Biomimética: a nova geração de tecnologias “inspired by nature”

Biomimética: a nova geração de tecnologias “inspired by nature”

Muitos não se deram conta, mas a Natureza é o laboratório de testes mais eficiente até hoje já criado. E dessa percepção surgiu uma nova ciência, que até mesmo a Forbes citou como a próxima grande tendência tecnológica.

São ao menos 3.8 bilhões de anos desde que os primeiros seres vivos começaram a ser selecionados de acordo com a adaptabilidade de suas estruturas ao meio ambiente, numa perfeita e duradoura relação de simbiose.

Nesse intervalo, a natureza foi a grande protagonista de um número incontável de amostras, erros, acertos e inovações, que juntos criaram cases e mais cases de sucesso espalhados por todos os lados. De células a indivíduos complexos, de folhas a florestas com dimensões continentais, todas as estruturas vivas mantêm-se de maneira sustentável e equilibrada, comprovando diariamente a imensa capacidade evolutiva e adaptativa da natureza.

A perfeição morfológica dos seres vivos, a complexidade eficiente das reações químicas que os mantêm, além da mecânica mais adequada aos diferentes tipos de intempéries são algumas das dinâmicas que garantem a perpetuidade das espécies.

E é justamente do olhar refinado à essa constante prova de resistência e sucesso que se desenvolveu uma área de estudo capaz de revolucionar os padrões tecnológicos atuais: a Biomimética (do inglês, Biomimicry).

Biomimética observa formas, processos e sistemas naturais

Numa primeira tentativa de tradução, poderíamos considerar a Biomimética como o resultado da fusão entre bio (vida) e mimética (imitação). Assim, estaríamos falando de algo próximo à “imitação da vida”. Ou seja, tomar como referência o sucesso já extensivamente provado de tudo aquilo que é natural para, então, desenvolver novas tecnologias com aplicabilidade humana.

Mas por trás dessa aparente simplicidade semântica, borbulha uma vasta área de estudo cujo objetivo suplanta, em muito, a simples imitação. Na verdade, o que se pretende é emular uma sucessão de complexas relações intra e intervivos que, juntas, servem de base para o desenvolvimento prático de tecnologias e novos negócios.

Para tanto, a Biomimética parte, sobretudo, de três grandes níveis de observação. O primeiro é o olhar sobre a forma natural. As estruturas que mais funcionam e que são mais resistentes. O segundo refere-se ao processo natural. Aqui, entendemos a forma dentro de um contexto, ou seja, a forma como uma função de algo maior e não um fim em si mesmo. Por fim, o terceiro nível de observação coloca esse processo dentro de um sistema organizado. Ele seria o grande responsável por fazer funcionar a roda da vida, permitindo interações constantes que, juntas, mantêm o equilíbrio.

O inteligente é o novo automático 4.0

O princípio básico da Biomimética é progredir “com” a natureza e não “sobre” a natureza. E é justamente isso que os centros de estudo mais avançados do mundo, bem como as empresas líderes em inovação, têm colocado em prática.

Ao estruturarem o olhar transdisciplinar, que conecta a natureza e tecnologia a uma vasta gama de ciências (engenharia, medicina, biologia, design, etc), essas empresas estão oferecendo ao mercado uma nova forma de se relacionar com os clientes e, claro, com o meio ambiente.

O automático deu lugar ao inteligente. A ideia é impulsionar o desenvolvimento com soluções capazes de entender e responder ao meio ambiente como um organismo vivo faz. Por exemplo, um sistema simplesmente automático de irrigação de lavouras entra e sai de funcionamento de acordo com os padrões estabelecidos pelo agricultor. Por outro lado, um sistema inteligente de irrigação vai muito além. Ele não só atende aos comandos automáticos, mas também entende o ambiente à sua volta, atuando ativamente na tomada de decisão com base no sistema que o envolve. Dessa forma, é capaz de interromper o próprio funcionamento em dias chuvosos ou, ao contrário, intensificá-lo quando perceber a umidade da terra abaixo do normal.

Com isso, criam-se oportunidades não só mais eficientes em termos financeiros e produtivos, mas também com um real impacto positivo sobre o meio ambiente, e claro, sobre as populações que, direta ou indiretamente, vivem dele. No exemplo em questão, se apenas focarmos na economia de recursos hídricos os ganhos já seriam bastante expressivos.

Soluções inteligentes criam resultados escaláveis e sustentáveis

A Biomimética está diretamente ligada ao conceito de economia circular, ou seja, de que tudo começa e termina no mesmo ponto. Por esse raciocínio, uma simples etapa de um processo deve ser entendida como parte de um ecossistema econômico, ambiental e social em constante mudança, tal como a natureza.

A fluidez e a interdependência dessas etapas – que funcionam como agentes ao mesmo tempo passivos e ativos dentro dos processos – permitem impulsionar o uso inteligente das tecnologias que, inegavelmente, vão muito além de algoritmos fechados em si mesmos.

E ainda que isso pareça distante, a verdade é que muitas realidades já estão sendo impactadas por essa nova forma de construir e aplicar a inovação. Sistemas inteligentes de IoT são desenhados como organismos vivos, programados para reagirem e resistirem ao meio ambiente e, mais, capazes de transformá-lo.

As novas relações cooperativas passam, cada vez mais, a atender uma crescente demanda global por negócios ao mesmo tempo escaláveis e sustentáveis. A Biomimética surge para desafiar o tradicional pensamento de que progresso e natureza constituem uma trade-off. Ela prova que é possível, a partir da aparente simplicidade do “natural”, construir e modificar realidades complexas que impactam diretamente vidas humanas e o todo o ecossistema que as mantém.

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