Como expandir a transformação digital dentro da minha empresa?

A última publicação do McKinsey Quarterly de outubro (leia o texto na íntegra) analisa os principais entraves que as empresas (sobretudo as de grande porte) enfrentam na hora de incorporar e expandir a transformação digital em seus processos.

É clara a noção entre os grandes líderes de que a incorporação de novas tecnologias é mandatória e fundamental para a saúde das empresas. Entretanto, ainda é pouco expressivo o número de situações em que a transformação digital realmente foi aplicada de forma transversal.

Dessa forma, não são raros os projetos que param na fase piloto, sem uma efetiva expansão e integração das tecnologias testadas. Por essa razão, cada vez mais será necessária a iniciativa de líderes seniores para fazer da inovação uma realidade prática dentro das empresas.

“As empresas que conquistam a vantagem competitiva da tecnologia são as que fazem da transformação digital uma tarefa constante de negócios”

(McKinsey Quartely, 10/2018)

Para tanto, algumas etapas devem ser seguidas. Entre elas, destaca-se a criação de um planejamento tecnológico, detalhando passo a passo a estratégia para o uso eficiente dos recursos disponíveis e necessários ao incremento tecnológico. Além disso, especial atenção deve ser dada à formação especializada e treinamento de gerentes, ao tratamento de dados em toda a empresa e também ao compromisso de se reformular o modelo operacional vigente, visando à captura de valor ao longo de toda a cadeia produtiva/de serviços.

As empresas mais ágeis na adoção dessas mudanças incrementais garantirão a capacidade de expandir a transformação digital efetivamente. Somente uma parcela conseguirá angariar vantagem competitiva através da incorporação de tecnologias que integrem a dinâmica operacional/administrativa ao objetivo fim dos negócios.

 

Qual é o maior desafio para as empresas do século XXI?

Certamente gerar real valor de negócios através do uso de tecnologias avançadas.

E, com o passar do tempo, essa tarefa torna-se ainda mais complexa, visto que a implementação insuficiente da inovação poderá comprometer com grande severidade a manutenção de uma empresa frente aos concorrentes.

Ao longo de 2018, executivos da McKinsey questionaram mais de 500 CEOs de diferentes segmentos sobre o quão cientes eles estariam acerca da importância desse desafio.

A maioria deles respondeu positivamente. Inclusive, muitos expressaram concordância quanto à capacidade de a tecnologia  elevar o valor de mercado e lucros das empresas em parcelas significativas (entre 30 e 50%).

 

Você também vai querer ler:

 

Mesmo assim, os inúmeros estudos da McKinsey, baseados em metodologias consolidadas, provam que essa noção não está necessariamente posta em prática, visto o grande número de empresas que estão atrasadas no processo de incorporação da transformação digital.

Não devemos limitar, entretanto, a ideia de “incorporação da transformação digital” apenas a iniciativas de projetos pilotos ou à incorporação de tecnologias de modo isolado (como a adoção de um novo sistema de ERP, por exemplo), sem um posicionamento claro perante o contexto maior da empresa.

A transformação digital requer um remodelamento estratégico e o mapeamento de novas oportunidades de negócios, bem como a otimização de processos de forma transversal.

A grande dificuldade em efetivar esse processo de mudança está na falta de clareza sobre como associar os objetivos de negócios vigentes com as estratégias digitais disponíveis.

 

Manual estratégico: como construir as bases para expandir a transformação digital?

São dois os principais desafios para as empresas que procuram usar a tecnologia em escala transformadora:

  • Grande número de soluções tecnológicas necessárias para elevar uma empresa à versão 4.0, bem como a amplitude de aplicação transversal dessa inovação. Isso em razão de os projetos envolverem diversos setores e pessoas, orçamentos variados e uma série de decisões estratégicas complexas;
  • “Desafio de última milha” que se refere à dificuldade em redesenhar processos visando à incorporação tecnológica, sem perder de vista a necessidade de captura de valor de forma coerente com os objetivos de negócios centrais.

A superação desses dois grandes blocos de desafios passou a compor a agenda da alta liderança de muitas empresas.

Por conta disso, o artigo da McKinsey propõe um conjunto de boas práticas que serve de plataforma para a construção de estratégias digitais verdadeiramente holísticas.

