O que faz um Sistema de Gestão de Performance ser eficiente?

Segundo a McKinsey, um Sistema de Gestão de Performance eficiente é composto por cinco elementos:

  • Dados
  • Fontes confiáveis
  • Pessoas capacitadas
  • Tempo e espaço adequados
  • Tomada de decisão efetiva

Ao seguir esses elementos, os processos industriais criam padrões de fluxo de trabalho fundamentais para garantir o ritmo das operações. Primeiro, coletam-se dados a partir de diferentes sensores espalhados ao longo de toda a cadeia produtiva. Depois, esses dados transformam-se em informações, após serem analisados com a ajuda de softwares inteligentes. Na sequência, são gerados insights que levam à tomada de decisão por parte do(s) gestor(es) responsável(eis) até que, enfim, um comando seja acionado. Com isso, fecha-se o primeiro ciclo desse fluxo para iniciar o segundo e, assim, sucessivamente.

Sistemas de Gestão de Performance que atuam sobre máquinas e processos garantem às manufaturas mais agilidade para identificar problemas (antes mesmo que aconteçam) e permitem que ajustes sejam feitos em tempo real, sem a necessidade de interromper nenhuma atividade. Além disso, ao analisar a performance através de uma série de indicadores coletados por esses sistemas, o gestor responsável pode implementar rotinas ainda mais eficientes de trabalho que reduzem custos e aumentam a produtividade da fábrica.

Sistemas Digitais agregam mais valor à tomada de decisão

Os cinco elementos inicialmente apontados nem sempre são alcançados com facilidade, especialmente em setores ainda tradicionalmente pouco impactados pela transformação digital. Neles ainda é muito forte a cultura analógica, de tal modo que a extração de dados é certamente mais demorada e menos abrangente quando comparada aos cenários digitais.

Manufaturas com baixa automação dispendem muito tempo e esforço para alcançar dados básicos de um processo que, em conjunto, não são suficientes para gerar insights tão aprofundados quanto aqueles obtidos digitalmente.

Abaixo, é possível comparar o gerenciamento de performance de cada um desses elementos, no cenário tradicional e na realidade digital:

Sistema de Gestão de Performance

Fonte: McKinsey

Hoje, graças aos avanços no processamento de dados, redes de hardware de última geração, sensores com tecnologia de IoT e infraestrutura de TI, qualquer empresa (independente do porte e do segmento de atuação) é capaz de implementar um Sistema de Gestão de Performance plenamente digital.

Mais do que isso, esses sistemas podem ser desenhados de modo 100% customizado, atendendo com elevada especificidade às mais diferentes requisições que as indústrias podem demandar. A tecnologia garantiu que, de forma simples e financeiramente sustentável, a transformação digital chegasse ao ambiente fabril, escalando resultados em curto intervalo de tempo.

Como resultado, os processos automatizados puderam alcançar um padrão de funcionamento altamente eficiente, calibrado por instruções codificadas que são testadas, melhoradas e implementadas de forma contínua e autônoma. Além disso, foi possível refinar trilhas de auditoria (um ganho para a segurança) e implementar uma rotina de progresso contínuo à toda cadeia produtiva.

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Mas é claro que todos esses benefícios não são percebidos de forma imediata. Dados da Mckinsey indicam que são necessários entre 1 e 2 anos para que um Sistema de Gestão de Performance seja efetivamente incorporado à cultura da empresa, e cerca de 3 a 5 anos para que ele esteja plenamente integrado a outros sistemas que gerenciam o negócio como um todo.

Isso tudo, claro, a depender do grau de envolvimento da alta liderança e sua disposição em transformar digitalmente a empresa, tanto de forma top-down quanto bottom-up.

Pessoas não devem ser postas à parte da inovação

É sempre necessário destacar a inquestionável importância das pessoas no processo de transformação digital. Em geral, as empresas costumam direcionar grandes esforços sobretudo para a inovação e para os investimentos em tecnologia, deixando em segundo plano a gestão e capacitação da mão-de-obra, de forma estruturada e sistemática.

Muitas vezes, mesmo diante da implementação em larga escala de soluções tecnológicas, algumas empresas não conseguem atingir as melhorias em produtividade, custos, qualidade e eficiência que tanto almejaram. E, mais uma vez, o problema não está com a inovação propriamente dita, mas com a dificuldade em integrar as pessoas nessa guinada digital.

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Pesquisas globais sugerem que em torno de 60% dos atuais trabalhos em manufaturas já poderiam ser plenamente automatizados, sem a necessidade de força humana. Mas, ao que tudo indica, isso não deve virar realidade nas próximas décadas, até mesmo naqueles setores mais avançados em inovação.

Isso porque o trabalho humano, mesmo que reformatado, sempre será necessário para gerir e adaptar a inovação de acordo com os diferentes cenários que se moldam e, claro, para continuar inovando. Além disso, se por um lado o desenvolvimento tecnológico extingue algumas carreiras, por outro é ele o grande gerador de empregos da atualidade (e, ao que tudo indica, continuará sendo). Haja visto o elevado número de vagas direcionadas a desenvolvedores, em todo o mundo.

A Indústria 4.0 de hoje nunca necessitou de tantos investimentos em capacitação de mão-de-obra, cujas habilidades técnicas, analíticas e de gerenciamento são e serão, cada vez mais, imprescindíveis para um ambiente de alta complexidade tecnológica.

Nesse cenário, a maior dificuldade reside na formação de profissionais que sejam capazes de, ao mesmo tempo, incorporar o novo sem “desaprender” as habilidades tradicionais que o chão de fábrica requer. Essa verdadeira simbiose entre a parte útil e necessária do analógico e a inovação do digital é o que criará uma geração de pessoas preparadas para fomentar negócios saudáveis e ainda mais competitivos.

Desse modo, Sistemas de Gestão de Performance realmente eficientes são aqueles que conseguem tirar máximo proveito do avanço tecnológico —  a partir da extração e análise de dados —  integrando-o a uma boa gestão de pessoas capacitadas cujos insights e consequente tomada de decisão são o que, de fato, movimentam a roda da Indústria 4.0.