A empresa ideal

Por Leonardo Müller

Semana passada, escrevi sobre a aplicação dos conceitos de Agile e Lean além das fronteiras de desenvolvimento de software. Cheguei à conclusão de que tinha mais para falar sobre o assunto e, então, terminei o artigo prometendo uma retomada hoje. Entretanto, senti a necessidade de dar uns passos pra trás e olhar o funcionamento do sistema como um todo, antes de falar sobre Agile e Lean dentro de cada área. Serei breve.

Antigamente, as empresas eram vistas como departamentos, cada um no seu quadrado fazendo seu trabalho. A forma de representá-la era esta aí de baixo:

empresa ideal

As setas mostram que cada departamento está dentro de sua caixinha e todo seu trabalho começa e se encerra nele mesmo. O outro departamento pega um pacote e tem que dar continuidade, muitas vezes sem saber do que se trata o pacote.

Aos poucos, porém, fomos percebendo que existia vida nos departamentos próximos e começamos a implementar rituais de passagem. O departamento anterior passou a apresentar o pacote para o próximo departamento. Às vezes, era um repasse mais estruturado; outras, apenas para tirar o peso da consciência mesmo. O trabalho continuava restrito ao departamento de direito, porém era repassado formalmente para o próximo quando encerrado.

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Várias tentativas foram — e são feitas — tentando colocar uma visão mais processual nas empresas, organizando-as por grupos de atividades que atravessam todas estas áreas e recebem um pouco de trabalho de cada uma. Vi, repetidas vezes, estas tentativas fracassarem por motivos diversos, geralmente ligados a engessamento de atividades, egos e mexidas em queijos alheios.

Minha proposta aqui é muito parecida com a visão voltada a processos, porém sem as caixinhas indicando quais atividades devem ser feitas em quais sequências.

A: Muito envolvimento e esforço
B: Pouco envolvimento e esforço
O processo acima desenhado é pensando em uma empresa de desenvolvimento de software. Já gerenciei todas essas 4 áreas, então conheço bem os processos de cada uma delas. Também sei o quanto é importante o envolvimento em cada fase para não termos surpresas mais adiante e, por isso, a sugestão aqui é o envolvimento em maior ou menor grau de todas as áreas em diferentes fases do processo, sendo que:
  • 1. Cada área vai ter seu momento de alto grau de esforço e envolvimento nos processos nas quais ela será líder;
  • 2. Cada área terá seu envolvimento em cada fase do processo para poder contribuir no andamento dos trabalhos de modo que as entregas cheguem de forma redonda onde têm que chegar.

Para o modelo funcionar é necessário que todas as lideranças adotem uma atitude de cooperação e estejam abertas a mudanças. Esse tipo de atitude — assim como as atitudes ruins — acabam transbordando para os liderados e faz com que eles as adotem também. Estando as barreiras interdepartamentais quebradas, nós podemos pensar em adotar o Agile e o Lean de forma estratégica na empresa.

Antes disso, ainda vou me aprofundar um pouco mais nesse modelo de organização colaborativa. Até lá!