O que faz um projeto de IoT falhar?

É inegável que todas as empresas – cedo ou tarde, de forma voluntária ou não – passarão pela transformação digital. Esperam-se mais de 20 bilhões de dispositivos conectados no mundo, até 2025, e uma completa remodelação de processos e modelos de negócios em razão da coleta, estruturação e análise inteligente de quantias inimagináveis de dados.

Indo nessa direção, segundo recente pesquisa da McKinsey, 92% dos líderes das empresas entrevistadas afirmaram que o descompasso entre o avanço tecnológico e sua efetiva implementação em ritmo mais acelerado poderia comprometer fortemente a saúde das empresas.

Embora haja grande curiosidade acerca da Internet das Coisas no mundo corporativo, quando analisado na prática muitos projetos dessa natureza não caminham da forma mais assertiva possível.

Surge, então, a grande pergunta: o que faz um projeto de IoT falhar?

 

É importante entender o que significa “falhar”

A primeira questão importante a ser tratada é entender o que significa “falhar”. O termo só faz sentido se uma solução passar por todas as etapas de testes e, ao final, for provado que não houve ganhos importantes (algo, por sinal, muito difícil de ocorrer). Entretanto, o que se nota na prática é que muitos “pilotos” não são direcionados de maneira efetiva dentro das empresas.

Para o sucesso de uma rodada de testes é fundamental o engajamento de todas as equipes envolvidas no projeto. Os integrantes, independentemente do cargo hierárquico, devem estar em perfeita sintonia sobre o que pretendem com aquela inovação e, sobretudo, o que precisam readequar para que de fato seja possível obter todos os benefícios propostos. Ganhos reais com IoT pressupõem mudanças nos processos de negócios. E isso, claro, só ocorrerá se houver uma inclinação de esforços da alta diretoria para os ajustes necessários.

             Dados de pesquisa da Cisco

Muitos especialistas, inclusive, acreditam que é importante as empresas terem um “embaixador de IoT” dentro das salas de reuniões. É estrategicamente interessante ter alguém na alta direção plenamente focado nesse tipo de inovação, com capacidade técnica para avaliar todas as variáveis envolvidas na adoção de novas tecnologias.

O segundo ponto fundamental relaciona-se à “profundidade dos pilotos”. Em outros termos, testes limitados e isolados do ambiente macro da empresa não costumam provar a eficiência das soluções de IoT. Isso se deve ao fato de que essas tecnologias foram desenhadas para revolucionar processos inteiros e não apenas etapas ou atividades únicas. O grande ganho está em captar os dados ao longo de toda a cadeia (qualquer que seja a natureza do negócio) e, a partir disso, entender os meios para otimizar todo o contexto de negócios da empresa.

Pesquisas da McKinsey provaram que os efeitos maiores dos projetos de IoT são sentidos quando as empresas estão dispostas a testar vários cases, e mais, quando optam por aumentar a profundidade das aplicações.  É claro que esse processo não começa grande, mas é fundamental que a empresa esteja disposta a desenhar um planejamento em que se considere uma aplicação mais ampla da solução testada em diferentes frentes de negócios.

 

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Os achados da McKinsey mostram que os líderes em sucesso nas soluções de IoT implantaram 80% mais cases em sua fase de testes. Isso, segundo a pesquisa, eleva a curva de aprendizado e permite uma visão mais apurada sobre novas possibilidades de aplicação.

A figura abaixo mostra a relação direta entre o grau de expansão de projetos-pilotos de IoT e o impacto financeiro sentido pelas empresas:

Curva de aprendizado com projetos de IoT (mais cases gera maior impacto financeiro)
               Fonte: McKinsey

 

A economia digital não funciona no mesmo tempo da economia tradicional

Um outro importante aspecto que dificulta a expansão da realidade digital é uma aparente incompatibilidade entre os tradicionais modelos econômicos, estratégicos e operacionais e a disrupção de novas tecnologias.

Muitas empresas ainda estão presas a orçamentos anuais. Dessa forma, toda a estratégia é montada para períodos de médio e, sobretudo, longo prazo. A transformação digital, entretanto, não permite lapsos temporais tão longos. A inovação é constante e impõe um ritmo acelerado aos que queiram se adequar a ela.

