Computação neuromórfica: o processamento inteligente de dados

Computação neuromórfica: o processamento inteligente de dados

A definição original de computação neuromórfica foi cunhada por Carver Mead do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), no final da década de 1980, e pode ser ilustrativamente resumida como a ideia de desenvolver computadores que se comportem de forma semelhante ao cérebro.

A ideia parte da tentativa de emular o funcionamento das sinapses neurais biológicas. Os processadores não seriam mais pré-programados, mas funcionariam a partir de conexões entre os circuitos que se estabelecem através do aprendizado constante vindo do tráfego de dados pelo chip dos computadores.

Essa nova dinâmica gera sinais que viajam para outros componentes do sistema computacional, mudando a rede "neural" de comunicação de forma semelhante ao que ocorre com os seres humanos. Em resumo: as ações se alteram em função da informação recebida, com alto dinamismo.

Como alcançar alto desempenho e baixo consumo de energia?

Nos últimos anos, as pesquisas em computação inspirada pela Natureza (bio-inspired computing) têm focado sobretudo num atributo bastante especial e singular do cérebro humano: sua elevada capacidade de desempenho e processamento com baixo gasto energético. É essa a grande diretriz que tem alavancado linhas de pesquisa mundo afora quando se fala em computação neuromórfica.

Em entrevista à Nature Communications, Dmitri Strukov, engenheiro elétrico e pesquisador da Universidade da Califórnia, afirma que:

"Alguns resultados existentes, embora realizem tarefas (cerebrais) simples como a classificação de imagens, têm mostrado uma enorme melhoria no uso da energia e da velocidade em comparação com a computação puramente digital, e alguns deles podem até superar o desempenho do cérebro humano"

Julie Grollier, física do Unite Mixte de Physique CNRS, acredita que a computação neuromórfica vai ainda mais além do processamento e dos algoritmos. Ela diz que a Inteligência Artificial (IA) precisa de um novo padrão de Hardware, que atenda à demanda infinitamente crescente de dados a serem armazenados e classificados.

computação neuromórfica: neurônios como inpiração de processamento
Computação Neuromórfica: neurônios como inspiração de processamento

Julie explica que, pelo fato de as unidades de processamento e memória estarem separadas nos computadores, há um grande consumo de energia proveniente do aumento expressivo no tráfego de dados entre um e outro. Esse dilema, entretanto, está sendo resolvido com o advento da nanotecnologia, pela qual é possível aproximar uma grande quantidade da memória ao processamento, e até mesmo integrá-los.

Essa integração está intimamente inspirada na dinâmica de trabalho do cérebro humano, em que as sinapses nervosas conseguem fornecer acesso direto à memória dos neurônios que processam a informação. Essa é, por sinal, uma das grandes razões que explica a elevada capacidade do cérebro biológico em unir potência e velocidade "computacionais" com baixo consumo de energia.

Ao imitar essa arquitetura, a computação neuromórfica fornece um caminho para a construção de chips inteligentes que consomem muito pouca energia e, enquanto isso, computam rápido, diz Julie Grollier.

A ideia é "copiar" o cérebro humano para fins computacionais?

A computação neuromórfica pode ser considerada um dos braços de uma ciência ainda maior: a Biomimética.

A Biomimética propõe-se a analisar estruturas, processos e sistemas bem-sucedidos da Natureza de tal modo que sirvam de inspiração para o desenvolvimento de tecnologias capazes de resolver as mais diversas demandas intrinsecamente humanas.

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É importante destacar que, embora a Biomimética fixe na observação profunda da Natureza seu referencial de análise, ela não prega que o desenvolvimento científico deva "imitar" o natural. Afinal, estaríamos apenas copiando o que já está pronto, engessando todo o vasto potencial tecnológico humano, capaz de ir muito além.

É por essa razão que várias linhas de pesquisa em computação neuromórfica não almejam reproduzir cegamente um cérebro artificial, mas adaptar as características do órgão a um objetivo de engenharia específico.

Dmitri Strukov explica que, ao longo da evolução, o cérebro humano sempre se desenvolveu a partir de biomateriais, mas que nos últimos anos uma enorme gama de novos materiais foram disponibilizados pela engenharia. Muitos deles, inclusive, são melhores condutores de eletricidade que os tecidos cerebrais biológicos, o que levaria à confecção de uma estrutura sintética análoga ainda mais eficiente. Esse é apenas um dos inúmeros exemplos em que podemos usar aquilo que a Natureza já certificou como funcional, ao longo dos 3.8 bilhões de anos de evolução, para tentarmos ir ainda mais longe.

