Como o monitoramento e gerenciamento remoto reduz custos produtivos?

Os avanços da Internet das Coisas (IoT) e da conectividade sem fio têm impulsionado as organizações a investirem de modo mais estruturado em tecnologias de monitoramento e gerenciamento remoto (do inglês, remote monitoring and management - RMM), com foco em aumentar o controle e a performance contínua das operações.

Em posse de dados em tempo real e de análises cada vez mais complexas do histórico de processos, está cada vez mais fácil para as empresas gerenciar um grande número de ativos e pessoas de um só lugar, o que reduz não apenas os custos de operação, mas também aumenta a segurança e o controle dinâmico de todo o ecossistema produtivo.

Esse gerenciamento inteligente não se limita ao ambiente interno das empresas, atingindo toda a cadeia produtiva subjacente, o que inclui os processos logísticos de distribuição até chegar ao consumidor final. Por sinal, o controle dinâmico das operações permite, inclusive, responder com muito mais efetividade às constantes mudanças no padrão de consumo do mercado.

Com isso, é possível otimizar o controle de estoque, ajustando o ritmo do processo produtivo na medida exata, capaz de garantir máxima rentabilidade e menor desperdício de insumos.

O segredo está nos dados

Sistemas de monitoramento e gerenciamento remoto (RMM) devem ser fáceis de implementar. Isso significa serem interoperáveis e integráveis com os diferentes tipos de sistemas operacionais já existentes nas empresas. Além disso, por estarem baseados na nuvem (cloud), é muito mais simples escalar a funcionalidade para toda a operação, o que certamente representa uma grande vantagem em termos de custos.

Gateway Industrial

A robustez dos sistemas de monitoramento remoto (RMON) também está diretamente ligada ao tratamento dos dados coletados, o que inclui um pacote completo de tecnologias de conectividade, analytics, machine learning e, em nível mais avançado, Inteligência Artificial (IA).

Conectados aos gateways IoT operados a partir de computação de borda, esses sistemas criam uma interface de filtragem de dados, o que otimiza o processamento e o armazenamento de dados. Assim, apenas a informação mais crucial à operação chega à nuvem, enquanto as demandas mais imediatas são operacionalizadas localmente, na borda. Isso, mais uma vez, agrega muito valor ao processo de trabalho, reduzindo custos e criando insights importantes para futuras melhorias e correções.

Sistemas de monitoramento e gerenciamento remoto reduzem custos operacionais

Como visto até aqui, um dos grandes fatores que leva as empresas a investirem em sistemas RMM é a redução de custos. Em uma economia de escala, globalizada e cada vez mais competitiva, cada centavo conta.

Estima-se que, anualmente, as indústrias percam cerca de US$ 50 bilhões em downtime, ou seja, o tempo em que sistemas são interrompidos, afetando a operação. Além disso, os gastos com manutenção de equipamentos podem alcançar até 40% de todos os custos produtivos.

Esses números destacam a relevância do controle dinâmico das rotinas operacionais em tempo real. A análise da performance de máquinas e equipamentos em intervalos mais curtos de tempo evita paradas inesperadas e bastante onerosas para as empresas.

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A manutenção preditiva dos equipamentos é viabilizada pela inteligência de dados agregada ao processo produtivo. Com o ajuste de uma série de parâmetros, captados via sensores de IoT, é possível, por exemplo, verificar se uma máquina está superaquecendo ou trepidando mais do que o comum. Ao programar reparos com mais assertividade, baseados em uma gestão dinâmica e real-time, os ajustes tornam-se mais simples e econômicos. O tempo de parada para a manutenção fica muito menor, o que, posto em escala, garante ganhos bastante expressivos em produtividade.

O gerenciamento remoto também é muito importante para a segurança dos trabalhadores, sobretudo aqueles envolvidos em rotinas de maior risco. Ao prever possíveis acidentes e monitorar riscos, o ambiente de trabalho torna-se mais seguro e eficiente.


