Utilities: caminhos para a transformação digital

Embora aconteça em ritmos diferentes a depender do setor, a transformação digital é uma realidade unânime entre as utilities de todo o mundo. Ganhos como o aumento de eficiência operacional, melhoria na experiência do consumidor e agilidade na inovação (e consequente ganho em competitividade) são apenas alguns dos fatores que têm transformado esse mercado.

Dados recentes do McKinsey Global Institute apontam que a transformação digital cria importante valor para as utilities. Entre eles, destacam-se:

  • redução de até 25% em despesas operacionais;
  • aumento de performance entre 20% e 40%, especialmente em áreas como segurança e satisfação do consumidor;
  • aumento no lucro.

Mesmo diante desses ganhos, as pesquisas indicam que a maioria das empresas ainda tem um desempenho de baixo a moderado nos processos digitais.

Digitalização das redes de energia elétrica: mais eficiência; menos custos

O processo de digitalização das utilities mostra-se com mais evidência nas redes de transporte e distribuição de energia. Com a atuação de medidores inteligentes, é possível gerir com eficiência os sistemas elétricos, algo especialmente importante no contexto da descarbonização das redes.

A integração de novas fontes renováveis e intermitentes (como a eólica e a solar) demandam uma gestão dinâmica, descentralizada e flexível, capaz de garantir o fornecimento sempre em nível ótimo aos consumidores.

Esse movimento vem acompanhado de uma forte tendência de aumento no consumo de energia e, por consequência, uma maior preocupação em habilitar modelos que evitem problemas de fornecimento, bem como reduzam custos operacionais. Apenas para colocar em números, um recente estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontou que o consumo de energia elétrica no Brasil deve alcançar mais de 1.600 TWh até 2050.

A digitalização da rede elétrica, processo composto por um conjunto de tecnologias e sistemas com foco em coleta e análise inteligente de dados, visa otimizar a gestão do fluxo e consumo de energia, o que leva a uma melhor compreensão da demanda e suas oscilações. Mais do que isso, o gerenciamento digital das linhas garante:

  • o combate eficiente a fraudes e furtos de energia
  • o aumento da segurança dos sistemas
  • o armazenamento de energia em horários de pouca de demanda
  • o aumento da vida útil dos equipamentos e componentes em campo
  • a implantação de rotinas de manutenção preditiva
  • a redução dos tempos de interrupção e falhas de fornecimento.

Todos esses avanços são potencializados com a aplicação de Inteligência Artificial nos sistemas e plataformas de controle que, remotamente, garantem acompanhamento de toda a linha, garantindo a tomada de ação em tempo real, inclusive adiantando-se a problemas mais graves.

Soluções digitais devem se adequar às empresas; não o contrário

Um estudo da McKinsey analisou as utilities pioneiras na transformação digital ao redor do mundo e concluiu que a liderança digital, especialmente entre as concessionárias de energia, é mais rápida quando a alta direção conclui que o risco potencial em investir pouco nas tecnologias digitais é maior do que o risco de investir pesadamente e não obter um retorno tão interessante.

E, se por um lado isso deixa cada vez mais clara a necessidade de efetivar mudanças em ritmo acelerado, por outro ainda persiste uma certa incerteza quanto ao melhor formato de se iniciar a transformação digital.

Uma das alternativas apontadas pela consultoria parte da tarefa de reavaliar e modernizar a arquitetura e o ambiente de TI. As utilities estão há bastante tempo acostumadas com a utilização de pacotes de software bastante robustos, em razão da tradicional necessidade de garantir a máxima estabilidade de processos.

Esse padrão de sistema pode ser bastante eficiente para processos já consolidados e que necessitam de apenas alguns ajustes eventuais. Entretanto, num contexto de negócios mais dinâmico, com a constante incorporação de novas tecnologias, é preciso se atentar à flexibilidade dos sistemas de informação.

Mais do que nunca, eles devem ser flexíveis e customizáveis, capazes de suportar novos desenvolvimentos sem que isso signifique custos muito elevados ou rupturas processuais drásticas. A ideia é que as soluções se adequem à realidade das empresas e não o contrário.

A robustez organizacional dificulta, mas não impede a transformação digital

Uma das principais razões que podem atrasar os avanços digitais das utilities é a própria estrutura organizacional, direcionada para minimizar riscos e garantir a segurança e a longevidade dos ativos.

Esse setor é tradicionalmente conhecido por sua estabilidade e confiabilidade. Isso certamente se impõe como um importante obstáculo diante de uma nova realidade digital, marcada pela constante experimentação e processos ágeis.

Estruturas corporativas mais rígidas e robustas tendem a seguir processos bem definidos e necessitam de validações interdepartamentais para a incorporação de novas tecnologias. Nessa realidade, o caminhar decisório é, muitas vezes, mais lento que a evolução digital.

Diante disso, surge um impasse: a necessidade de inovar, dentro de um cenário que exige estabilidade e segurança.

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Outro importante aspecto que dificulta os processos de transformação digital é o legado operacional complexo e o ambiente de tecnologia de informação robusto. Muitas vezes, uma simples alteração pode movimentar toda a engrenagem empresarial já estabelecida, devido à justaposição de diferentes processos maiores.

Mesmo cientes dessas dificuldades, utilities de diferentes segmentos têm desempenhado esforços importantes em direção à digitalização de seus processos. Consolidou-se, enfim, a percepção de que é necessário aumentar a agilidade na tomada de decisão, fomentando mudanças de modo mais dinâmico.

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