Ainda nesse sentido, Julie Grollier aponta uma série de outras diferenças entre o biológico e o artificial, que certamente precisam ser melhor estudadas para elevar a computação neuromórfica a novos patamares. Entre elas, destacam-se:

  • O cérebro humano é constituído por sinapses e neurônios ,e não por blocos de memória e transistores;
  • Ele armazena informações de forma analógica e não em bits;
  • É extremamente "plástico", não se limitando à reconfigurabilidade;
  • Opera com base em complexos princípios bioquímicos, diferentemente dos processadores de computador que seguem a física de semicondutores e as leis da eletricidade.

A Computação Neuromórfica irá substituir a Digital?

Os pesquisadores acreditam que, em breve, a tecnologia neuromórfica estará inserida em sensores inteligentes de baixa potência, que extraem informações dos sinais analógicos para medir e tomar decisões simples sem se conectar à nuvem. Isso, claro, terá um grande impacto em várias outras tecnologias, como a Internet das Coisas (IoT).

E esse deve ser só o começo de uma série de inovações biomiméticas em computação que alcançará o mercado, com propostas muito eficientes, sobretudo em termos energéticos.

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Mas, diferentemente do que se pode imaginar, a computação neuromórfica não objetiva substituir a computação digital, altamente precisa e utilizada. A ideia é trazer uma nova ferramenta, com novas funcionalidades e mecanismos, que trabalhando em conjunto garantam o desenvolvimento de processadores ainda mais potentes que os atuais.

Quer saber mais sobre Biomimética?

O presente conteúdo usou trechos do artigo de Dmitri Strukov, Julie Grollier, Giacomo Indiveri e Stefano Fusi, licenciado segundo a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

EDP e V2COM juntas na expansão das Smart Grids 4.0

EDP e V2COM juntas na expansão das Smart Grids 4.0

O sistema Vision da V2COM ajudará o grupo EDP Brasil em sua missão de expandir o conceito de Smart Grid 4.0 também para os clientes de Baixa Tensão.

Tendo como base tecnológica a plataforma Oracle, a solução alcançará inicialmente 60 mil medidores em Vila Velha (ES), com potencial de escalabilidade para atender mais de 5 milhões de pontos.

Entre os principais diferenciais do sistema Vision, destacam-se as diferentes camadas que garantem a interoperabilidade com os mais diversos padrões de medidores, redes e protocolos. Sua exclusiva arquitetura de gestão de conectividade (MDC) filtra e isola complexidades com elevada velocidade e segurança, permitindo que a camada MDM do sistema trabalhe com muito mais inteligência. Dessa forma, garante máxima eficiência, dinamismo e confiabilidade nos processos, através de críticas automáticas de dados e possibilidade de análises ativas de forma remota por parte dos operadores.

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Parceira oficial da Oracle na América Latina na área de implantação de MDM, a V2COM possui vasta experiência no rollout de projetos dessa magnitude, sempre comprometida em garantir a agilidade na implantação e nos preparativos para o deployment.

Essa nova iniciativa junto ao Grupo EDP — amplamente reconhecido pelos investimentos em tecnologia de ponta — promete ser mais um grande passo rumo à transformação operacional da empresa e, claro, ao uso ainda mais eficiente da energia elétrica.

A V2COM:

Pertencente ao Grupo WEG, a V2COM é líder em Soluções de IoT e Sistemas Inteligentes com mais de 1 milhão de dispositivos conectados em todo o mundo.

Desde 2002, desenvolvendo tanto tecnologia de Hardware quanto Software com arquitetura aberta e modular, a V2COM fornece soluções integráveis a diferentes equipamentos e sistemas legados, o que permite uma fácil incorporação aos avanços tecnológicos futuros.

Sua premiada plataforma acelera a implantação de projetos e impulsiona o Retorno sobre o Investimento (ROI) para empresas com processos complexos de diferentes setores, como Utilities, Indústria 4.0, Agronegócio, Smart Cities.

A EDP:

Ao longo de 40 anos de história, o Grupo EDP cimentou presença relevante no panorama energético mundial, atuando em 16 países, de 4 continentes.

Utility multinacional verticalmente integrada, a EDP conta com mais de 11.500 colaboradores e atua em toda a cadeia de valor da eletricidade e na atividade de comercialização de gás. É a quarta produtora de energia eólica do mundo e quase 70% da energia produzida é renovável.

A EDP integra o Índice de Sustentabilidade Dow Jones (World), o ranking mais exigente do mundo que distingue as empresas com melhor performance em transparência, sustentabilidade e excelência em gestão econômica, ambiental e social.

 


Plataforma de IoT

Internet das Coisas: o cérebro da Transformação Digital

Internet das Coisas: o cérebro da Transformação Digital

Companhias da indústria de máquinas e equipamentos estão na corrida da Transformação Digital. É o que aponta a pesquisa Periscope Machinery and Industrial Automation da McKinsey, pela qual 25% dos entrevistados informam já terem digitalizado seus negócios de insumos, peças de reposição e outros serviços, enquanto 66% deles afirmam estar em vias de fazê-lo.

