PwC revela hábitos de sucesso para gerenciar riscos na transformação digital

A PwC publicou recentemente um estudo (leia na íntegra) revelando seis comportamentos que podem ajudar a Transformação Digital dentro das empresas, no que se refere especificamente às chamadas funções de risco. Elas são fundamentais em uma realidade corporativa composta por um número crescente de dados, mais automação, ataques cibernéticos ultrapotentes e uma jornada de consumo integrada e bastante exigente.

Embora seja imprescindível para garantir o sucesso futuro das empresas, a transformação digital está cada vez mais complexa e desafiadora, de tal modo que os altos executivos precisam se sentir seguros de que todos os riscos envolvidos estão sendo eficientemente mapeados e geridos.

Com vistas nesse assunto, a PwC criou três agrupamentos de empresas, conforme a capacidade atual de gerenciar riscos na escalada da jornada digital. O primeiro, chamado de dinâmico, representa aquelas de maior sucesso e capacidade de mapear e se antecipar a problemas e ameaças vindas da digitalização. O segundo, denominado ativos, compõe as empresas que, embora não estejam maduras nessa tarefa, já tomam providências para se tornarem “dinâmicas”. Por fim, o terceiro grupo, os iniciantes, não está plenamente engajado com esse tipo de mudança e ainda assume uma posição não muito bem planejada para viabilizar a transformação digital e mitigar os riscos inerentes a ela.

No estudo, a consultoria entrevistou 2.000 pessoas, entre CEO’s, membros de conselho, executivos seniores, profissionais de compliance e auditoria. Um quarto deles considerou-se “dinâmico”, ou seja, reconhecidos por reformularem suas próprias funções e se capacitarem continuamente com foco em dados, sempre buscando insights em tempo real e agindo em conjunto com parceiros que demonstram a mesma visão a respeito do que é risco.

Essa categoria de profissionais consegue operar suas atividades de modo bastante seguro, apoiando-se na digitalização para tomar decisões reais, práticas e objetivas.

Riscos transformação digital
Fonte: PwC

No entanto, essa realidade ainda não é predominante entre a alta liderança corporativa. Dados da 22ª Pesquisa Anual Global de CEO’s, também da PwC, apontam que apenas 22% dos executivos-chefes sentem-se confortáveis em tomar decisões com base nos dados de risco que recebem, um número que, infelizmente, mantém-se constante (e baixo) há pelo menos 10 anos.

Seis hábitos de sucesso para gerenciar riscos na jornada digital

A transformação digital para operar riscos é tão valiosa, sobretudo por conseguir unir dados que, tradicionalmente, sempre mantiveram-se isolados. As correlações em alta velocidade que ela é capaz de trazer à mesa de decisões está gerando uma nova maneira de fazer negócios, hoje muito mais preditivos, responsivos e dinâmicos.

Segundo a classificação da PwC, o grupo dos dinâmicos consegue uma progressão mais rápida nessa jornada digital, além de projetar retornos maiores dos investimentos digitais, esperar uma jornada de consumo mais atrativa aos clientes e tomar decisões de forma mais assertiva.

Para tanto, os dinâmicos costumam adotar seis hábitos, os quais seguem detalhados a seguir:

Planejamento embrionário

As estratégias digitais de sucesso são aquelas cuja jornada está bem desenhada, com metas precisas e resultados claros, sempre alinhados com o cenário macro da organização. Ela abrange desde as fases mais iniciais de protótipos e design de produtos e serviços até a fase final de escalabilidade dos resultados.

Além disso, o planejamento digital de sucesso é também aquele que consegue estipular embrionariamente todo o padrão de governança a ser seguido, atribuindo a pessoas e setores específicos as devidas responsabilidades e funções que serão desempenhadas.

No que se refere especificamente às funções de gerenciamento de risco, caso estejam alinhadas às estratégias digitais da empresa, elas podem assumir uma postura preditiva, fundamental para garantir a estabilidade e eficiência dos processos. Entretanto, a pesquisa da PwC mostrou que essa não é a realidade mais comum vivenciada pelo mercado. Apenas 53% dos entrevistados gerencia riscos cibernéticos e de proteção de dados desde as fases iniciais dos projetos digitais.

Mesmo assim, o estudo evidenciou uma realidade certa: quando as funções de risco são envolvidas precocemente na estratégia digital, inovar com segurança é tarefa claramente possível.

