2019: ano de consolidar tendências em Internet das Coisas

2019: ano de consolidar tendências em Internet das Coisas

Se em 2018 a Internet das Coisas esteve no foco estratégico das empresas como uma grande oportunidade de alavancar os negócios com tecnologia, em 2019 – e nos anos subsequentes – a expectativa é que esse cenário se consolide cada vez mais.

Até agora, grande parte das iniciativas em IoT se deu por meio de projetos pontuais e pilotos. A ideia foi verificar num ambiente controlado o que de fato essas tecnologias poderiam trazer em termos de eficiência produtiva, redução de custos, aumento na segurança dos processos, rastreabilidade, salvaguarda de recursos naturais, além do redesenho e até mesmo da criação de novas oportunidades de negócios.

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E conforme os projetos foram avaliados, foi possível comprovar o importante impacto que as soluções trazem à realidade das empresas. Ao mesmo tempo, ficou claro que, para alcançar resultados ainda mais expressivos, com potencial de crescimento exponencial, é preciso escalar os projetos para o cenário maior das organizações.

Por essa razão, os executivos e líderes de IoT passaram a construir um olhar panorâmico sobre essa realidade, vendo a aplicação das soluções na empresa como um todo. E é justamente isso que promete se consolidar nos próximos anos.

A McKinsey divulgou essa semana um material sobre as principais tendências da IoT, em 2019. Para tanto, tomou como base centenas de cases e clientes que vêm passando pela transformação digital nesses últimos anos.

IoT como oportunidade de negócio e não como desafio tecnológico

Cada vez mais, a Internet das Coisas entra no mundo dos negócios, deixando para trás a ideia de que seria apenas mais um desafio técnico para o departamento de TI.

Aos poucos, as empresas entenderam que o valor obtido com a geração em tempo real de dados é maior (e mais complexo) do que apenas o desafio de fazer os dispositivos funcionarem adequadamente e se comunicarem à distância.

Afinal, é a partir desses insights que toda a cadeia de produção se remodela, permitindo uma novo redesenho de processos e, até mesmo, a criação de novas unidades de negócios.

Vários cases paralelos aceleram os retornos

Nos últimos anos, ficou claro que as empresas que conseguem implantar vários projetos de IoT de forma simultânea, conectando os achados e, claro, integrando-os a partir de um planejamento estratégico bem estruturado conquistaram mais sucesso em suas iniciativas.

A grande razão para isso está na curva de aprendizagem. Múltiplos projetos permitem análises integradas de forma mais rápida, acelerando a curva. E isso está diretamente ligado a um maior impacto financeiro. Dados da McKinsey provam que as empresas mais bem sucedidas em IoT têm em média 80% mais projetos que os cases com menor sucesso financeiro auferido.

Fonte: McKinsey

Industrial Internet of Things (IIoT) continua protagonista em 2019

Utilities, gás e petróleo, mineração, agricultura, setor automobilístico e de maquinário pesado: são essas as grandes tendências de mais sucesso na aplicação de IoT neste ano.

O potencial da transformação digital nesses setores tem superado todas as expectativas. A construção de uma nova cadeia de valor, a otimização máxima da linha de produção e a manutenção preditiva são apenas alguns dos exemplos que levaram essas empresas a experimentar um grande impacto financeiro positivo, associado ao desenvolvimento sustentável e à elevação da produtividade.

Seja pela complexidade tradicional dos processos ou pelo elevado custo operacional dessas indústrias, os resultados advindos da aplicação dessas tecnologias nas linhas de produção ficam ainda mais evidentes para a alta liderança. Isso, claro, a depender de uma série de fatores que efetivamente impulsionem os projetos de IoT, como a readequação da cultura corporativa, o estabelecimento de estratégias de longo prazo e o investimento em formação constante e mão-de-obra qualificada.

Ataques cibernéticos aumentam preocupação, mas não barram progresso de IoT

Os mais diversos centros de pesquisa globais têm liberado estudos sobre a importância da segurança dentro das empresas que passam pela transformação digital. E ela é, sem dúvida, o assunto mais “quente” no alto escalão diretivo.

De acordo com os últimos dados liberados pela McKinsey, quase 50% dos executivos C-level admitem já ter sofrido algum tipo de ataque dessa natureza, dentro dos quais 25% julgam que os resultados adversos foram de alto ou severo impacto.

Por essa razão, cada vez mais os desenvolvedores de soluções de IoT estão focados em estratégias que mitiguem qualquer possibilidade de vazamento de dados ou invasões.

Mesmo diante das ameaças, os estudos indicam que em nenhum caso a liderança das empresas considera retroceder. A Internet das Coisas já foi assumida como estratégia de negócios e todo o esforço, a partir de agora, está nas maneiras de tornar as tecnologias cada vez mais seguras. Para tanto, muitos investimentos têm sido direcionados para essa área, ao mesmo tempo que uma série de políticas e procedimentos internos às companhias estão passando por revisões e melhorias.

Fornecedores de IoT tornam-se parceiros estratégicos

Um recente estudo da McKinsey deixou claro que as empresas no topo da pirâmide de sucesso são aquelas que confiam em parceiros externos para o desenvolvimento e aplicação das novas soluções. Elas não costumam gastar esforços e dinheiro para criar tecnologias avançadas se puderem obtê-las de forma mais fácil e menos custosa através de parceiros externos, com expertise comprovada.

Os líderes dos projetos de IoT das empresas preferem atrair recursos de um ecossistema de parceiros de tecnologia, em vez de confiar nos recursos internos. E isso inclui, sobretudo, a escolha das plataformas de IoT que mais se adequem às novas exigências de negócios.

Um outro dado interessante é que, embora 90% de todos os usuários de IoT em escala digam que estão usando as plataformas de terceiros, as empresas com mais resultados na área têm 40% menos probabilidade de exigir que sua plataforma de IoT seja executada no local e não na nuvem.

No Brasil, a grande expectativa está nos marcos regulatórios

Espera-se que 2019 seja um ano de bastante importância para o setor de telecomunicações brasileiro. Muitas das questões colocadas em pauta em 2018, e que ainda não tiveram um desfecho definitivo, prometem acontecer nestes próximos meses.

A expectativa acerca dos investimentos em conectividade e inovação continuam em alta. A aprovação do PLC 79/2016, que visa alterar o marco regulatório das telecomunicações, é ponto de destaque que certamente impactará toda a cadeia de negócios ligada ao setor.

Em 2019 também espera-se uma atuação mais expressiva da ANATEL, sobretudo através de estudos e revisão de regulamentação para elevar a disponibilidade de espectro tanto para banda móvel quanto para IoT. O Plano Nacional de IoT, cujo decreto que estabelece sua criação não foi assinado na gestão Temer, também deve criar incentivos para a utilização massiva de Internet das Coisas em diferentes setores produtivos, entre os quais agricultura, saúde, indústria e cidades.