Inteligência Artificial das Coisas

Inteligência Artificial e Edge Computing no ecossistema 4.0

A Inteligência Artificial das Coisas (AIoT) está em plena ascensão no mundo das tecnologias 4.0. O termo remete à Inteligência Artificial inserida no ecossistema da Internet das Coisas, com foco no desenvolvimento das operações de IoT, das interações entre humanos e máquinas, além do fortalecimento da gestão remota de ativos, análise inteligente de dados e manutenção preditiva.

O potencial de transformação dessa nova dinâmica é tão grande que até mesmo os analistas mais experientes afirmam ser praticamente impossível prever o mundo nos próximos dez anos.

A AIoT amplia drasticamente o espectro de atuação das tecnologias digitais, integrando diferentes verticais da economia de uma forma jamais vista.

Como funciona a Inteligência Artificial das Coisas?

A Internet das Coisas é potencializada a partir da integração de três tecnologias emergentes: Inteligência Artificial, redes 5G e Big Data.

O 5G é o grande viabilizador da comunicação de dados, garantindo elevadíssima velocidade de conexão, alto throughput e baixíssima latência, o que permite o gerenciamento em tempo real dos dispositivos. Já com a tecnologia de Big Data, esses dados podem ser analisados em larga escala, o que permite escalar em níveis jamais vistos a potencialidade das soluções de IoT.

Já no que se refere à Inteligência Artificial, temos algoritmos sendo utilizados para análise de dados e outros recursos como aprendizado de máquinas.  Ao ser incorporada pela Internet das Coisas, a IA expande seu potencial por contar com um aparato completo de conectividade, fazendo com que os dispositivos processem informações e aprendam a tomar decisões como seres humanos.

Os sistemas geridos por AIoT objetivam a autossuficiência e, como consequência, reduzem custos processuais, além de acelerarem a escalabilidade dos projetos e o Retorno Sobre o Investimento (ROI).

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A fusão das tecnologias permite superar o grande desafio atual de gerenciar, analisar e interpretar uma enorme quantidade de dados proveniente das aplicações de IoT, criando valor de fato para as empresas e pessoas. A ideia é simplificar a tomada de decisão, "filtrando" as informações que efetivamente precisam ser analisadas.

Essa dinâmica visa identificar padrões de desempenho/comportamento e lacunas que dificultam o processo de automação. Mais ainda, ela adiciona um importante viés qualitativo à análise. Na logística, por exemplo, os sistemas de AIoT não apenas auxiliam na gestão do estoque, mas tomam decisões ordenando, por exemplo, a ordem de entrega de mercadorias, com base em diferentes critérios.

Edge Computing e IA: combinação de tecnologias em números

Segundo uma análise da Cisco, a implementação de Inteligência Artificial (IA) em diferentes negócios quase triplicou entre 2016 e 2020. Na mesma direção, projeções indicam que até o final deste ano, cerca de 30% dos investimentos em Tecnologia da Informação irão para a Edge Computing. Ambas as tecnologias, IA e Edge, trabalham em perfeita sintonia, como se uma impulsionasse o potencial da outra.

Tradicionalmente, a inteligência das soluções estava diretamente associada à nuvem (cloud), com processamentos mais robustos de um grande volume de dados. Mas com a expansão da IoT e a necessidade de conectar dispositivos remotos, permitindo que os mesmos fossem capazes de tomar decisões no menor intervalo de tempo possível, a inteligência artificial passou a ser implementada na borda.

Essa mudança de paradigma aliviou a largura de banda exigida e custos de backhaul. Como resultado, novas aplicações tornaram-se viáveis, agregando ainda mais valor para as operações que utilizam esse verdadeiro pacote de tecnologias de forma coordenada.

Não à toa, diversos estudos demonstram o grande impacto desse novo ecossistema tecnológico na economia. A Cisco afirma que a taxa de crescimento anual ligada a essas tecnologias é de 25%, enquanto o Fórum Econômico Mundial projeta mais de US$ 3,5 trilhões em investimentos, criação de empregos e novos negócios dentro dos segmentos que compõem a Indústria 4.0.

Conera: IoT simples e Segura

Conera™ é o middleware V2COM para aplicações em Internet das Coisas. A tecnologia foi desenvolvida para atender à totalidade dos fatores que impactam diretamente no sucesso das soluções de IoT.