O estudo mostra que as iniciativas digitais estão diretamente relacionadas ao sucesso dos negócios, através de dois principais indicadores: Retorno Total para o Acionista (Total Return to Shareholders - TRS) e Crescimento de Receita.

Empresas maduras no processo de Transformação Digital chegam a alcançar TRS, a três anos, quase 300% maior e CAGR, a cinco anos, 400% maior em relação às companhias mais atrasadas na digitalização.

Internet das Coisas
Fonte: McKinsey

Esses dados ajudam a explicar o porquê de as tecnologias digitais estarem se espalhando com grande velocidade nos mais diversos segmentos. A Internet das Coisas (IoT), por exemplo, já é utilizada hoje por 25% das empresas (em 2014, eram apenas 13%). Em relação ao número de dispositivos conectados pela tecnologia, deve saltar de aproximadamente 15 bilhões, em 2018, para 43 bilhões, em 2023.

A McKinsey defende que os investimentos em IoT crescerão 13,6% ao ano, até 2022. Isso, claro, a depender do progresso de tecnologias de suporte, como a rede 5G, que pode levar a um crescimento de 30% ao ano (até 2022) no número de dispositivos conectados em grandes áreas, com baixa transmissão de dados. Além disso, a evolução dos sensores, do processamento computacional e da conectividade móvel mais confiável também serão cruciais para o sucesso da Internet das Coisas.

Os novos sensores, ao se tornarem cada vez mais baratos e disponíveis, ampliarão em níveis jamais vistos suas possibilidades de aplicação. As tradicionais barreiras financeiras, que inviabilizaram muitos projetos de IoT, começam a dar espaço para um mundo de infinitas possibilidades em que simplesmente tudo (ou quase tudo) poderá ser mensurado, conectado, processado e analisado. Essa detecção em larga escala, claro, está diretamente vinculada à capacidade de computação que, só nos últimos 15 anos, aumentou mais de 100 vezes.

Plataforma de IoT: a escolha-chave da transformação digital

A plataforma de IoT é o "cérebro" da transformação digital por que passa uma empresa, e para que traga resultados práticos deve se adequar perfeitamente às necessidades particulares e estratégias que cada companhia delimita.

Por essa razão, é tão importante considerar a expertise técnica do parceiro tecnológico para a jornada de transformação digital. Empresas desenvolvedoras que garantem a escalabilidade e a interoperabilidade das soluções estão, certamente, um passo à frente. Isso porque esses são os principais atributos que os sistemas de IoT devem oferecer quando se pretende atingir implantações rápidas e, claro, um ROI atrativo para o projeto.

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Para tanto, é preciso levar em conta o quão "inteligente" é arquitetura das camadas que compõem a plataforma, pois é dela que virá toda a segurança, a eficiência e a compatibilidade com os mais diferentes padrões de rede, protocolos e dispositivos que existem no mercado.

A McKinsey sugere alguns requisitos que devem ser levados em conta, antes de se escolher uma plataforma de IoT. São eles:

plataforma de IoT

plataforma IoT
Fonte: McKinsey

Sem flexibilidade (e a facilidade de customização), as plataformas de Internet das Coisas perdem sua capacidade de garantir a escalabilidade dos resultados ao longo do tempo, uma vez que sempre serão necessários desenvolvimentos complexos e custosos, toda vez que um novo protocolo de comunicação for integrado à rede de dispositivos conectados.

 

 

 


WEG

WEG becomes majority shareholder of V2COM

WEG becomes majority shareholder of V2COM

Message from Guilherme Spina, CEO of V2COM

In the coming years, we will live in a time for which we have been preparing ourselves practically from birth. In 2020, we will be 18 years old, reaching adulthood with a mixture of feelings typical of that age. We may think a lot of work has already been done, but we are just about to start.

V2COM was born for the purpose of using wireless communication networks to connect remote devices. Our ambition is to connect as many of them as possible. From the very beginning, analysts project everything would be connected in the future. Since then, we've worked hard to build that future: 2G, 3G, 4G and now towards 5G, GPRS, EDGE, ZigBee, BlueTooth, Mesh, BLE, WiMAx, WiFi, PLC, LoRa, SigFox.

In the meantime, networks have become cheaper and cheaper, more data has been extracted, systems have become more sophisticated — alphabet soup has never been so complex! Therefore, our solutions must be even simpler. After all, a device will only be connected if the solution costs less than the problem does.