Upskilling

A transformação digital traz novos riscos e, como era de se esperar, impõe ao mercado uma demanda por profissionais cujas habilidades sejam específicas e preparadas para esse ineditismo. Desenvolver modelos analíticos, programar processos robóticos e entender como são feitas as codificações são hoje apenas alguns exemplos de tarefas fundamentais para lidar com o padrão digital.

Além disso, é preciso que as empresas expandam a cultura de dados para áreas até então pouco impactadas pelas novas tecnologias. Isso porque o cenário digital impõe a integração holística de todos os processos, até mesmo aqueles mais simples, de tal modo que os gestores e seus liderados deverão estar habituados a um novo modo de desempenhar suas atividades e até mesmo a assumir outras responsabilidades menos mecânicas e mais analíticas.

Por fim, urge intensificar os treinamentos aos profissionais que lidam com a Inteligência Artificial (IA), não importando se estejam diretamente ligados às questões mais técnicas da tecnologia ou às tarefas gerais de gerenciamento de dados e tomada de decisão. Todos, de alguma forma, são (ou serão) impactados pela jornada digital.

Aplicação de novas tecnologias

Não é novidade que a automação eleva a produtividade e permite direcionar os colaboradores para tarefas mais complexas e menos repetitivas.

Atualmente, ao menos um terço do grupo classificado como dinâmico pela PwC utiliza novas tecnologias para incrementar e transformar seus processos, seja através de Internet das Coisas (IoT) com o objetivo de avaliar e responder a riscos em processos críticos, seja aplicando IA em testes, monitoramento e processamento de dados.

Transformação Digital Riscos
Fonte: PwC

No que tange ao gerenciamento de riscos, muitas empresas estão automatizando suas rotinas de auditoria com a ajuda de softwares inteligentes e IA. Desse modo, elevou-se o padrão de segurança dos processos, sobretudo aqueles ligados à proteção de dados, um dos temas mais importantes atualmente quando falamos em transformação digital.

Atuação em tempo real

Líderes investidos em iniciativas digitais buscam mais insights em tempo real para informar decisões. Eles almejam um novo padrão de gerenciamento, com base em avaliações objetivas, extremamente seguras e sempre atualizadas, as quais reduzem os riscos críticos a praticamente zero.

Com insights em tempo real, as operações passaram a contar com ciclos de correção muito mais curtos e com um constante estado de evolução que impacta diretamente a qualidade e a segurança dos serviços prestados. Os riscos podem ser categorizados com mais precisão, importante para estruturar uma linha de reparação de danos altamente eficiente.

Isso tudo, em conjunto, eleva a percepção da empresa por parte dos clientes, que ficam mais seguros e confortáveis em manterem uma relação comercial de longo prazo.

Engajamento de tomadores de decisão

A PwC evidenciou que o sucesso na gestão de riscos digitais está intrinsecamente ligado ao grau de comunicação e engajamento entre as equipes de gestão de risco e as digitais e dessas com os executivos C-level.

Cada vez mais, é fundamental simplificar a informação para otimizar o trabalho dos tomadores de decisão, categorizando-a da melhor maneira e tornando-a o mais visualmente atrativa. Percepções visuais, segundo o estudo, aceleram o entendimento, estimulam debates e, assim, movimentam as rotinas gerenciais e diretivas com muito mais agilidade.

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Além disso, especificamente no que se refere aos dados de riscos digitais, a PwC recomenda definir, ainda na fase de planejamento, os KRIs (KPIS para riscos). Esses indicadores ajudam a padronizar linguagens, em todos os níveis corporativos, de tal modo que as métricas mantenham-se constantes e consistentes.

Segundo a pesquisa, apenas 27% dos entrevistados estão confortáveis com seu grau de assimilação, no que se refere às métricas de gerenciamento de riscos cibernéticos e de privacidade de dados nos relatórios de conselho.

Colaboração

Ao trabalhar a partir de uma fonte única de dados, em uma plataforma comum e com tecnologias unificadas, as funções de gerenciamento de risco certamente trarão à liderança uma visão ampla e consolidada.

Um dinâmica de trabalho colaborativa e agregada evita visões distorcidas dentro da empresa e garante que a objetividade das decisões caminhe linearmente por todas as instâncias de decisão.