Ao se comunicar com os sistemas operacionais mais utilizados no Ecossistema de Internet das Coisas, o Conera™ elimina as complexidades das variáveis de Hardware, gestão e comunicação de dados, o que expande suas possibilidades de aplicação, de forma flexível e segura.

Seu grande pacote provê soluções para diferentes necessidades, como:

  • um software embarcado flexível, robusto e seguro.
  • uma comunicação confidencial, autenticada e disponível.
  • um serviço cloud para coletar os dados, controlar os equipamentos e disponibilizar estes dados para os usuários.

Os protocolos do Conera™ permitem o máximo aproveitamento de cada tecnologia de comunicação wireless, explorando o melhor das características de consumo de energia da NB IoT ou a baixa latência do 5G.



Setor Energético

Internet das Coisas no consumo otimizado de energia

Dados da Energy Information Administration (EAI) mostram que as taxas de crescimento em consumo de energia nos Estados Unidos oscilaram pouco abaixo de 1%, nos últimos anos. As razões para essa tendência são várias, desde a substituição de equipamentos antigos por maquinário mais eficiente e alterações no padrão de consumo, até o incremento de novas indústrias com menor demanda de energia para o funcionamento.

Por outro lado, a necessidade de serviços públicos cada vez mais complexos, as novas formas de distribuição de energia elétrica que chegam ao mercado, os modelos mais avançados de baterias que estão em desenvolvimento e a integração de um número cada vez maior de dispositivos ao redor do mundo são apenas algumas das muitas situações que prometem manter ou até mesmo elevar o consumo de energia para os próximos anos, conforme apontam algumas pesquisas.

E é justamente por esse motivo que investir em inovação tornou-se obrigatório para qualquer empresa que deseje se manter competitiva no futuro.

O mercado B2B é o grande impulsionador dos investimentos em tecnologia

A busca por consumo otimizado e inteligente de energia é, sem dúvidas, um dos grandes motivadores que impulsionam as empresas a investirem em tecnologia. O mercado B2B (business-to-business) para IoT cresce ano após ano e, nesse contexto, as concessionárias possuem um papel fundamental como propulsoras da inovação.

Um relatório (IoT Utilities Market Size, Growth - Industry Share Forecast Report 2024), publicado pelo Global Market Insights, justamente corrobora esse potencial de expansão. Os dados indicam que o setor de IoT voltado especificamente às Utilities promete crescer dois dígitos por ano, até 2024, quando valerá mais de US$ 15 bilhões.

E para atender essa nova dinâmica de mercado, as concessionárias e distribuidoras precisam oferecer possibilidades inéditas de armazenamento, distribuição e geração de energia. Por essa razão, as Smart Grids são tão importantes, sobretudo por aprimorarem toda a rede de distribuição e ainda elevarem a confiabilidade dela perante os consumidores. Elas ainda garantem a integração dos dispositivos interconectados com muito mais facilidade, criando um novo padrão de infraestrutura coerente com os atuais processos que perfazem as empresas e, por consequência, seus clientes.

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É claro, porém, que esses avanços ocorrem em velocidades diferentes, a depender de alguns fatores inerentes a cada país. No Brasil, por exemplo, as questões regulatórias e tributárias do setor energético muitas vezes mostram-se como um importante desafio à expansão da transformação digital.

Felizmente, porém, uma série de movimentações legislativas assumem o potencial de fomentar a inovação, isentando a IoT de alguns tributos que, muitas vezes, impedem a expansão das tecnologias, dado seu elevado custo final às operadoras.

Grandes corporações movimentam-se em direção à eficiência

Transformação Digital é a expressão do momento quando o assunto é atender um novo padrão de consumo que cresce mundo afora. Ao permitir a automatização de processos e a análise inteligente de dados (incluindo o consumo de energia em tempo real), a inovação digital garante às empresas não apenas o aumento da eficiência produtiva e, por consequência, dos lucros, mas também uma importante redução da pegada ambiental, através da otimização de recursos e da viabilização da chamada economia circular.

