menor nos Estados Unidos – apenas 11%. Isso se deve às péssimas condições de nossas rodovias e, sobretudo, ao modelo desenvolvimentista que não fomentou outros meios alternativos, como as ferrovias.

A baixa qualificação profissional na área rural é um outro importante problema. Dados do IPEA apontam que a maioria dos trabalhadores do campo têm apenas quatro anos de formação escolar. Diante desse panorama, a entrada de novas tecnologias torna-se mais difícil, em razão da necessidade de profissionais mais gabaritados para manipulá-las.

Analistas apontam que, entre essas questões, a baixa infraestrutura de conectividade é o principal aspecto a ser vencido. Isso porque ela impacta negativamente o desempenho de novas tecnologias de IoT, como a agricultura de precisão e a telemetria. Atualmente apenas 1/3 dos agricultores brasileiros beneficiam-se do acesso à internet.

Ciente dessa demanda, a V2COM conta com um braço de inovação técnica plenamente voltado ao desenvolvimento de soluções de Conexão Inteligente compatíveis com o advento das novas tecnologias de IoT. Desse modo, possibilita a coleta, armazenamento e análise de dados que, trabalhados em tempo real através de interfaces dinâmicas, permitem a tomada de decisão de forma inteligente.

Conclusão

O agronegócio é peça fundamental para o desenvolvimento da economia brasileira. Somos reconhecidos como ator estratégico no fornecimento de alimentos em escala global. Mesmo assim, ainda enfrentamos importantes problemas estruturais que comprometem nossa eficiência produtiva.

O Plano Nacional de IoT, nesse sentido, é fundamental para mapear, organizar e, por fim, estimular o desenvolvimento tecnológico no campo. Sua principal meta, dentro da vertical agrícola, é alavancar a produtividade brasileira, associando-a à elevação de qualidade e, sobretudo, ao desenvolvimento sustentável.

Prestes a iniciar uma importante trajetória rumo à ativação da Agricultura 4.0, o Brasil prepara-se para uma nova revolução agrícola em que decisões serão tomadas com base em dados em tempo real e inteligência preditiva. Isso, em conjunto, elevará nossa produtividade a patamares nunca antes alcançados.

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