Smart Cities: um mercado de 330 bilhões de dólares em prol da sustentabilidade

De acordo com recente relatório da Zion Market Research, o mercado de Internet das Coisas (IoT) para Smart Cities foi avaliado em cerca de 79,3 bilhões de dólares, em 2018, e espera-se que atinja aproximadamente 330,1 bilhões de dólares, em 2025, com Taxa de Crescimento Anual Composta superior a 22,6%, entre 2019 e 2025.

Fonte: KPMG

As áreas urbanas abrigam hoje mais da metade da população mundial. E até 2050, as cidades contarão com mais 2.5 bilhões de novos residentes, conforme projeções da McKinsey.

       Fonte: UNPD

Toda essa movimentação pressupõe maior atenção às questões ambientais, bem como o desenvolvimento de novas infraestruturas que possibilitem acolher um gigantesco número de pessoas de forma sustentável e eficiente. E a Internet das Coisas (IoT) é uma das principais aliadas tecnológicas para viabilizar as Smart Cities.

Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID):

“Uma Cidade Inteligente é aquela que coloca as pessoas no centro do desenvolvimento, incorpora tecnologias da informação e comunicação na gestão urbana e utiliza esses elementos como ferramentas que estimulam a formação de um governo eficiente, que engloba o planejamento colaborativo e a participação cidadã. Smart Cities favorecem o desenvolvimento integrado e sustentável tornando-se mais inovadoras, competitivas, atrativas e resilientes, melhorando vidas.”

Como se nota, o conceito de Cidade Inteligente está diretamente relacionado às iniciativas que priorizam garantir (e aumentar) a qualidade de vida das pessoas. Ao menos 7 aspectos dos espaços urbanos estão diretamente relacionados ao bem-estar populacional:

  • Segurança
  • Tempo
  • Custo de Vida
  • Saúde
  • Meio Ambiente
  • Conectividade
  • Mercado de Trabalho

A Internet das Coisas atua diretamente sobre todas essas “grandes áreas”, criando novas maneiras para as pessoas se relacionarem entre si e com o ambiente urbano. Ela é capaz de organizar a dinâmica socioambiental, evitando que o boom populacional se transforme numa completa desordem.

Para tanto, a IoT se apóia em um ciclo processual que, de forma simplificada, pode ser descrito em quatro grandes etapas: a Coleta de Dados, a Transmissão de Dados, a Análise de Dados e, por fim, a Tomada de Decisão Automatizada.

Cada vez que esse ciclo é fechado, ele se torna ainda mais inteligente, propondo correções preditivas e melhorias para o ciclo subsequente. Isso tudo, claro, de forma ininterrupta, 24/7. Por sinal, é esse o grande aspecto que diferencia soluções simplesmente digitais de soluções inteligentes.

Smart Cities: descarbonização das redes de energia

Existe um consenso na comunidade internacional de que as metas do Acordo Climático de Paris (2015) jamais serão alcançadas sem que ações sejam tomadas no âmbito das cidades. Como visto, é nelas que está a maioria da população global e, por consequência, onde se concentram enormes quantidades de resíduos, emissões de gases poluentes, desperdício de água e eletricidade.

Na luta para diminuir a pegada ambiental das Smart Cities, a tecnologia é a principal aliada. A descarbonização das redes elétricas, por exemplo, tornou-se um dos objetivos mais importantes dentro das iniciativas para modernização das Smart Grids. Hoje, as concessionárias de energia empenham-se para reestruturar suas redes, com vistas a viabilizar a geração distribuída, de tal forma que permitam agregar fontes renováveis (como a solar e a eólica, em grande expansão), com zero emissão de CO2.

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Para integrar os recursos energéticos distribuídos, essas redes precisam de novos medidores inteligentes, capazes de reagir a problemas de intermitência, isolando determinados trechos, por exemplo. Afinal, a partir dessas mudanças, as distribuidoras devem não apenas levar em consideração a carga de seus consumidores, mas também contar com um sistema estruturado para receber as injeções de potência realizadas pelos empreendimentos de micro e mini geração distribuída, conectados à rede.

A McKinsey defende que, até 2030, as Smart Cities poderão alcançar uma formatação de grids composta por 50 a 70% de fontes renováveis de energia. Nesse cenário, teríamos algo entre 35% e 45% menos emissões de CO2, a um custo tão baixo quanto $40 a $80 por megawatt / hora. (Os dados referem-se ao relatório “Focused acceleration: a strategic approach to climate action in cities to 2030“)

Iluminação Pública Inteligente: garantia de eficiência energética

Estima-se que, no Brasil, existam ao menos 16 milhões de pontos de iluminação, concentrados especialmente nos espaços urbanos. Nos últimos anos, grande esforço tem sido desempenhado no sentido de substituir as lâmpadas tradicionais por LED, entre 45 e 60% mais eficientes. Mas a inovação promete não parar por aí.

A implantação de sistemas inteligentes de telegestão de iluminação pública é considerada, hoje, uma das portas para o mundo das Smart Cities. Essa revolução está se espalhando rapidamente pelo Brasil e, através do que há de mais avançado em IoT, sensoriamento e análise de dados, promete reestruturar os espaços urbanos, tornando-os mais sustentáveis e seguros.

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Embora as tecnologias 4.0 estejam amplamente disponíveis no mercado, muitas prefeituras ( a quem cabe a gestão da iluminação pública no Brasil) não têm recursos suficientes para incorporá-las por conta própria. Por essa razão, têm sido cada vez mais comuns as chamadas Parcerias Público-Privadas (PPP), pelas quais a iniciativa privada pode contribuir com sua grande capacidade de investimentos de curto prazo e, sobretudo, com o fomento à inovação para atender inúmeras demandas de cunho social, econômico e ambiental.

Apenas para citar alguns exemplos, as novas tecnologias para iluminação pública proporcionam os seguintes benefícios:

  • economia de energia e de recursos financeiros;
  • acionamento e desligamento das redes de iluminação à distância;
  • mensuração de performance e gasto energético;
  • atendimentos aos requisitos da Norma NBR 5101/2018;
  • diminuição dos gastos com manutenção (manutenção preditiva);
  • menor impacto ao meio ambiente;
  • menor poluição luminosa;
  • melhoria na reprodução de cor nos pontos iluminados por meio da tecnologia LED;
  • aperfeiçoamento do uso do espaço público (praças, avenidas, prédios históricos, etc.), através de pontos mais bem iluminados.

A atuação dos governos é fundamental para viabilizar as Smart Cities

A revolução digital das cidades requer não apenas investimentos em inovação, mas também o suporte político-administrativo dos governos. Eles são importantes para fomentar as melhorias necessárias em infraestrutura (como conectividade) e também para redesenhar regulamentações mais modernas e compatíveis com a inovação, sobretudo no que se refere a questões fiscais e de acesso à informação.

No Brasil, a consolidação desse novo conceito de gestão pública é coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que  lidera a Câmara Nacional de Cidades Inteligentes. Essa, por sua vez, será responsável por reunir e congregar os interesses dos demais ministérios e setores representativos (incluindo a sociedade civil e o setor privado) no que tange o desenvolvimento das Smart Cities.

Este ano, a quinta edição do Ranking Connected Smart Cities colocou Campinas em primeiro lugar nacional, como a cidade mais inteligente. Nos anos anteriores a liderança ficou com Rio de Janeiro, em 2015, com São Paulo, em 2016 e 2017 e com Curitiba, em 2018.

Campinas, referência em universidades de ponta, apresenta quase 25% dos empregos formais ocupados por profissionais com ensino superior, sendo 5,2% das vagas inseridas no setor de Tecnologia da Informação.