Qual a importância da infraestrutura inteligente para o setor elétrico?

Após dois anos de pandemia, volta à pauta a importância da modernização da infraestrutura inteligente como meio fundamental para garantir a retomada do crescimento econômico através da aplicação de tecnologias digitais de ponta.

A meta é garantir o gerenciamento otimizado de recursos críticos, como água, energia e iluminação pública, viabilizando a digitalização em larga escala das rotinas de medição e manutenção preditiva, garantindo-se, assim, o alicerce estrutural para outros setores da economia.

As tecnologias estão diretamente ligadas à redução de custos operacionais e diminuição de perdas, com impacto direto na qualidade dos serviços prestados, sem perder de vista o atingimento de novos parâmetros de sustentabilidade e crescimento no longo prazo.

Infraestrutura Inteligente no Setor Elétrico: um setor em destaque

No que se refere especificamente ao setor elétrico brasileiro, há ainda uma vasto campo de renovação de infraestrutura a ser desbravado, o que impacta positivamente toda a cadeia de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia.

Em primeiro plano, é preciso destacar a urgente necessidade de substituição e modernização de equipamentos e instalações críticas com vida útil já esgotada Brasil afora. Essa renovação é especialmente importante para viabilizar a incorporação das novas tecnologias aplicáveis ao setor de forma escalável.

É também de fundamental importância avançar com a implementação de medidores conectados inteligentes, capazes de contemplar opções tarifárias mais compatíveis com os custos reais de fornecimento de energia e com as características específicas de cada classe de consumidor final.

A modernização do setor é ainda imprescindível para acomodar uma nova realidade de geração distribuída, com destaque para as provenientes de fontes eólica e solar. O fluxo bidirecional de energia precisa ser atendido por uma infraestrutura adequada e compatível com esse novo formato, inclusive agregando novas ofertas de serviços e usos, como o carregamento de veículos elétricos.

Ainda nesse sentido, a renovação da infraestrutura do setor garante a integração e implementação em larga escala de sistemas avançados de telegestão e monitoramento de ativos distribuídos, com a aplicação do que há de mais moderno no mundo da tecnologia, como IoT, cloud e fog computing, Inteligência Artificial, entre outros.

América Latina: digitalização para crescimento no PIB da região

Uma recente pesquisa da GSMA apontou as tecnologias digitais como fundamentais para superar os desafios estruturais típicos das cidades do século passado, permitindo o início de uma nova dinâmica digital compatível com as demandas do século XXI.

Esse cenário é ainda mais sensível quando pensamos na América Latina, a região mais urbanizada do globo, em que o desenvolvimento inteligente das cidades pressupõe o gerenciamento de uma quantidade infindável de ativos.

Segundo o relatório “A Economia Móvel da América Latina 2021”, a região deve experimentar um crescimento de 67% na expansão do 4G, número 12% maior que o estimado para 2020. A tecnologia celular é fundamental para garantir a escalabilidade e a segurança das aplicações de Internet das Coisas que impactam as questões estruturais das cidades, como o fornecimento de água, energia, gás, iluminação pública e saúde.

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No que se refere ao 5G, a tecnologia deve somar 12% de todas as conexões até 2025, momento em que teremos ao menos 1.2 bilhão de conexões na América Latina, um volume capaz de gerar mais de 31 bilhões de dólares em receita.

Com a tecnologia de quinta geração, haverá um sobressalto bastante importante no alcance e robustez das soluções de IoT, especialmente em razão da maior largura de banda e velocidade de conexão disponíveis.

Por sinal, segundo dados do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), um aumento de 10% na penetração da banda larga na América Latina pode levar a um crescimento de até 3,19% no PIB e 2,16% em produtividade.

Esses dados são de fundamental importância, visto que a região ainda carece de tecnologias de ponta com aplicação sistêmica em diferentes setores da economia, capazes de garantir vantagem competitiva de forma plenamente sustentável.