Indo nessa direção, algumas das maiores corporações do mundo já declararam um novo posicionamento estratégico muito mais conectado a esse novo modo de fazer negócios. A Procter & Gamble (P&G), por exemplo, assumiu que a organização seja "100% renovável”. A Walmart, por sua vez, é outra gigante que tem procurado se adequar às demandas do século XXI: ela assumiu o compromisso de reduzir seu consumo energético a 20% dos níveis computados em 2010.

Seja por razões meramente financeiras (com foco em custos menores), seja para assumir uma postura sustentável, essas e outras empresas mostram-se cada vez mais inclinadas a reavaliar antigas rotinas, substituindo-as ou incrementando-as com o auxílio de tecnologias que se adequam a um padrão moderno de demanda por energia.

Investimentos em IoT elevam o valor agregado das soluções

A Internet das Coisas (IoT) é uma das grandes aliadas quando o assunto é a otimização de linhas e processos industriais. Ao conectar sensores de ponta a sistemas inteligentes de gerenciamento remoto de dados, a IoT gera um poderoso arsenal de insights que auxiliam a rotina de tomada de decisão dos gestores.

No que se refere diretamente ao mercado de energia, os sistemas IoT permitem predizer o consumo dos próximos meses com base em séries históricas, detectar em tempo real oscilações suspeitas de utilização, gerar comandos de ativação e desligamento sem intervenção humana, disparar alertas e alarmes de segurança e avaliar a necessidade de manutenção de equipamentos no momento exato, evitando paradas desnecessárias e custosas e também danos de maior importância.

No setor residencial, por sua vez, a inovação também avança a passos largos. A adoção de tecnologias para a construção das chamadas “Smart Houses” são a grande promessa para uma nova maneira de os humanos se relacionarem com suas habitações, não apenas garantindo mais conforto com a automação de tarefas, mas sobretudo elevando a segurança das casas e das famílias.

E, mais uma vez, os sensores e os softwares a eles conectados são os grandes viabilizadores dessas soluções. Ao desligarem eletrodomésticos e outros aparelhos de forma automática, por exemplo, os sistemas das "Smart Houses" garantem uma surpreendente economia de recursos energéticos. Câmeras sensíveis a movimento e dispositivos ativados por calor podem ainda alertar a aproximação de pessoas suspeitas e disparar alarmes conectados diretamente aos órgãos e empresas de segurança.


5G no setor de energia

Qual a importância da infraestrutura inteligente para o setor elétrico?

Após dois anos de pandemia, volta à pauta a importância da modernização da infraestrutura inteligente como meio fundamental para garantir a retomada do crescimento econômico através da aplicação de tecnologias digitais de ponta.

A meta é garantir o gerenciamento otimizado de recursos críticos, como água, energia e iluminação pública, viabilizando a digitalização em larga escala das rotinas de medição e manutenção preditiva, garantindo-se, assim, o alicerce estrutural para outros setores da economia.

As tecnologias estão diretamente ligadas à redução de custos operacionais e diminuição de perdas, com impacto direto na qualidade dos serviços prestados, sem perder de vista o atingimento de novos parâmetros de sustentabilidade e crescimento no longo prazo.

Infraestrutura Inteligente no Setor Elétrico: um setor em destaque

No que se refere especificamente ao setor elétrico brasileiro, há ainda uma vasto campo de renovação de infraestrutura a ser desbravado, o que impacta positivamente toda a cadeia de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia.

Em primeiro plano, é preciso destacar a urgente necessidade de substituição e modernização de equipamentos e instalações críticas com vida útil já esgotada Brasil afora. Essa renovação é especialmente importante para viabilizar a incorporação das novas tecnologias aplicáveis ao setor de forma escalável.

É também de fundamental importância avançar com a implementação de medidores conectados inteligentes, capazes de contemplar opções tarifárias mais compatíveis com os custos reais de fornecimento de energia e com as características específicas de cada classe de consumidor final.

A modernização do setor é ainda imprescindível para acomodar uma nova realidade de geração distribuída, com destaque para as provenientes de fontes eólica e solar. O fluxo bidirecional de energia precisa ser atendido por uma infraestrutura adequada e compatível com esse novo formato, inclusive agregando novas ofertas de serviços e usos, como o carregamento de veículos elétricos.

