McKinsey aponta olhar pragmático do mercado sobre tecnologia 5G

McKinsey aponta olhar pragmático do mercado sobre tecnologia 5G

Embora o assunto “5G” esteja entre as pautas mais comentadas dos últimos tempos, pouco se sabe o que as empresas de telecom pretendem fazer com essa tecnologia nos próximos anos.

Na busca por respostas, a McKinsey realizou uma pesquisa com 46 CTO’s diretamente envolvidos em projetos de 5G ao redor do mundo. Em linhas gerais, os executivos negaram tanto o extremismo positivo quanto negativo em relação ao avanço. Para eles, a tecnologia continuará sua consolidação até 2022 e elevará a relação (CAPEX/Preço de Venda), mas não em níveis tão alarmantes quanto os analistas mais pessimistas defendem.

A seguir, detalhamos os principais achados da pesquisa.

Novos modelos de negócios são esperados 

Até o momento, nenhum operadora foi clara ao afirmar se pretende ou não trabalhar com outros provedores no compartilhamento de rede ou se usarão a infraestrutura 5G de terceiros (própria ou compartilhada).

Para o mercado, entretanto, a questão parece estar bem definida. 93% dos entrevistados esperam pelo compartilhamento de rede, especialmente em locais onde não faz sentido ter várias delas. Além disso, 90% deles pretendem que “hosts neutros” de terceiros forneçam parte da rede a ser executada por vários operadores.

Veja em detalhes:

A pesquisa ainda mostrou que embora haja um forte consenso em relação ao potencial transformador da nova tecnologia, ainda são pequenas as aplicações práticas do 5G. E, em razão disso, são necessários mais investimentos que comprovem a compatibilidade financeira entre a nova rede e os padrões de negócios que podem surgir dela. Até lá, as operadores deverão caminhar de forma mais conservadora, até notarem de fato a consolidação de estratégias mais definidas no mercado.

Situação semelhante aconteceu no início dos anos 2000. Na época, a tecnologia 3G ainda era novidade e começou de forma tímida. Aos poucos, porém, conforme algumas empresas decidiram ampliar sua capacidade de uso com o lançamento de novos produtos e serviços, a tecnologia expandiu-se, atingindo os patamares já conhecidos.

5G é entendido como vantagem competitiva

Para 76% dos entrevistados, os investimentos na tecnologia 5G são vistos como uma maneira de garantir ou até mesmo reconquistar a liderança em seus segmentos de atuação. A tecnologia, nesse caso, funcionaria como estratégia de reposicionamento no mercado.

A experiência do consumidor surge em segundo lugar, mencionada por 54% dos executivos. Na sequência, é citada a capacidade de expansão, por 46% deles.

Curiosamente, a maioria dos operadores não vêem na IoT uma das principais razões para o fomento ao 5G. A McKinsey conclui, a partir do estudo e da experiência com o mercado, que isso se deve à demanda atual pelo uso da Internet das Coisas, ainda bem atendida pela estrutura de rede vigente.

Tecnologia 5G
Fonte: McKinsey

ROI esperado está diretamente ligado aos custos da nova rede

Os cases de negócios práticos e as estratégias bem desenhadas que envolvem as tecnologias 5G ainda não estão claros para a maioria dos executivos. Aproximadamente 66% sentem-se incertos quanto ao financiamento desses projetos e 60% enfrentam problemas na hora de transformar a tecnologia em negócios.

Essa realidade é diferente apenas na América do Norte, onde apenas 11% dos entrevistados afirmam enfrentar esse tipo de desafio. A Europa, por sua vez, aparece no outro extremo: 100% dos executivos que participaram da pesquisa afirmam estar diante de um aparente impasse entre o fomento a novos negócios e o uso da tecnologia 5G.

Dois terços dos entrevistados ainda acreditam que a evolução 5G trará custos adicionais aos negócios, tornando-os, inclusive, mais complexos. A relação entre despesas de capital e vendas deverá aumentar, isso em razão da densificação necessária em muitas das redes para alavancar as frequências mais altas, bem como das novas aquisições de espectro.

No mesmo sentido, espera-se que as despesas operacionais também cresçam, sobretudo para as indústrias. 60% esperam elevação nos custos dos locais onde estão instalados os ativos, 50% acreditam em manutenções mais caras e 40% preveem aumento nos custos de TI.

Em razão disso, praticamente todos os entrevistados acreditam que o compartilhamento de rede será mandatório, justamente por representar uma redução dos custos das operadoras, especialmente em áreas mais remotas, como as zonas rurais.

O mercado aposta nos “neutral hosts”

90% dos entrevistados esperam adotar novos modelos de negócios, como os “neutral hosts”. Entretanto, ainda não se sabe ao certo quem serão os terceiros envolvidos.

Os “neutral hosts” são vistos como peças-chaves, pois assumem importantes papéis que poderão viabilizar e expandir o novo padrão de rede. Eles funcionariam como um importante suporte financeiro às novas demandas esperadas com o 5G. Além disso, eles viabilizam operações, sobretudo em locais com alta demanda por conectividade e limitado espaço, o que impede que várias operadoras de redes móveis instalem, ao mesmo tempo, seus equipamentos.

Por fim, os “neutral hosts” elevam a experiência dos consumidores, especialmente em locais lotados, onde a transmissão de dados é muito recorrente. Nessas situações, a infraestrutura compartilhada garante a capacidade para atender o alto tráfego.

A tecnologia 5G ainda é vista de forma pragmática

O estudo da McKinsey deixa claro que, em geral, o mercado ainda tem um olhar bastante pragmático para a nova tecnologia 5G. Embora seja inegável o poder de transformação que a rede promete aos consumidores e às empresas, ainda inexiste uma construção sólida de estratégias que permita viabilizar financeiramente essa inovação.

Até que isso aconteça, as operadores esperam intensificar os testes, enquanto os demais players do mercado devem se debruçar em planejamentos mais sólidos. Ao que tudo indica, apenas a partir de 2022 a tecnologia 5G estará madura o suficiente para ser escalada nos mesmos padrões que suas versões anteriores.