Eficiência Energética 4.0 garante uma indústria mais produtiva e sustentável

A geração de energia com base em fontes limpas, como a eólica e a solar, toma cada vez mais espaço dentro do planejamento das empresas. Mas esse movimento não para por aí, sobretudo quando o assunto é eficiência energética. A meta é produzir mais com menos, causando o menor impacto ambiental possível. Nessa jornada, a Internet das Coisas (IoT) e todas as tecnologias associadas atuam como importante aliadas, possibilitando a tomada de decisão e ações fundamentadas em dados.

Capturados em tempo real, a partir de uma infinidade de sensores inteligentes, esses dados podem percorrer, de modo geral, dois caminhos. Para ações que demandam tomada de decisão mais rápida, o processamento acontece na ponta (ou edge), acelerando o tempo de resposta, além de diminuir a sobrecarga de transmissão e armazenamento de dados na nuvem (cloud).

Já em outras aplicações, os dados são centralizados em uma plataforma, capaz de tomar todas as decisões em um único local. Nesses processos, é cada vez mais comum a agregação de outras tecnologias, como Inteligência Artificial e Machine Learning, que, em conjunto, aumentam ainda mais a eficiência operacional dos processos, com impacto direto na redução de custos e danos ambientais.

Processos Inteligentes podem consumir 40% menos energia

A articulação desse complexo ecossistema tecnológico garante retornos bastante expressivos para as empresas. Estudos apontam que a redução no consumo de energia em processos inteligentes, por exemplo, pode chegar a 40%. Ainda nesse sentido, cálculos recentes divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que, em 2030, 5% do consumo de energia no Brasil deve ser abatido por eficiência energética. Isso equivale a impressionantes 32 TWh.

No que se refere ao consumo de eletricidade, esse mesmo estudo mostra uma potencial redução de até 4%, com o incremento das tecnologias de eficiência energética, sendo 73% dessa economia provenientes do ambiente industrial e de serviços.

Crise hídrica e a importância da eficiência energética

Esses resultados são ainda mais expressivos quando contextualizados com a pior crise hidrológica por que passa o Brasil nos últimos 91 anos, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Embora o país seja menos dependente da água para a geração de energia, ainda temos no recurso nossa principal fonte. Em 2001, ano em que enfrentamos o primeiro grande apagão do milênio, cerca de 85,6% de toda a energia no Brasil eram gerados em hidrelétricas (298,6 TWh de um total de 348,9 TWh).

Em 2020, um relatório do Ministério de Minas e Energia em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostrou que essa dependência das hidrelétricas diminuiu, chegando a 65,2%. A principal razão está no aumento de capacidade de produção a partir de outras fontes, como a biomassa (9,1%), a eólica (8,8%) e o gás natural (8,3%).

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Mas além da estratégia de diversificação das fontes, fundamental para trazer mais segurança e previsibilidade à geração de energia, é importante não perder de vista o enorme potencial de redução no consumo de energia que as tecnologias de digitalização podem garantir em diferentes cenários.

Só na indústria, por exemplo, o monitoramento inteligente das linhas de produção e a manutenção preditiva de motores e equipamentos são importantes ferramentas para detectar o consumo excessivo (e desnecessário) de energia.

A análise de uma série de parâmetros oriundos do ambiente produtivo consegue detectar se os ativos fabris estão operando em sua máxima eficiência e, caso algum problema seja identificado, as devidas correções são efetuadas em muito menos tempo (economizando grandes quantidades de energia).

Além desses benefícios, a implantação de tecnologias para Eficiência Energética na Indústria garante uma série de outros ganhos, como:

  • Melhor aproveitamento do custo de energia
  • Aumento da vida útil dos ativos de transformação energética
  • Análise de dados de uso energético, para melhoria contínua e aprimoramento de fontes de energia (limpa) – ISO 50001
  • Aumento de competitividade no cenário internacional.

Por sinal, de acordo com a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica  (elaborada pela EPE), em maio de 2021 tivemos, no Brasil, aumento de 22,5% no consumo energético industrial, ante o mesmo mês do ano anterior.

O setor, que foi responsável por cerca de 1/3 do consumo de toda a energia produzida no país em 2019, ainda sofre com perdas evitáveis de energia, o que deixa ainda mais clara a importância da digitalização para alavancar a industrialização no país de forma sustentável e menos custosa.