Simbiose Industrial: relação ganha-ganha das empresas pela sustentabilidade

Na Biologia, a simbiose é a interação ecológica entre diferentes espécies com resultados mutuamente benéficos. Um exemplo clássico é a relação entre os ruminantes e as bactérias que habitam o sistema digestório. Os primeiros tiram proveito do trabalho das bactérias para facilitar a digestão, enquanto as segundas encontram um ambiente satisfatório para sobreviverem e se reproduzirem.

Embora a Natureza esteja repleta de casos de simbiose, ela não é o único cenário onde o fenômeno acontece. No mundo dos negócios, é cada vez mais comum encontrar esse tipo de interação ganha-ganha, em que empresas articulam estratégias para integrar suas operações e, assim, alavancar a produtividade, reduzir custos e ainda garantir um cenário mais sustentável.

O caso de Kalundborg

Foi na década de 70, na cidade dinamarquesa de Kalundborg, onde surgiu o exemplo mais expressivo de simbiose corporativa. Na época, as iniciativas privada e pública uniram-se para estruturar um modelo inovador de eco-parque industrial que, até hoje, mantém-se plenamente ativo.

A ideia foi efetivar o esquema de economia circular, de tal modo que os resíduos de uma fábrica passaram a servir de insumo para a outra. A associação é denominada “Simbiose de Kalundborg”, e inclui empresas dos segmentos de energia elétrica, gás, água, esgoto, gerenciamento de resíduos, farmacêutico, químico e fertilizantes.

Esquema de fluxo simbiótico em Kalundborg
Esquema de fluxo simbiótico em Kalundborg

Os parceiros desse ecossistema criaram um fluxo sustentável de materiais, água e energia, de tal forma a sempre garantir o suprimento na medida certa. A iniciativa não apenas aumentou os ganhos econômicos, como também diminuiu a pegada ambiental e reduziu despesas operacionais. Além disso, o ambiente de simbiose também incentivou a criação de um pólo de inovação, com projetos de extensão cada vez maior.

Entre os principais resultados, a Simbiose de Kalundborg garante, todos os anos, às empresas envolvidas no projeto:

  • Economia final de 24 milhões de euros
  • Amortecimento do impacto socieconômico dos negócios na ordem de 14 milhões de euros
  • Redução de 635 mil toneladas de CO2
  • Economia de 3.6 milhões de m3 de água
  • Economia de 100 GWh de energia
  • Diminuição de 87 mil toneladas de insumos de produção

Internet das Coisas pela Sustentabilidade

A Internet das Coisas (IoT) oferece uma série de possibilidades para que as empresas ajustem seus processos aos mais modernos padrões de sustentabilidade.

Em 2018, o Fórum Econômico Mundial publicou um documento (Internet of Things Guidelines for Sustainability) no qual 643 aplicações de IoT foram analisadas. Ao menos 84% delas estariam em concordância com os objetivos da ONU ligados ao desenvolvimento sustentável.

Fonte: Future of Digital Economy and Society System Initiative
Fonte: Future of Digital Economy and Society System Initiative

Esse documento corroborou a ideia de que a inovação, mais do que necessária, é imprescindível para que as metas globais em prol do meio ambiente sejam atingidas. E, para tanto, será fundamental a adesão e o engajamento das empresas, cujos investimentos poderão finalmente aproximar IoT e sustentabilidade na prática

IoT e sustentabilidade: um mercado de trilhões

A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento já afirmou que, até 2030, mais de 26 trilhões de dólares serão gerados globalmente, apenas em razão dos investimentos em tecnologias sustentáveis. A McKinsey, por sua vez, acredita que o impacto da IoT no mundo, até 2025, gerará 11 trilhões de dólares.

Em vista disso, fica claro que o engajamento das empresas com a inovação, associando-a às causas socioambientais, fará com que IoT e sustentabilidade, cada vez mais, saim do papel e transformem-se em realidade prática.


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