Como a IoT está mudando a indústria de petróleo e gás?

A indústria de petróleo e gás tem enfrentado importantes desafios nos últimos anos. A queda do preço do barril provocada por mudanças nos padrões de demanda, a maior complexidade para explorar novos campos e o crescimento exponencial do volume de dados envolvido nas atividades impulsionaram uma mudança no olhar estratégico e operacional do setor.

Nesse redesenho, as soluções digitais tornaram-se fundamentais para aumentar a competitividade das empresas, sem perder de vista a segurança dos trabalhadores envolvidos nas operações, o maior cuidado para mapear, evitar e combater danos ambientais e ainda criar novos modelos de negócios que atendam a constante flutuação de demanda e preços.

IoT: peça-chave para a indústria de petróleo e gás

A Research and Markets defende que a Internet das Coisas (IoT) é uma das mais potentes aliadas do setor de petróleo e gás. Ao integrar softwares robustos para análise de dados a dispositivos equipados com sensores, a IoT é capaz de gerar um novo horizonte de insights que, em tempo real, permitem automatizar processos, antes manuais, supervisionar à distância diferentes etapas da linha de produção e, claro, elevar a segurança do setor, desde a extração até a distribuição. Não à toa, o mercado global de Internet das Coisas voltado à indústria de petróleo e gás promete mobilizar, até 2023, mais de 39,4 bilhões de dólares.

Entre as principais demandas que podem ser atendidas por essa tecnologia estão a manutenção preventiva, que evita paralisações inesperadas, o monitoramento das instalações, sobretudo em regiões de difícil acesso, e a segurança dos processos, resguardando os trabalhadores de riscos e exposições inerentes à atividade.

Ainda, a IoT garante o gerenciamento das frotas e dos demais ativos envolvidos em toda a cadeia produtiva, o monitoramento das tubulações, o mapeamento de zonas mais suscetíveis a danos ambientais e o alerta e correção imediatos de intercorrências das mais diversas naturezas que porventura ocorram.

1. Monitoramento remoto e rastreamento

Números da Research and Markets apontam que, por ano, o setor de petróleo e gás perde até 8 bilhões de dólares em tempo não produtivo, já que os engenheiros passam ao menos 70% de seu tempo procurando dados e trabalhando em sua manipulação.

Com a conexão em rede de vários sistemas e o envio programado de informações a partir de um número ilimitado de dispositivos, é possível extrair e processar dados em tempo real que serão base para a tomada de decisão automática e inteligente das plataformas de IoT conectadas às operações.

Elas são capazes de otimizar o tempo de trabalho dos profissionais técnicos e auxiliá-los no gerenciamento de crises, especialmente diante do mau funcionamento de equipamentos ou de qualquer tipo de problema que necessite de reparação quase imediata.

Esse aumento de eficiência operacional não apenas é importante para aumentar a segurança dos processos, mas também diminui custos que, ainda no curto prazo, são fundamentais para elevar a competitividade das empresas.

2. Verificação de equipamentos e manutenção preventiva

Todos os anos, vultosos investimentos são direcionados à aquisição de ativos altamente específicos para suprir as necessidades operacionais da indústria de petróleo e gás. Muitas vezes, a compra de equipamentos novos deve-se a erros progressivos de manutenção que acabam sobrecarregando seu funcionamento e diminuindo a performance.

Uma simples falha em uma bomba de extração, por exemplo, pode custar até 300 mil dólares por dia. Já as pausas não programadas das refinarias por motivos técnicos chegam a comprometer 20 bilhões de dólares da indústria todos os anos, algo estimado em 5% do custo de produção.

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Esse expressivo comprometimento de receita, entretanto, tem sido aliviado pela manutenção preventiva propiciada pela IoT. A análise inteligente de dados e o rastreamento em tempo real das falhas operacionais são um dos grandes benefícios reportados pelas empresas do setor após redesenharem o esquema de manutenção de seus ativos.

As plataformas de IoT são programadas para enviar alertas sempre que um equipamento esteja com necessidade de manutenção. Essa programação toma como base o cruzamento de uma série de dados históricos que, cruzados de forma inteligente, permitem prever falhas antes mesmo que aconteçam. Com isso, evitam-se paradas repentinas e extremamente custosas.

Os sinais de alerta, customizáveis para cada etapa da linha produtiva, melhoram a eficiência dos equipamentos que passam a contar com um tempo de vida útil maior. Desse modo, diminuem-se os investimentos necessários para novas aquisições.

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3. Ambiente Sustentável

Acidentes ambientais, como explosões das plataformas de petróleo e vazamentos de resíduos nos oceanos, podem ser evitados, ou ao menos rastreados com máxima celeridade, através das tecnologias de IoT. Ao identificar danos ambientais com mais agilidade e programar respostas automáticas durante as crises, controla-se com muito mais eficiência o impacto negativo sobre o meio ambiente.

A segurança proporcionada pelas tecnologias digitais não apenas resguarda os recursos naturais e as comunidades próximas às zonas de exploração, mas também os trabalhadores envolvidos nas atividades de exploração. E isso, em termos financeiros, representa um enorme volume de dinheiro salvo pelas companhias que seria direcionado para reparar os danos ambientais e para as indenizações trabalhistas.

O que esperar da IoT no setor de petróleo e gás por região do globo?

A Research and Markets aponta que, em termos tecnológicos, as indústrias de petróleo e gás da América do Norte estão na vanguarda em comparação a outras regiões do planeta. Em 2017 e 2018, foi especialmente nos Estados Unidos e no México onde ocorreram os principais investimentos em Internet das Coisas.

O mercado europeu, por sua vez, que já aplica essas tecnologias de forma bastante sólida há anos, espera contar com ainda mais investimentos em IoT, sobretudo nos países da Europa Central. A região é marcada pelo apoio positivo dos governos a esse tipo de inovação que, em parceria com a iniciativa privada, busca atender uma nova dinâmica de mercado imposta nos últimos anos.

Mas é na Ásia, sobretudo na linha do Pacífico, que se espera o crescimento mais acelerado da Internet das Coisas, nos próximos anos. O mercado asiático para a indústria de petróleo e gás está bastante aquecido, especialmente pelo desenvolvimento de economias importantes da região, como Cingapura, Índia e Malásia.

Esses locais, sem deixar de lado a grande China, são vistos como pólos estratégicos para investimentos em IoT, sobretudo devido ao amadurecimento de um gigantesco mercado consumidor que elevará o consumo de energia a padrões jamais vistos.

A V2COM já está conectada à toda cadeia produtiva:
upstream, midstream, downstream.