Essa realidade temporal de ao menos um ano para planejamentos – o que inclui a autorização de orçamento para projetos pilotos – está descompassada com a agilidade que as inovações provocam. De um ano para outro, a tecnologia é capaz de criar fortes rupturas no mercado. A economia digital não espera e, desse modo, os players mais adiantados certamente garantem vantagem competitiva, ao mesmo tempo em que se protegem de novos entrantes totalmente digitalizados e com estrutura muito mais enxuta.

Ciclos mais curtos de planejamento financeiro ou mesmo processos mais simples para a autorização de testes podem ser boas alternativas para adequar as corporações do século XXI à realidade vigente.

 

Mas o que é a “transformação digital” propriamente dita?

O próprio conceito de transformação digital, por si só, já pode ser responsável pelas “falhas” mencionadas. Quando há divergência ou pouca clareza acerca do assunto, torna-se muito mais difícil mensurar os ganhos obtidos.

Há quem entenda, por exemplo, a presença digital de uma marca como um exemplo de transformação. Outros, por sua vez, enxergam que apenas o setor de TI estaria diretamente impactado por essas inovações. A realidade, porém, é muito mais ampla.

A incorporação de IoT está muito além do tradicional processo de escolha de compra de tecnologias, sistemas e equipamentos. A Internet das Coisas compõe uma nova forma de se fazer negócios e, por isso, pressupõe alterações estruturantes para que possa desempenhar com efetividade.

Sabe-se hoje que empresas desenvolvedoras de soluções de IoT – com grande expertise e equipe técnica altamente capacitada – podem adequar diferentes tecnologias aos mais diversos cenários. O CEO da V2COM, Guilherme Spina, costuma fazer uma associação dessa versatilidade com o Lego. Os hardwares e softwares desenvolvidos na empresa seriam as “peças”, ao passo que os sistemas de IoT desenhados para cada diferente realidade seriam resultado dos mais diversos arranjos possíveis.

 

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Assim, é fundamental que se entenda a profundidade por trás do termo Internet das Coisas e as infinitas possibilidades que ele traz. Com um olhar mais amplo fica muito mais fácil defender a inclusão de inovações tecnológicas às realidades empresariais. E, além disso, a visão macro garante um maior engajamento com os testes de soluções e a sua expansão para toda a realidade de negócio da empresa.

 

Por onde começar os pilotos?

É comum a associação entre inovação tecnológica e o advento de novos serviços e produtos. Claro que isso é uma grande possibilidade, mas especialmente na fase de testes de soluções de IoT é importante começar por aquilo que a empresa já faz e por processos já existentes.

Isso quer dizer que a transformação digital não significa alterar o core business de uma empresa, mas sim remodelar processos já em pleno funcionamento, automatizando-os e, por vezes, dando-lhes inteligência suficiente para tomada de decisão. Isso, por si só, gera verdadeiras disrupções, com importante impacto nos custos operacionais e na eficiência produtiva.

Os pilotos com maior benefício financeiro às empresas são aqueles em que se usou a tecnologia para repensar um modelo de negócio já existente e sólido. Nas situações em que se implementou a IoT como base para a criação de novos produtos e formatação de negócios totalmente novos, os benefícios foram importantes, mas em escala menor do que na primeira realidade.

 

CONCLUSÃO

Por não estarem certas do impacto que a Internet das Coisas pode trazer aos negócios, muitas empresas comportam-se de maneira conservadora na jornada de incorporação de novas tecnologias. Entretanto, a economia digital caminha a passos largos e deixará para trás os que não se esforçarem para acompanhar seu ritmo.

Os testes através de pilotos são de fundamental importância para que uma empresa averigue com profundidade os benefícios advindos da transformação digital. Entretanto, é fundamental o comprometimento de todas as pessoas envolvidas para que seja possível mensurar os ganhos da forma mais realista possível.

Como se nota, o que faz um projeto de IoT falhar é um conjunto de fatores e não apenas um ou outro de forma isolada. A notícia boa é que muitos deles são de fácil detecção, bastando simples correções para que se possa experimentar a transformação digital de forma verdadeiramente holística.