Plano Nacional de IoT – expectativa para o agronegócio brasileiro

No dia 26 de julho deste ano, foi instituído o Plano Nacional de Internet das Coisas e criada a Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina à Maquina e Internet das Coisas (Câmara IoT), através do decreto presidencial 9.854/2019.

A agricultura é uma das áreas priorizadas pelo Plano, ao lado da saúde, cidades e indústrias. E, ao que tudo indica, as novas diretrizes estratégicas para a IoT no campo brasileiro serão fundamentais para alavancar a transformação digital das fazendas e elevar ainda mais a produtividade.

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Investimentos em IoT crescem no Brasil

Até 2025, a IoT deve acrescentar de 34 a 132 bilhões de dólares à nossa economia e, segundo o BNDES, quatro principais áreas serão responsáveis por ativar esses investimentos, exatamente as mesmas que o Plano Nacional de IoT prioriza (cidades, indústria, saúde e agricultura).

Dados publicados pelo relatório IoT Barometer, da Vodafone, apontam que 95% das empresas brasileiras entrevistadas direcionaram mais esforços financeiros à Internet das Coisas, em 2018, quando comparado aos 12 meses anteriores à pesquisa. Isso representa 14 pontos percentuais a mais do que a média mundial.

Especialmente no que se refere ao agronegócio, as estatísticas são ainda mais promissoras. Entretanto, persistem importantes desafios que precisam ser superados com o máximo de agilidade para que todo o potencial do campo seja valorizado.

Brasil: o país do Agro

É inegável a importância do agronegócio para a economia brasileira. Somos o segundo maior exportador de alimentos do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos). As exportações atingiram um recorde nominal de US$ 101,7 bilhões, em 2018, alta de 5,9% ante 2017. O recorde anual anterior ocorreu em 2013, quando o Brasil exportou US$ 99,9 bilhões.

Diante da importância do setor – um dos únicos capazes de enfrentar a crise brasileira -,  as possibilidades de aplicação de IoT no campo tornam-se ainda mais fundamentais para alavancar a produtividade. O acompanhamento de condições climáticas, aumento na eficiência de maquinário, manutenção preditiva, irrigação inteligente, rastreamento logístico e otimização no uso de insumos são apenas algumas delas.

Plano Nacional IoT - Agro
Possibilidades de IoT no Agro (Fonte: consórcio McKinsey/Fundação CPqD/ Pereira Neto Macedo)

A tecnologia no ambiente rural está diretamente ligada à redução de custos e ao aumento de competitividade dos produtos brasileiros frente ao mercado internacional. Um recente estudo do McKinsey Global Institute apontou que o campo brasileiro pode experimentar impacto positivo de até 21.1 bilhões de dólares com projetos de transformação digital, até 2025.

Transformação digital no campo é democrática

São várias as pesquisas que apontam o grande potencial agrícola brasileiro partindo, sobretudo, de esforços de pequenos e médios produtores. Eles representam cerca de 78,1% do total de agropecuaristas brasileiros, de acordo com dados do IBGE.

Diante desse cenário, as cooperativas agrícolas desempenham um papel fundamental como promotoras da inovação no ambiente rural. Por concentrarem tecnologia de ponta, elas fomentam o desenvolvimento difundindo-o aos cooperados com bastante agilidade e eficiência. Desse modo, os pequenos agricultores, que teriam problemas em assimilar novos investimentos tecnológicos, conseguem acessá-los com muito mais facilidade.

Um recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) verificou que o impacto das novas tecnologias de IoT em propriedades familiares eleva consideravelmente a produtividade. A automatização de processos e a mecanização de rotinas agrícolas são as grandes responsáveis por esses ganhos.

Esse estudo ainda apontou que as propriedades mais modernas alcançam o dobro de desempenho comparado àquelas com baixa adoção tecnológica (em um cenário de renda positiva, ou seja, quando a renda é maior que os custos). Em realidades de renda negativa, por sua vez, essa diferença chega a atingir 400% de ganhos por hectare.

Plano Nacional de IoT: barreiras estruturais do campo

Embora o panorama do agronegócio brasileiro seja bastante promissor, há ainda importantes barreiras estruturais a serem vencidas.

Em comparação a outras realidades mudo afora, a produção brasileira mostra-se muito custosa. Estamos, por exemplo, em quarto lugar no ranking mundial de maiores consumidores de defensivos agrícolas por hectare – utilizamos o dobro da quantidade dos canadenses. Além disso, apenas no mercado lácteo, temos uma eficiência 2,5 vezes menor que a norte-americana e 6 vezes menor que a de Israel, um país cercado por desertos e condições adversas.

Justamente para combater essa discrepância, e melhor aproveitar as características positivas do território brasileiro, as novas tecnologias de IoT mostram-se tão fundamentais. Ao serem bem orquestradas junto à iniciativa público-privada, será possível remodelar aspectos estruturais de nosso ambiente rural, corrigindo desvios históricos que ainda comprometem nossa eficiência produtiva.

Principais desafios do agronegócio brasileiro

Estudos prévios ao Plano Nacional de IoT mapearam os principais entraves ao agronegócio brasileiro. Entre eles, destacam-se:

  • Logística e armazenamento ineficientes
  • Baixa profissionalização do trabalhador rural
  • Infraestrutura deficitária de conectividade

No Brasil, quase metade dos gastos com alimentos vem dos custos de transporte. Dados do US Department of Agriculture (USDA) mostram que esse valor é muito menor nos Estados Unidos – apenas 11%. Isso se deve às péssimas condições de nossas rodovias e, sobretudo, ao modelo desenvolvimentista que não fomentou outros meios alternativos, como as ferrovias.

A baixa qualificação profissional na área rural é um outro importante problema a ser superado. Dados do IPEA apontam que a maioria dos trabalhadores do campo tem apenas quatro anos de formação escolar. Diante desse panorama, a entrada de novas tecnologias torna-se mais desafiadora em razão da necessidade de profissionais mais gabaritados para manipulá-las.

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Mas, segundo a maioria dos analistas, as questões de conectividade são o fator principal para destravar todo o enorme potencial tecnológico no campo. Isso porque ela impacta diretamente o desempenho dos projetos de IoT, como aqueles ligados à agricultura de precisão e ao processamento de dados em tempo real. Atualmente, apenas 1/3 dos agricultores brasileiros beneficiam-se do acesso à internet.

Felizmente, porém, novos horizontes estão se abrindo com o desenvolvimento de novas tecnologias que conseguem superar as barreiras de conectividade. Na V2COM, por exemplo, existe um braço de inovação voltado ao desenvolvimento de soluções de Conexão Inteligente, de tal modo que até em áreas remotas e com relevo acidentado é possível tratar os dados captados dos processos agrícolas com o máximo de eficiência e agilidade.

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