Como criar uma cultura organizacional inspired by Nature?

Na Natureza é regra: quanto maior o número de indivíduos que cooperam para a manutenção do coletivo, maior a chance de sucesso. Exemplo clássico são os formigueiros que chegam a contar com milhões de indivíduos, todos trabalhando de forma organizada e sustentável em busca de objetivos comuns. Mas quando observamos as empresas muitas vezes a realidade experimentada é bastante diferente. E nesse sentido cabe perguntar por quê?

Estudos organizacionais indicam que a produtividade per capita dos colaboradores e a capacidade de aplicar a inovação no dia a dia diminuem à medida que uma empresa cresce. Por outro lado, os custos com o gerenciamento e a manutenção dos processos só aumentam. Assim, estruturas maiores tendem a investir mais e a obter resultados proporcionalmente menores, justamente o oposto do que qualquer gestor poderia almejar.

Esse paradoxo é explicado pelo fato de a maioria das empresas ainda se comportar de forma estática, presa a padrões e procedimentos, categorizações, descrições de cargos fixos, práticas estanques e administração em silos. E, isso, claro vai contra à concepção de que uma corporação é, antes de tudo, um organismo vivo, dinâmico e em constante interação com o ambiente (mercado).

Formigas: exemplo de simplicidade, coletivismo e resultados

A Biomimética (saiba mais do assunto) foi recentemente apontada pela Fortune como a tendência número 1 para os negócios. Nos últimos anos, as aplicações dessa ciência têm sido direcionadas sobretudo para a criação de novos materiais, tecnologias e produtos, bem como para o desenvolvimento de sistemas computacionais, sensores e serviços.

Mais recentemente, verificou-se que a Biomimética também poderia servir de inspiração para remodelar padrões de gerenciamento institucional o que envolve, claro, as relações entre os colaboradores e desses com os cargos hierarquicamente superiores. Mais do que isso, ela ajudou a construir um novo entendimento sobre o modo como as empresas interagem com o mercado que, pouco a pouco, deixou de ser apenas uma fonte de números e estatísticas complexas para se transformar em um potente impulsionador de mudanças fundamentais à garantia da sobrevivência.

Cultura Organizacional inspired by Nature

Na Natureza, muitas das espécies que vivem em sociedade fazem bom uso daquilo que parece ser o maior desafio das empresas do século XXI: a simplicidade. Voltando às formigas, elas são um clássico exemplo de sucesso evolutivo alcançado a partir de rotinas e práticas curiosamente simples. Através de um mecanismo de comunicação periferia-centro, elas conseguem tomar decisões quase em tempo real com elevada assertividade. E note que para isso não são necessárias reuniões, fluxogramas estáticos, metas, incentivos anuais, nem qualquer outro tipo de prática amplamente difundida por nós, seres humanos, mundo à fora. O segredo está na comunicação descentralizada, não hierárquica e, sobretudo, no sentimento de coletivismo, esse último certamente ainda muito enfraquecido dentro das empresas.

Esse coletivismo normalmente é mais evidente em companhias enxutas, em que quase todos os colaboradores, gerentes e diretores conseguem manter proximidade no dia a dia de trabalho. Mas conforme a estrutura organizacional aumenta, surge a necessidade de subcategorizar quase tudo — de pessoas a departamentos, de processos a sistemas — com vistas a ampliar o controle, melhorar o gerenciamento e identificar falhas com mais agilidade.

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O grande problema é que ao reduzir a importância das partes, acaba-se por diminuir a importância do todo. Os colaboradores deixam de se ver como protagonistas e voltam-se apenas às atividades específicas de sua função, sem se importar com as demandas que o organismo maior apresenta. As metas tornam-se limitadas — e muitas vezes conflitivas —, os gestores passam a brigar por orçamento departamental, sem entender que em uma empresa existe (ou deveria existir) apenas um único grande orçamento e que de nada adianta tirar de um lado para colocar no outro se isso não for feito de forma articulada, visando um objetivo comum.

Todo esse cenário vai na contramão do que a Biologia e seus milhões de anos de evolução têm nos ensinado. As espécies e sociedades que mais evoluíram são justamente aquelas que conseguiram diminuir necessidades individuais em prol do coletivo: afinal se o todo deixar de existir de nada adiantam as aspirações particulares. Com as empresas (deveria acontecer) o mesmo: de que adianta uma equipe ou um departamento eficiente se a máquina como um todo está prestes a ruir?

Objetivo claro: a chave para uma cultura organizacional inspired by Nature

O que diferencia uma formiga-rainha das outras é a sua capacidade de reunir a diversidade genética em si mesma sem a qual todo o formigueiro morreria em pouco tempo. E é justamente aí que as empresas de maior sucesso têm se inspirado para repensar sua cultura organizacional.

Sociedades diversas costumam gerar mais ideias e, por consequência, inovar mais. Mas quando falamos de uma empresa, com espaço e recursos limitados, é importante que essa diversidade trabalhe em prol de um objetivo único — caso contrário os esforços tornam-se pouco eficazes.

Como dito anteriormente, a maioria das corporações não consegue crescer ao mesmo tempo em que mantém a eficiência e motivação dos colaboradores. A razão para isso certamente está na falta de um objetivo comum e bastante claro, capaz de impulsionar um verdadeiro sentimento de coletividade. Isso não significa dizer que as empresas não tenham bem definido aonde pretendem chegar, mas sim a inabilidade de passarem essa mensagem de forma empática e precisa. Como consequência, as pessoas não criam compromisso com o todo, não dividem propósitos e, por consequência, não movimentam a estrutura no ritmo que poderiam.

Aprofunde-se no tema:

Um outro grande exercício a ser desempenhado pelos líderes é tirar a mudança do âmbito do discurso e colocá-la em prática. Inovar não pode mais ser visto como algo necessário, mas sobretudo como algo almejado. E é importante destacar que entre essas duas palavras existe um imponente abismo conceitual, que pode representar a sobrevivência ou a falência de muitas iniciativas futuras.

Se a Biomimética tem sido uma promissora ferramenta para alavancar a inovação tecnológica, por que não utilizá-la para repensar os processos que envolvem a interação entre pessoas? Desde a origem, todas as espécies tem interagido com vistas a perpetuar o sucesso. Antes, porém, é importante deixar claro os objetivos comuns capazes de impulsionar cada indivíduo a lutar pela sobrevivência do todo.