Recente avaliação da Logicalis em parceria com a Stratica entrevistou 272 executivos de grandes empresas brasileiras e latino-americanas, especialmente da Argentina, Chile, Colômbia e México, entre julho e agosto de 2018. O estudo (leia na íntegra) busca analisar o grau de maturidade do mercado perante à Internet das Coisas.

Diferente das edições anteriores em que majoritariamente o Setor de Inovação responsabilizava-se pelas iniciativas de IoT, este ano os dados apontam que 68% dos projetos estão nas mãos da área de TI.

No que se refere ao nível de adoção dessas soluções na América Latina, 32% das empresas afirmam já ter adotado (ou estarem em vias de adotar) tecnologias de IoT. Nos próximos doze meses, 18% já possuem iniciativas de mapeamento para início de implementação de projetos.

 

O nível de adoção das tecnologias está em ascensão

Atualmente, 17% dos brasileiros já adotam a tecnologia, e 38% estão em processo de adoção. O resultado é similar à edição anterior, que registrou 18% e 40%, respectivamente. A situação nos demais países da América Latina também é semelhante: 16% já têm projetos de IoT e 34% planejam ter uma solução em operação no próximo ano. O destaque é o Chile, onde 27% dos respondentes já possuem iniciativas e outros 23% devem lançar novos projetos até o final de 2019.

A eficiência operacional (18%) continua sendo o principal benefício buscado pelas empresas do Brasil, seguida por aumento de produtividade e agilidade (17%) e inovação (16%). A melhoria na experiência do cliente é mais entendida como consequência dos projetos (14%)

Na América Latina, por sua vez, a realidade é um pouco diferente. A maioria dos projetos tem como principal benefício a inovação (20%), seguida por melhoria da experiência do cliente (15%).

 

“Há três anos, os executivos conheciam muito pouco sobre IoT. Passada a curiosidade e a euforia iniciais, projetos interessantes começam a ser implementados em diversos segmentos de negócio com a seriedade e robustez que o tema demanda…”  disse Yassuki Takano, diretor de consultoria da Logicalis.

 

Para os respondentes brasileiros, 42% defendem que a tecnologia já é importante ou muito importante para os negócios. Isso representa uma elevação em relação às pesquisas anteriores, 34% (2017) e 32% (2016).

Entre os executivos que julgam ser fundamentais as soluções de IoT para os negócios nos próximos 3 a 5 anos, percebeu-se uma elevação percentual de 19 pontos em comparação ao ano de 2016. Hoje, 81% deles defendem que a Internet das Coisas e a saúde empresarial são temas indissociáveis.

Os países latino-americanos parecem um pouco mais conservadores: 37% dos participantes ainda veem essas tecnologias como pouco relevantes para suas empresas, embora 57% acreditem que elas terão importância alta ou muito alta em um horizonte de 3 a 5 anos.

Ao avaliar os benefícios da IoT por setor, a pesquisa mostra claramente que os investimentos partem, sobretudo, da tentativa de resolver questões estratégicas e ligadas ao core business das empresas.

Na manufatura, por exemplo, a eficiência operacional é a grande preocupação, alcançando 21% dos respondentes. Para o agronegócio, por sua vez, a agilidade e a produtividade aparecem para 21% deles. No comércio, o foco está na experiência do cliente (22%).

Fonte: IoT Snapshot 2018

 

Desafios precisam ser vencidos

A questão orçamentária é ponto de destaque no estudo. Grande parte das empresas entrevistadas preferiu não abordar o tema com profundidade, talvez por questões estratégicas.

Entre a parcela que aceitou responder abertamente sobre questões dessa natureza, percebeu-se grande otimismo.

Dos 45% entrevistados brasileiros que falaram abertamente dos orçamentos, 52% comentam que estruturaram uma cota específica para o tema pela primeira vez este ano e 22% informam uma elevação do orçamento para IoT.

Entre os latino-americanos, apenas 56 empresas revelaram a tendência de crescimento nos orçamentos para IoT (mesmo que algumas não tenham revelado valores), sendo que 52% delas têm um budget maior este ano.

A questão financeiro-orçamentária ainda se mostrou mais complexa quando perguntado sobre quais seriam os principais entraves para a decolagem dos projetos de IoT. 26% apontou a restrição financeira, seguido de questões de cultura organizacional (12%), carência de conhecimento na área (9%) , infraestrutura de telecomunicações (5%), baixa qualificação das áreas de TI (4%) e falta de mão de obra capacitada (3%).

É claro, assim, que o olhar do mercado está na direção da incorporação de um número cada vez maior de soluções de Internet das Coisas para os próximos anos. Entretanto, muitas iniciativas deverão ser estruturadas para derrubar as barreiras que ainda atrapalham a inovação tecnológica.