Indústria 4.0: dados atualizados sobre o cenário brasileiro

 

Alguns chamam de Quarta Revolução Industrial. Outros preferem Indústria 4.0. Há os que defendem que não se trata de uma revolução propriamente dita, mas sim de uma reestruturação radical de processos que, digitalizados, tornam-se mais rápidos e eficientes.

Independentemente da nomenclatura, está claro que indústrias de diferentes segmentos vêm sofrendo  o impacto da transformação digital em todo o mundo. E com ela surgiram novas demandas que, muitas vezes, desafiam a estabilidade corporativa, exigindo decisões rápidas e de forte impacto.

O Brasil, claro, não está fora dessa nova realidade. Entretanto, o país ainda percorre passos curtos quando o assunto é a consolidação de sua Indústria 4.0.

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Indústria 4.0 – resultado de uma sucessão de momentos de alavancagem produtiva

 

O processo produtivo das indústrias está em constante transformação, desde a chamada Primeira Revolução Industrial. Década após década, novas tecnologias emergem e desaparecem, alterando a rotina fabril.

Em alguns momentos dessa trajetória, a inovação é tão poderosa a ponto de gerar mudanças radicais na eficiência da linha de produção, elevando-a a níveis bastante expressivos. Esses verdadeiros pontos de inflexão são denominados de alavancagem produtiva.

Nessas situações, torna-se mandatória a rearticulação da cadeia produtiva, em seus mais variados aspectos. E isso, claro, ocorre a partir da iniciativa da alta liderança das indústrias que, ao adaptar sua estratégia à nova realidade tecnológica, precisa atentar-se aos possíveis impactos e também a formas de mitigar riscos. Inovações disruptivas alteram o status quo, forçando a revisão de parâmetros que antes garantiam vantagem competitiva.

O quadro abaixo detalha alguns desses momentos:

Indústria 4.0 - alavancagem tecnológica
FONTE: Economist; Ivey Business Journal; MIT; Wilson Center.

 

Nasce uma indústria de dados

A atual fase de alavancagem por que passa a indústria está fortemente associada aos conceitos de Internet das Coisas (IoT), automação de processos, Big Data e Inteligência Artificial. Todos eles integrados proporcionaram um crescimento produtivo em escala exponencial, algo talvez nunca antes verificado na história.

Pela primeira vez, os mundos físico, digital e biológico uniram-se, gerando impactos radicais em diversos setores da economia.

Especificamente na indústria, a transformação digital incrementou profundamente o potencial produtivo. Mais do que isso, criou uma nova dinâmica entre máquinas e humanos que passaram a trabalhar de forma integrada e, por que não, interdependente.

Dessa articulação, surgem quantidades enormes de dados que, a cada segundo, são captados por hardwares e organizados por softwares inteligentes, gerando análises de elevada complexidade. Esse mecanismo garante a tomada de decisão em tempo real, otimizando os ciclos de identificação e correção de erros processuais. Como consequência, notam-se uma importante elevação da capacidade produtiva, a redução de custos e, claro, o melhor posicionamento competitivo.

Esse panorama é o que hoje se denomina Indústria 4.0. Se por um lado é certa a sua expansão em escala global, por outro ainda se verifica um desnível importante entre diferentes países e segmentos industriais quanto ao grau de maturidade da digitalização produtiva.

 

Panorama geral da Indústria Brasileira

 

Um recente estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que dos 24 setores industriais do Brasil, 14 estão atrasados na adoção de tecnologias digitais. O mais interessante é que esse grupo é responsável por cerca de 40% de toda produção industrial do país, segundo o IBGE. Assim, quase metade de tudo o que a indústria brasileira produz ainda não é resultado de uma realidade digital plenamente automatizada.

A participação da indústria de transformação – aquela que transforma matéria-prima em um produto final ou intermediário – no PIB brasileiro vem apresentando quedas sucessivas. Dados de 2016/2017 demonstram o menor valor, em décadas de estatísticas (veja gráfico abaixo). Especialistas acreditam que o Brasil não chegou ao seu máximo de potencialidade industrial para que essas quedas sucessivas fossem justificadas. Ao contrário, defendem um importante potencial de expansão, muitas vezes abafado por particularidades de nossa economia e infraestrutura deficitária.

