Saneamento 4.0: como a tecnologia diminui o desperdício de água?

Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA) são duas tecnologias com ampla aplicabilidade em soluções voltadas ao Saneamento 4.0.

Com a rápida evolução das telecomunicações é possível conectar toda a rede de tratamento e distribuição de água, transformando-a em uma poderosa fonte de dados. Sistemas inteligentes garantem maior previsibilidade de planejamento, ganhos de produtividade, gestão eficiente da manutenção dos ativos, além de uma prestação de serviço com muito mais qualidade, sustentabilidade e custos mais baixos.

A cadeia de coleta e transmissão de dados que compõe as soluções para Saneamento 4.0 começa com a implantação de diferentes elementos de rede, como dispositivos e sensores inteligentes, bombas e válvulas. Os dados coletados são transmitidos via rede celular para sistemas robustos que correlacionam em tempo real uma grande quantidade de parâmetros, ampliando fortemente a capacidade de gestão e controle dos processos.

Desses sistemas partem comandos inteligentes com aplicação em diferentes pontos e camadas da rede de distribuição, garantindo que uma série de atividades, antes manuais, possam ser feitas a quilômetros de distância, em um centro controlado de operações.

Combate a perdas: uma aplicação prática do Saneamento 4.0

As soluções de Internet das Coisas (IoT) para telemedição e telegestão dos sistemas de saneamento são ferramentas essenciais para combater a perda de água, seja por vazamentos, fraudes ou falhas de medição.

Numa situação em que, por exemplo, os sistemas acusam grande consumo de água por um cliente (em um determinado horário como a madrugada), quando o mesmo apresenta histórico de consumo próximo a zero, temos o disparo de alertas que podem indicar um importante vazamento.

No sentido oposto, se um cliente apresenta histórico de consumo elevado em um determinado horário do dia, mas o sistema de telemedição acusa baixo consumo, podemos estar diante de algum esquema de furto de água por ligações clandestinas ou adulteração de hidrômetros.

Além do combate a perdas, esses sistemas inteligentes permitem uma série de outras funcionalidades, como a gestão remota do controle de fluxo e pressão da água, bem como o direcionamento dinâmico da rede, garantindo o abastecimento em regiões que apresentem maior demanda em certo período.

Cenário de perdas de água no Brasil

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, referentes ao ano de 2019, revelam que 34,2 milhões de brasileiros ainda não têm abastecimento de água.

Segundo o estudo, o Brasil desperdiça 39,3% da água potável, com perdas importantes no sistema de distribuição. O índice aumentou em relação à 2018, quando somava 38,5%, e é suficiente para abastecer cerca de 30% da população brasileira. Para efeito de comparação, esse montante equivale a aproximadamente 6,5 bilhões de m³, ou mais de 7 mil piscinas olímpicas por dia.

Fonte: SNIS (referente 2019)

O levantamento ainda destaca que a cobertura de água no país é de apenas 83,7%, o que exclui cerca de 16% da população. Esse cenário nos afasta das metas de universalização preconizadas no novo Marco do Saneamento, que prevê 99% dos brasileiros com acesso à água potável e 90% ao tratamento e coleta de esgoto até 2033.

Soluções para Saneamento 4.0

O volume de perdas ao longo das redes de abastecimento de água é fator chave na avaliação da eficiência das atividades comerciais e de distribuição de um operador de saneamento.

Através de sistemas de monitoramento, é possível controlar com alta eficácia uma série de problemas relativos às redes de distribuição, sobretudo a detecção de fraudes e falhas na medição, que originam as chamadas perdas aparentes, não físicas ou comerciais.

Esse padrão de perda está relacionado ao volume de água que foi efetivamente consumido pelo usuário, mas que, por algum motivo, não foi medido ou contabilizado. São falhas decorrentes de erros de medição (hidrômetros inoperantes, com submedição, erros de leitura, fraudes, equívocos na calibração dos hidrômetros), ligações clandestinas, by pass irregulares nos ramais das ligações (conhecidos como gatos), falhas no cadastro comercial e outras situações. Nesse caso, a água é efetivamente consumida, mas não é faturada pelo prestador de serviços.

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Especificamente em clientes de grande consumo, como prédios comerciais e indústrias, os sistemas de telemedição da V2COM permitem que os hidrômetros enviem informações sobre os padrões de consumo de água em intervalos regulares de tempo. Com isso, é possível identificar vazamentos de maneira muito mais rápida, evitando o desperdício e custos desnecessários nas contas dos clientes.

 


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