Ainda nesse sentido, a renovação da infraestrutura do setor garante a integração e implementação em larga escala de sistemas avançados de telegestão e monitoramento de ativos distribuídos, com a aplicação do que há de mais moderno no mundo da tecnologia, como IoT, cloud e fog computing, Inteligência Artificial, entre outros.

América Latina: digitalização para crescimento no PIB da região

Uma recente pesquisa da GSMA apontou as tecnologias digitais como fundamentais para superar os desafios estruturais típicos das cidades do século passado, permitindo o início de uma nova dinâmica digital compatível com as demandas do século XXI.

Esse cenário é ainda mais sensível quando pensamos na América Latina, a região mais urbanizada do globo, em que o desenvolvimento inteligente das cidades pressupõe o gerenciamento de uma quantidade infindável de ativos.

Segundo o relatório "A Economia Móvel da América Latina 2021", a região deve experimentar um crescimento de 67% na expansão do 4G, número 12% maior que o estimado para 2020. A tecnologia celular é fundamental para garantir a escalabilidade e a segurança das aplicações de Internet das Coisas que impactam as questões estruturais das cidades, como o fornecimento de água, energia, gás, iluminação pública e saúde.

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No que se refere ao 5G, a tecnologia deve somar 12% de todas as conexões até 2025, momento em que teremos ao menos 1.2 bilhão de conexões na América Latina, um volume capaz de gerar mais de 31 bilhões de dólares em receita.

Com a tecnologia de quinta geração, haverá um sobressalto bastante importante no alcance e robustez das soluções de IoT, especialmente em razão da maior largura de banda e velocidade de conexão disponíveis.

Por sinal, segundo dados do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), um aumento de 10% na penetração da banda larga na América Latina pode levar a um crescimento de até 3,19% no PIB e 2,16% em produtividade.

Esses dados são de fundamental importância, visto que a região ainda carece de tecnologias de ponta com aplicação sistêmica em diferentes setores da economia, capazes de garantir vantagem competitiva de forma plenamente sustentável.


Energia Sustentável

Manutenção Preditiva reduz custos de usinas eólicas

No Brasil, a energia eólica representa 12% da matriz elétrica, com mais de 800 parques eólicos em 12 estados e mais de 9.200 aerogeradores em operação. Apenas para efeitos de comparação, em 2020, eram aproximadamente 7.540 aerogeradores espalhados em cerca de 620 parques eólicos.

Só em julho deste ano, o setor atingiu 22 gigawatts (GW) de capacidade instalada, montante suficiente para abastecer quase 30 milhões de residências todos os meses. Projeções da ABEEólica mostram que, até 2026, devemos alcançar 37,09 GW de capacidade eólica instalada.

No gráfico abaixo, podemos ver a situação atual da matriz elétrica do Brasil. Os números reforçam nossa posição como um país que já possui mais de 85% da matriz elétrica composta por energias renováveis, enquanto a média mundial é de 30%.

eficiência da usina eólica

 

Os parques eólicos são um excelente exemplo de máquinas conectadas que podem operar de forma independente, ao menos até que algo de errado interrompa o andamento dos processos. E é justamente aí que entra a Internet das Coisas.

Os sistemas mais avançados de IoT permitem o aumento contínuo da eficiência das usinas eólicas, ao mesmo tempo em que preveem com elevada confiabilidade o melhor momento para a manutenção dos ativos, evitando custos desnecessários.

Manutenção Preditiva Inteligente diminui custos

Ao redor do mundo, as fazendas eólicas estão travando importantes batalhas para manter a eficiência dos sistemas. Intempéries climáticas — como chuvas excessivas, tempestades de areia, fortes vendavais, oscilações térmicas e movimento das marés — diminuem o intervalo de tempo necessário entre as manutenções, aumentando os custos.

Há poucos anos, a região do Mar do Norte — conhecida pela agressividade dos ventos —  sofreu importantes perdas devido a problemas com o mapeamento de manutenção. Engenheiros tiveram que examinar e reformar 206 torres às pressas, após danos não previstos.

Na Alemanha, uma outra fazenda eólica sofreu com o colapso de vários aerogeradores muito antes do esperado. Acreditava-se que os ativos trabalhariam sem problemas por pelo menos 15 meses quando, na verdade, eles aguentaram apenas 15 semanas de funcionamento.