 

Indústria de Transformação no PIB brasileiro (%)

Indústria no PIB brasileiro (%)
Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

 

Ainda nesse sentindo, o Índice Global de Inovação de 2018  colocou o Brasil em 64º lugar entre 126 países analisados. Dentro da região latino-americana, o país ficou na 6ª colocação. Embora tenhamos subido 5 posições em relação a 2017, ainda não firmamos uma posição de destaque na escala global. Há, portanto, um grande espaço de oportunidades a ser percorrido.

Esse índice – publicado anualmente pela Universidade Cornell, pelo INSEAD e pela OMPI – leva em consideração dados como investimento em P&D, níveis de educação, incremento de produtividade e exportação de produtos de alta tecnologia.

 

Índice Global de Inovação (2018)

Índice Global de Inovação 2018
Fonte: Universidade Cornell, INSEAD, OMPI (2018)

 

Os índices de melhor desempenho do país relacionam-se aos investimentos em educação, em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e absorção de conhecimentos. Em potencial de escala de negócios nos destacamos na oitava posição o que, certamente, corrobora o potencial de crescimento do país.

Os pontos de atenção, por sua vez, envolvem as instituições, o ambiente de negócios, o crédito e o número de graduados em engenharia e ciências. Um aspecto bastante preocupante apontado pelo ranking é a facilidade de abertura de negócios, no Brasil. Nesse quesito, estamos entre os últimos da lista, na 123º posição.

A importância de estatísticas como essas está justamente em comparar o desempenho do Brasil com o restante do mundo e, principalmente, fornecer diretrizes para políticas desenvolvimentistas e áreas que necessitem de maiores investimentos.

 

IoT: incorporação gradual com impactos escaláveis

 

Está claro que a incorporação de novas tecnologias no ambiente industrial brasileiro não é um processo simples. Entre as principais razões para isso estão:

  • Limitações orçamentárias
  • Mudança de cultura frente à incorporação de novas tecnologias
  • Incertezas quanto aos impactos causados pela inovação
  • Mão-de-obra pouco qualificada
  • Baixa infraestrutura de conectividade

Mesmo diante desses desafios, a reestruturação que a Indústria 4.0 demanda é muito menos radical do que momentos de alavancagem passados.

Antes, era mandatória a substituição física do maquinário para a adequada incorporação das novas tecnologias que surgiam. Hoje, ao contrário, a integração entre hardwares e softwares inteligentes permite um elevado grau de adaptabilidade a diversos ambientes, sem a necessidade imediata de substituição do parque industrial.

Isso acontece pelo fato de a Internet das Coisas permitir a incorporação de sensores e sistemas legados com bastante facilidade, mesmo diante de equipamentos que já estejam em operação. As indústrias, então, conseguem usufruir da transformação digital de modo progressivo, sem uma quebra radical de processos e rotinas fabris.

A nova Revolução Industrial é, portanto, tão característica justamente por unir a escalabilidade produtiva em níveis nunca antes atingidos a um processo de transformação digital bastante flexível e adaptável.

Em mais de 15 anos de história como provedora de soluções de IoT, a V2COM desempenha um papel fundamental no processo de alavancagem da Indústria 4.0 no Brasil. Reconhecida por sua grande capacidade de se ajustar a diferentes realidades, a empresa impulsiona tecnologias que conversam facilmente com diferentes equipamentos e sistemas, de forma inteligente.

Desse modo, tem proporcionado retornos financeiros em um curto intervalo de tempo a seus clientes. Ademais, permite que as novas soluções incorporadas sejam perenes e compatíveis com os avanços tecnológicos futuros.

 

CONCLUSÃO

 

A incorporação da Internet das Coisas (IoT) pela Indústria 4.0 permite que as empresas usufruam de novas tecnologias sem a necessidade de substituição em massa do parque industrial. O foco está, sobretudo, na digitalização de processos já em funcionamento. Assim, a reconfiguração física do espaço fabril é apenas uma consequência gradual desse avanço o que, certamente, mitiga riscos e custos, elevando os ganhos econômicos.

O Brasil, nesse sentido, apresenta um grande potencial a ser explorado no processo de digitalização de seu parque industrial. Para tornar realidade a versão 4.0 de sua indústria, é preciso que as empresas brasileiras invistam com maior peso na aquisição e desenvolvimento de novas tecnologias. Além disso, urge um remodelamento em nossas políticas de fomento à indústria, bem como ações imediatas na melhoria de infraestrutura básica.