Ministro da Ciência dá novo prazo para leilão do 5G no Brasil

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, afirmou à Folha de São Paulo que o leilão para implementação do 5G no Brasil deverá acontecer entre o final deste ano e o começo de 2021. Segundo declaração da Anatel, em dezembro do ano passado, o processo estava previsto para março de 2020.

Foto: Ravena Rosa / Agência Brasil

Pontes explica que o motivo para o adiamento está ligado a entraves técnicos, já que existe a possibilidade de interferência com antenas parabólicas para televisão em uma das frequências previstas no leilão, a de 3,5 GHz. Ele ainda afirma a necessidade de se criar uma “estratégia de mitigação” para eventuais problemas, de tal forma que as implementações de pilotos para o 5G estão projetadas para o final de 2021 e início de 2022.

A preparação de infraestrutura para receber a nova rede é uma outra questão que tem sido discutida entre as esferas federal e municipal de governo. Um novo decreto será publicado em breve para delimitar o que é necessário para acomodar o 5G. A instalação de antenas, por exemplo, fica a cargo da regulamentação das prefeituras, e será necessário um grande número delas para que a rede funcione com eficácia.

5G e a Internet das Coisas (IoT)

A infraestrutura 5G representa a próxima evolução de conectividade sem fio, expandindo as possibilidades de negócios para patamares nunca antes alcançados. Segundo recente relatório da MarketsandMarkets, o mercado de infraestrutura para 5G valerá quase 3 bilhões de dólares em 2020, podendo alcançar mais de 33 bilhões de dólares, até 2026.

A razão para esse rápido crescimento deve-se, sobretudo, à demanda ascendente por serviços de dados móveis, comunicação M2M (machine-to-machine) e pela necessidade de maior cobertura e velocidade de conexão.

Segundo o relatório, nos próximos oito anos, a automação industrial e os eletrônicos de consumo serão os setores que mais absorverão a infraestrutura de tecnologia 5G, alcançando 20,5% e 18,4% desse mercado, respectivamente. O setor energético e de Utilities também será positivamente impactado. É previsto que ele represente 11,8% do total.

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A rede 5G é capaz de absorver conexões simultâneas de forma bastante eficiente (até 100 vezes mais dispositivos conectados por unidade de área, todos com a mesma velocidade e latência), consumindo muito menos energia. Projeta-se uma redução de 90% no consumo, o que se traduz em dispositivos de baixa potência em ambientes industriais e baterias com 10 anos de vida útil. Além disso, por ser programável, a 5G é capaz de se desconectar automaticamente quando não estiver em funcionamento.

Por essas razões, a nova infraestrutura é essencial para a futura geração de soluções desenvolvidas a partir de tecnologia de IoT, sobretudo, em razão do elevado número de dispositivos inteligentes interconectados que são esperados nos próximos anos. Só até 2020, o mundo contará com mais de 20 bilhões deles, diz a Cisco.

5G para Utilities e Indústria 4.0

A tecnologia 5G promete resolver importantes problemas que dificultam o progresso da Internet das Coisas. Entre os mais importantes, destacam-se as questões de conectividade, a segurança de dados e a automação de processos.

No que se refere especialmente ao Setor Energético e Utilities, os principais entraves a serem superados com a nova tecnologia são:

  •  Integração das inovações com a infraestrutura atual
  •  Redução do consumo energético
  •  Manutenção de grande volume de dados
  •  Automação ao longo dos processos que envolvem a distribuição de energia.

Já para as Manufaturas 4.0, o 5G vem para resolver as seguintes demandas principais:

  • Problemas de conectividade, baixa velocidade e alto tempo de resposta
  • Resistência de incorporação da inovação por parte da cultura corporativa tradicional
  • Promoção de uma comunicação M2M em tempo real
  • Sustentabilidade a longo prazo

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