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Diante disso, e visando evitar novas surpresas desagradáveis, as engenharias de projetos passaram a se apoiar nas novas tecnologias de IoT para garantir a total eficiência das usinas eólicas. Fez-se necessário o acompanhamento automático e em tempo real dos parques para evitar o colapso dos sistemas e os altos custos com reparos e substituição de peças.

Essas tecnologias tornam-se ainda mais necessárias toda vez que uma fazenda decide adicionar megawatts ao esquema geral do sistema, o que eleva a importância fundamental da manutenção preditiva.

Sensores de alta capacidade associados a plataformas de IoT robustas e inteligentes permitem mapear e monitorar, em detalhes, o cisalhamento e a velocidade do vento, a temperatura atmosférica e do mar, o torque, a vibração dos sistemas, entre muitas outras variáveis. Todas elas, juntas, fornecem informações que levam à tomada de decisão segura e no tempo certo.

 

Uma turbina pode ter mais de 150 sensores acoplados
Uma turbina pode ter mais de 150 sensores acoplados

A partir dessa coleta de dados, as plataformas de Internet das Coisas geram respostas instantâneas a todo e qualquer problema que possa aparecer, corrigindo-os no menor intervalo de tempo possível. Mais do que isso, a inteligência dos softwares garante que a operação se antecipe às falhas, disparando avisos que permitem alterações processuais, antes mesmo que o dano torne-se realidade.

Tudo isso em conjunto, claro, diminui os custos operacionais.

Plataformas de IoT elevam a eficiência das usinas eólicas

Redes industriais conectadas a estruturas remotas, como as fazendas eólicas, precisam de sistemas redundantes. Os projetos de turbinas devem ser compostos por alertas ativos e antecipados, além de respostas automáticas de segurança (shutout / shutoff). Desse modo, é possível se adiantar na resolução de problemas, sem interrupções desnecessárias que geram perdas financeiras.

E, nesse processo, as plataformas de IoT são peça-fundamental. Com capacidade de trabalhar uma quantidade enorme de dados por segundo, elas diminuem o tempo de resposta dos sistemas, enquanto elevam a inteligência do mecanismo como um todo: quanto mais dados e respostas automáticas, mais a plataforma adquire capacidade preditiva com elevada acuracidade.

Esse padrão de rede para ambientes externos funciona em sentido duplo. De um lado vai o dado transmitido do sensor até a placa de emergência; do outro, volta o comando com a ação a ser tomada. Como exemplo, quando se recebe o dado de superaquecimento, tem-se como resposta imediata o desligamento dos equipamentos.

Esse vaivém de dados e respostas eleva o refinamento do sistema, de tal forma que as escolhas ficam ainda mais eficientes. Quando os aspectos de aprendizagem das redes se combinam com sistemas redundantes e mais robustos, eles passam a trabalhar juntos, tornando o aprendizado ainda mais rápido, numa espécie de ciclo virtuoso. Voltando ao exemplo anterior, em vez de uma resposta para desligar por completo o sistema, poderia ocorrer apenas a ordem de desaceleração, ou mesmo o desligamento de apenas uma única turbina.

V2COM: aliada estratégica do mercado de energia 

A V2COM consolidou-se no mercado nacional e internacional por ser um dos poucos fornecedores de soluções de IoT ponta à ponta. Com isso, garante um elevado grau de customização dos projetos, que se adequam perfeitamente às mais diferentes necessidades dos clientes.

Por desenvolver integralmente tanto hardware quanto software, a V2COM alcançou um padrão de tecnologia plenamente compatível com as inovações, integrando-se perfeitamente a diferentes realidades de forma bastante ágil e flexível.


Energia

Furtos e erros de medição de energia afetam 2,9% das receitas de distribuidoras

A produção de energia limpa a partir da mesma matriz energética é um desafio comum à maioria dos países. Pesquisas indicam que ao menos 25% do total de gases do efeito estufa seriam resultado do processo de geração de energia com base não renovável.

