Como a indústria pode aplicar a IoT durante o isolamento social?

O ano de 2020 certamente ficará na história como um dos mais desafiadores. Após cem anos da Gripe Espanhola, o mundo enfrenta outra pandemia, com importante impacto sanitário, econômico e social. A COVID-19 impôs uma nova dinâmica de vida às pessoas e empresas, com consequências diretas no ambiente produtivo global.

Muitas indústrias tiveram de diminuir o ritmo das operações, ou até mesmo interrompê-lo, para atender às orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) em prol do isolamento social. Outras, ao contrário, fornecedoras de bens vitais, estão enfrentando aumento abrupto de demanda com a corrida de pessoas para estocarem produtos. Seja de um lado ou de outro, é fato que a cadeia de abastecimento está desequilibrada e bastante volátil.

As indústrias que se mantiveram ativas também estão enfrentando uma nova dinâmica produtiva, com o distanciamento físico entre os trabalhadores, que passaram a operar suas atividades de forma ainda mais cuidadosa.

Segundo dados da Gartner, entre 40% e 50% dos funcionários não estarão disponíveis para desempenhar suas funções in loco durante a pandemia. Os colaboradores de escritório têm o privilégio de executarem as tarefas à distância, mas a maioria dos trabalhadores da indústria precisam estar no ambiente das atividades, sobretudo porque o formato 4.0 das manufaturas (como gestão à distância e ferramentas 100% digitais) ainda não é uma realidade amplamente distribuída.

indústria 4.0

Diante de grandes incertezas e desafios inéditos, a Internet das Coisas Industrial (IIoT) tem se mostrado uma importante aliada do ambiente produtivo, salvaguardando a saúde dos colaboradores (sobretudo do chão de fábrica), enquanto mantém as operações perfeitamente conectadas às flutuações de demanda, evitando escassez ou superprodução.

Trabalho Remoto: uma nova realidade do isolamento social

Para evitar a transmissão do novo coronavírus, as empresas passaram a adotar o trabalho remoto em larga escala. Novas preocupações surgiram com a organização física dos trabalhadores, muitas das quais puderam ser sanadas com o uso da IIoT.

1. Tomada de Decisão à Distância

Os sistemas inteligentes de Internet das Coisas são responsáveis pela condução otimizada e em tempo real de uma série de informações que compõem o dia a dia operacional das manufaturas. Eles estão envolvidos na captação, transmissão, processamento e armazenamento de um volume massivo de dados, fundamentais para auxiliar a tomada de decisão.

Com acesso remoto, esses sistemas permitem que os gestores atuem à distância, inclusive acionando comandos. Eles podem, por exemplo, acompanhar o ritmo de desempenho das máquinas e avaliar o momento certo para efetivar alguma rotina de manutenção.

Podem ainda avaliar o ritmo de oferta e demanda da produção, articulando-a perfeitamente com toda a cadeia de produção subsequente. Isso é fundamental para reduzir o inventário industrial, visto que a compra de ativos e matérias-primas pode ser acionada no tempo ideal. A McKinsey afirma que a IIoT reduz em até 36% os níveis globais de inventário de manufaturas.

As plataformas de IoT ainda oferecem dashboards dinâmicos, com envios de alerta, inclusive para celulares, que garantem muito mais assertividade e segurança para o trabalho dos gestores responsáveis pelas linhas de produção.

2. Redução de Resíduos

Não apenas é possível reduzir inventário de estoque com tecnologia, mas também os resíduos dos processos produtivos. E isso é ainda mais fundamental no momento atual, em que os negócios estão ainda mais sensíveis a custos desnecessários.

Com a instalação de dispositivos simples (tais como balanças e sensores) ao longo da cadeia de produção, é possível mensurar em tempo real o volume de resíduos produzido pelas atividades industriais. Esses dados, ao serem interligados a sistemas de monitoramento inteligentes, ajudam a reduzir custos a partir do uso mais assertivo das matérias-primas e outros ativos.

A redução de resíduos também está diretamente ligada à construção de um cenário industrial mais verde, com benefícios que extrapolam o interior das fábricas, atingindo o meio ambiente e as comunidades adjacentes.

3. Monitoramento de Colaboradores

Com medidas mais rígidas de isolamento social, é importante evitar aglomerações durante o expediente fabril. Em caso de consentimento dos trabalhadores, e não havendo impedimentos da legislação local, é possível monitorar a mão-de-obra, garantindo o devido espaçamento físico das pessoas

Com sensores wearable, por exemplo, os sistemas de IoT oferecem mapas dinâmicos da movimentação dos colaboradores. Eles inclusive podem propor rotas alternativas onde há menor número de pessoas concentradas. Essas ações são de grande valia durante a mudança de turno fabril, pausas para descanso e até mesmo para organizar melhor o uso de refeitórios e vestiários.

Dados: um ativo em constante valorização

Em 2017, uma publicação da The Economist anunciou que os dados haviam se tornado o ativo mais valioso do mundo. De fato, nos últimos três anos, presenciamos o surgimento e a expansão de uma série de tecnologias cujo funcionamento parte essencialmente da coleta, transmissão, processamento e armazenamento de dados.

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Este ano, diante de uma crise sanitária de proporções inéditas (com implicações sociais, econômicas e políticas), o mundo digital mais uma vez comprovou sua importância. A disponibilidade imediata de dados permite orquestrar iniciativas médico-sanitárias ao redor do mundo, difundir informação em tempo real e garantir que alguns setores da economia continuem funcionando, mesmo que com a redução drástica no número de colaboradores trabalhando in loco.

Assim como em outros momentos da história, o grande valor que poderemos tirar deste momento de grandes desafios é nossa capacidade de analisar o impacto da COVID-19 nas relações governamentais, empresariais e sociais e, a partir disso, nossa capacidade de usar com ainda mais inteligência as tecnologias disponíveis.

Somente assim estaremos preparados para aquilo que tem sido chamado de o “novo normal”.