Fórum de Davos de Verão: 5 razões para adiantar a Transformação Digital

Quase dois mil políticos, empresários, acadêmicos e representantes da mídia provenientes de 100 países reuniram-se em Dalian, na Província de Liaoning, nordeste da China, para o Fórum de Davos de Verão. Também conhecido como a 13ª Reunião Anual dos Novos Campeões, o encontro deste ano teve como tema “Liderança 4.0: Ter Sucesso em uma Nova Era de Globalização”

De acordo com uma pesquisa do Manufacturing Institute e da PwC, apenas cerca de metade das manufaturas está nos estágios iniciais da chamada Smart Factory e 20% “desejam adotar” o digital, embora relatem dificuldades. Muitas empresas ainda se posicionam como meras “observadoras” nessa jornada e continuam à espera para, de fato, iniciarem sua transição digital de forma escalável e efetiva.

Com base nesse panorama, o Fórum de Verão de Davos 2019 apresentou cinco principais razões pelas quais os líderes das manufaturas devem começar a implementar suas estratégias digitais o mais cedo possível:

1. Fábricas voltarão para casa


Quando as fábricas se mudaram para países em desenvolvimento, a ideia era reduzir, sobretudo, o custo da mão-de-obra. Mas ao longo do tempo, essa redução tem se mostrado cada vez menos representativa. Justin Rose e Martin Reeves, do Boston Consulting Group, corroboraram essa tendência em uma uma publicação da Harvard Business Review: “Em 2004, o custo de produção na costa leste da China foi aproximadamente 15 pontos percentuais mais barato, em média, do que nos Estados Unidos. Em 2016, essa diferença caiu para cerca de 1 ponto percentual ”.

Outra razão pela qual as fábricas permaneceram no exterior deve-se ao fato de que, à medida que os produtos se tornaram mais complexos, cadeias de fornecimento igualmente complexas se desenvolveram em torno dessas fábricas e mudá-las seria bastante custoso. Mas com as novas tecnologias, como a impressão 3D, uma outra realidade se impôs ao mercado. Muitas fábricas já estão livres para voltar para casa e estão menos limitadas às antigas cadeias de suprimento.

Como consequência, as manufaturas modernas devem estar preparadas para expandir as operações nos mercados domésticos. A visão detalhada do processo de como os produtos são fabricados no exterior deve ser minuciosamente estudada e os engenheiros industriais devem considerar como serão esses processos nas fábricas a serem repatriadas. Igualmente importante, a volta das manufaturas oferece uma enorme oportunidade para repensar a infraestrutura de tecnologia, incluindo sistemas de TI e OT.

2. Fábricas encolherão

As discussões no Fórum de Davos de Verão 2019 também concluíram que as fábricas tendem a diminuir sua estrutura no futuro. Farão parte de cadeias de suprimentos regionais e, com isso, serão capazes de atender as demandas numa fração de espaço muito menor. As manufaturas ficarão cada vez mais próximas dos centros urbanos e, por consequência, o custo imobiliário nas periferias e áreas mais afastadas tende a diminuir com o tempo.

Como consequência, será necessário visualizar como transportar as atuais operações focadas em grandes indústrias para realidades muito mais enxutas e tecnológicas, além de redefinir prioridades e linhas de trabalho. Isso, claro, requer testes e protótipos com antecedência, para que sejam ajustados todos os detalhes antes dessa nova formatação iniciar as tarefas.

3. SKU explosion

Não é surpresa que os consumidores exijam opções de escolha cada vez mais personalizadas. Os produtos tendem a diminuir de tamanho e a atender demandas de residências com um ou dois moradores (visto que as pessoas têm menos filhos). A chamada explosão de SKU será responsável por uma variação ainda maior de novos produtos e tecnologias que permitirão ao fabricante se relacionar diretamente com o usuário final, oferecendo-lhe um elevado grau de customização. Entretanto, para controlar os custos operacionais que isso implica, as manufaturas deverão não apenas crescer em flexibilidade, mas também em eficiência.

Como consequência, é importante que, desde já, as empresas mapeiem quais produtos serão personalizáveis e qual será a extensão dessas variações. Isso significa um contato ainda mais direto com os consumidores, entendendo suas “micro-necessidades”. Além disso, o mapeamento deve considerar quais tecnologias serão imprescindíveis para atender esse novo padrão de demanda individualizada e quais máquinas e operações precisam ser revistos.

4. A escassez de mão-de-obra experiente deve crescer

Uma fábrica menor, infinitamente flexível, será significativamente mais automatizada e exigirá trabalhadores com um conjunto de habilidades muito diferente do que a maioria das fábricas tem agora. As atividades do futuro serão cada vez mais específicas e exigirão formação contínua de alto nível. Em um estudo de 2018, a Deloitte e o Manufacturing Institute previram que cerca de 2,4 milhões de posições permanecerão vazias entre 2018 e 2028, com um impacto econômico negativo de US $ 2,5 trilhões.

Como consequência, os salários deverão crescer com o tempo para atrair profissionais de outras áreas que estejam dispostos a se reciclarem e iniciarem um novo tipo de atividade. Além disso, mais do que nunca, é fundamental que as empresas olhem para dentro e mapeiem os talentos que precisam ser impulsionados e desenvolvidos para atenderem as novas demandas.

5. Os trabalhadores precisarão estar mais conectados

Na fábrica do futuro, cada trabalhador comandará um pequeno exército de máquinas. Eles precisarão se comunicar com elas e uns com os outros em tempo real. A precisão das operações e das linhas de operação devem ficar cada vez mais cirúrgicas e, por consequência, demandarão investimentos ainda mais importantes.

Como consequência, um plano operacional claro, instruções e um ciclo de feedback em tempo real entre o chão de fábrica e os gerentes precisam estar disponíveis para todos os funcionários sem interrupções. Atualmente, isso significa aproveitar as tecnologias nas quais os funcionários podem acessar as informações, o conhecimento e os insights de que precisam para realizar suas tarefas da maneira mais eficiente possível.

O texto toma como referência dados publicados pelo World Economic Forum