No Brasil, embora a matriz elétrica seja aproximadamente 86% renovável, observa-se que grande parte do que é gerado e transmitido sofre com as chamadas perdas técnicas e não técnicas, antes de chegar ao destino final.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os custos decorrentes de furtos de energia ou erros nos processos de medição e faturamento representam 2,9% das receitas das distribuidoras no Brasil. Em alguns casos, como na Região Norte, chegam a 10,7%

  •  Perdas Técnicas são aquelas inerentes ao transporte da energia elétrica na rede, relacionadas à transformação de energia elétrica em energia térmica nos condutores (efeito joule), perdas nos núcleos dos transformadores, perdas dielétricas, etc. Podem ser entendidas como o consumo dos equipamentos responsáveis pela distribuição de energia.
  • Perdas Não Técnicas correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Esse tipo de perda está diretamente associado à gestão comercial das distribuidoras.

Seja pela necessidade de implantar um modelo distribuído, com a inclusão de fontes mais limpas (como energia solar e eólica), seja para diminuir as perdas técnicas e não técnicas, as chamadas Smart Grids têm sido a grande aposta para conferir mais inteligência à produção, distribuição e consumo de energia.

Vantagens das Smart Grids para as concessionárias de energia

As Smart Grids são uma nova arquitetura de redes de energia elétrica, que integra e possibilita ações a todos os usuários a ela conectados. Elas fazem uso de tecnologia de ponta, como a Internet das Coisas (IoT), e permitem a transmissão e a distribuição de energia de forma descentralizada, com base em informações em tempo real ao longo de toda a cadeia.

Segundo a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), as redes elétricas inteligentes devem atender cerca de 74,4 milhões de usuários no Brasil, até 2030. E isso trará impacto positivo direto para as concessionárias de energia.

Com as Smart Grids, é possível identificar instantaneamente qualquer possível queda no fornecimento da rede e tomar as medidas necessárias de forma remota para restabelecer o fornecimento. Esse mecanismo não apenas diminui os custos com o deslocamento de equipes para o local da queda, mas também ajuda a prevenir fraudes e a controlar perdas de energia, bastante comuns no Brasil.

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Atualmente, cerca de 15% dos quilowatts (kW) produzidos no país são perdidos entre a geração e o consumo, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Com a medição inteligente, aumenta-se a precisão para identificar esses pontos de escape, de tal forma que com o mesmo nível de produção atual seja possível atender ao número crescente de consumidores com o desenvolvimento dos centros urbanos.

Outra importante vantagem das redes inteligentes é a possibilidade que elas conferem às concessionárias de mapearem as características de consumo dos clientes, facilitando o planejamento do sistema como um todo. Para que isso seja possível, será necessário substituir os atuais medidores eletromecânicos por versões digitais, que transmitem os dados em tempo real por meio de cabos de fibra ótica ou redes sem fio, sem a necessidade de deslocar técnicos para a medição pessoal.

E quais são as vantagens para os consumidores?

O sistema de Smart Grids também confere inúmeras vantagens aos consumidores. Com os medidores inteligentes, os clientes poderão acompanhar de perto e em tempo real o consumo. Isso confere mais autonomia para ajustarem hábitos e até mesmo reduzir o valor das contas, o que é interessante em termos financeiros e ambientais.

Além disso, as redes inteligentes criam uma nova dinâmica de mão dupla, em que os consumidores atuam como receptores e pequenos produtores de energia. Se, por exemplo, uma residência fizer uso de painéis solares e consumir menos energia do que produz, ela poderá armazenar (e até mesmo vender) o excedente por meio das Smart Grids conectadas à rede elétrica.

Outro avanço é que o estabelecimento de diferenças tarifárias ao longo do dia tornará possível escolher o melhor horário para utilização dos equipamentos elétricos que consomem mais energia, como chuveiros e ferros de passar, por exemplo. No Brasil, desde 1º de janeiro deste ano, a opção pela tarifa branca tornou-se disponível para todas as unidades consumidoras conectadas em baixa tensão (como residências e pequenos comércios).

Esse é um passo importante para estimular o consumo consciente, que certamente fará ainda mais sentido quando as Smart Grids alcançarem a população brasileira em larga escala.