Na sequência, apresentaremos alguns dos principais pontos abordados:

  1. É fundamental estruturar um roteiro de implementação tecnológica

Essa é uma das etapas mais importantes e também uma das mais desafiadoras. É fundamental não perder de vista o porquê da incorporação das novas tecnologias, sempre levando em consideração o olhar estratégico da companhia. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer novas possibilidades de negócios digitais que surgem com a reconfiguração processual da empresa.

Além disso, esse roteiro deve ser dinâmico e contínuo. Dificilmente a incorporação de uma ou várias tecnologias se comportará como um projeto com começo, meio e fim. As possibilidades de integração e remodelação de negócios são voláteis e, como tal, devem pousar sobre uma visão receptiva a essa característica.

A vantagem competitiva só é conquistada de fato quando os esforços para expandir a transformação digital são assumidos como parte da rotina estratégica das corporações, visto o dinamismo do mercado.

É crucial que os líderes empresariais dirijam pessoalmente a criação desses roteiros tecnológicos para suas unidades e não os especialistas em tecnologia. Isso porque são os primeiros os mais bem posicionados para conhecer as necessidades não atendidas dos clientes e as fontes de desperdício em suas operações. Ademais, são eles os verdadeiros responsáveis pelo ritmo da inovação diante dos processos sob seu controle.

  1. Treinamento de gerentes para reconhecimento de novas oportunidades

O grande valor das novas tecnologias está na alavancagem de ganhos não apenas na unidade em que são inicialmente aplicadas, mas também naquelas que se favorecem da reverberação dessas mudanças. Processos costumam estar interligados entre si, de tal modo que a reestruturação de um costuma afetar todos os outros com que interage.

Detectar oportunidades em processos paralelos é, portanto, fundamental. E isso só acontecerá caso as lideranças sejam treinadas a desenvolver sua visão de negócios, sobretudo de forma generalista.

Assim, o lançamento de uma nova solução tecnológica não deve ser entendido como o ato final de um projeto, mas sim como o ponto de virada para a configuração de novas fases de mudanças operacionais em grande escala.

  1. Reformulação da estratégia de governança de dados, com vistas a torná-los mais acessíveis e confiáveis.

É mais do que sabido que a habilidade de coletar e analisar dados para embasar a tomada de decisão é um grande diferencial competitivo.

Entretanto, na prática, ainda são poucas as companhias que de fato adequam seus negócios, capitalizando-os em função de dados. No geral, a realidade de muitas empresas ainda é marcada por um número excessivo de dados que são manipulados sem uma regra clara. Ainda, muitas vezes, os dados de diversos processos nem chegam a ser mensurados.

Isso tudo dificulta a expansão de novas tecnologias que, por vezes, acabam estacionadas na fase de testes ou pilotos. Sem dados estruturados e uma mensuração objetiva fica muito difícil entender o impacto que as soluções podem trazer às unidades de negócio e, sobretudo, à empresa como um todo.

 Celesc Distribuidora pode economizar mais de R$ 73 milhões

com solução de IoT da V2COM 

CASE COMPLETO

Uma das maneiras mais eficientes de contornar esse problema é, ainda na fase inicial de mapeamento, definir os padrões de mensuração e quais dados são importantes de serem coletados para a demanda em questão.

Mais do que isso é fundamental categorizar os dados, priorizando a busca de informações que sejam mais necessárias em cada etapa de expansão. Com isso feito, é possível focar nas estratégias de coleta, algo que pode partir de sistemas legados ou mesmo de fontes de dados externos.

Sem essa ordenação clara e coerente com o objetivo estratégico desenhado, é extremamente difícil conseguir a velocidade necessária para escalar a transformação digital e, sobretudo, entender o impacto que ela representa para o negócio vigente e para os que surgirão das novas tecnologias.

 

CONCLUSÃO

Não há mais dúvidas sobre a importância estratégica da transformação digital para as empresas. Entretanto, quando vista na prática, notam-se poucos casos em que a inovação é aplicada de forma verdadeiramente transversal. Em geral, os esforços são paralisados ainda na fase de testes e pilotos, em razão da falta de um olhar capaz de unir o potencial tecnológico aos negócios da empresa.

Para contornar essa situação, é preciso seguir alguns passos estruturantes e, sobretudo, implementar a mudança com a agilidade que ela demanda. Mapear roteiros de incorporação tecnológica, fomentar o olhar digital de gerentes e reestruturar a governança e segurança de dados são pilares mandatórios para toda empresa que de fato queira expandir a transformação digital, consolidando sua versão 4.0.