On the other hand comes WEG, founded in Jaraguá do Sul, in 1961, by Messrs Werner, Eggon and Geraldo, tenacious workers who stamped on the company's DNA important values such as discipline, integrity, organization, the ability to dream big, excellence and care for people. WEG, with its unlikely origin, became a Brazilian giant, operating in more than 130 countries, with more than 30,000 employees and factories from the USA to China. Since the beggining, it has always developed systems: was born with 20th century Electrical Systems (motors and transformers), grew with Automatic Systems towards the new century (drivers, PLC, s, inverters) and now targets Intelligent Systems (IoT and Industry 4.0) to continue growing in a sustainable way.

"Men motivated by an idea are the basis for success," said Mr. Eggon.

So, what will we work for? Where will we put our efforts? What do we want the 21st century to look like?

A good answer should be: we want a greener, fairer and more intelligent world. The migration of the energy mix to renewable sources, increase of efficiency in production processes (mineral extraction, agriculture and industry), electrification of mobility, reduction of waste, more rational decision-making based on data reducing costs and risks. All these trends become reality with solutions from WEG and V2COM.

V2COM is now part of the WEG Group. We keep stronger and more determined, with the structural and capital support of one of the most successful Brazilian companies of all times, a fact that fills us with pride and increases our responsibility.

Now we have the tremendous challenge of "showing what we came for", taking advantage of this huge opportunity to spread intelligence! Our access to other verticals and other markets grows steadily. Our limit will be our own ability to organize and co-work (work together) in order to connect the largest number of devices!

Guilherme Spina
V2COM CEO


WEG se torna sócia majoritária da V2COM

WEG se torna sócia majoritária da V2COM

Mensagem de Guilherme Spina, CEO da V2COM

Nos próximos anos, viveremos um tempo para o qual nos preparamos praticamente desde o nascimento. Em 2020, faremos 18 anos. Chegaremos à vida adulta com uma mistura de sentimentos típicos dessa idade. Achamos que fizemos muito, mas temos certeza de que, na verdade, ainda nem começamos.

A V2COM nasceu com o propósito de usar as redes de comunicação sem fio para conectar dispositivos remotos. E nossa ambição é conectarmos o maior número possível deles. Desde o início, a projeção dos analistas é que no futuro tudo estaria conectado. E, desde então, trabalhamos duro para construir esse futuro. 2G, 3G, 4G e agora rumo ao 5G. GPRS, EDGE, ZigBee, BlueTooth, Mesh, BLE, WiMAx, WiFi, PLC, LoRa, SigFox. Nesse caminho as redes foram ficando cada vez mais baratas, mais dados são extraídos, mais complexos vão ficando os sistemas, vai aumentando a sopa de letrinhas e, por isso, cada vez mais simples devem ser nossas soluções. Afinal, um ponto somente vai ser conectado se o custo da solução for menor que o custo do problema.

E de outro lado vem a WEG, fundada em Jaraguá do Sul, em 1961, pelos Sres. Werner, Eggon e Geraldo, trabalhadores incansáveis que estamparam no DNA da empresa os valores da disciplina, da integridade, da organização e também da capacidade de sonhar grande, da excelência e do cuidado com as pessoas. A WEG, com sua origem improvável, tornou-se uma gigante brasileira, atuando em mais de 130 países, com mais de 30 mil colaboradores e fábricas dos EUA à China, pela tenacidade desse DNA. Nesse tempo, sempre desenvolveu sistemas. Nasceu com os Sistemas Elétricos no século XX (motores e transformadores), cresceu com Sistemas Automáticos rumo ao novo século (drivers, PLC,s, inversores) e, agora, mira nos Sistemas Inteligentes (IoT e Industria 4.0) para seguir crescendo de forma sustentável.

Homens motivados por uma ideia são a base do êxito”, dizia Sr. Eggon.

Assim, para que trabalharemos? Onde colocaremos nossos esforços? Como queremos que seja o século XXI?

Uma boa resposta é: queremos um mundo mais verde, mais justo e mais inteligente. A migração da matriz energética para fontes renováveis, o aumento de eficiência nos processos produtivos (na extração mineral, na agricultura e na indústria), e a eletrificação da mobilidade, a redução dos desperdícios e dos resíduos, a tomada de decisão mais racional baseada em dados diminuindo os custos e os riscos, todas essas tendências se tornam realidade com a oferta de soluções da WEG e da V2COM.

A V2COM agora faz parte do Grupo WEG. Seguimos mais fortes e mais determinados, com o suporte de estrutura e capital de uma das empresas brasileiras de maior sucesso de todos os tempos, fato que nos enche de orgulho e aumenta nossa responsabilidade.

Agora temos o imenso desafio de “mostrar a que viemos”, aproveitar essa enorme oportunidade para distribuir inteligência! Nosso acesso a outras verticais e outros mercados cresce fortemente. Nosso limite será nossa própria capacidade de nos organizarmos e co-laborarmos (trabalharmos juntos) para conectarmos a maior quantidade de pontos!

Grande abraço,

Guilherme Spina
CEO V2COM


IIoT-e-sustentabilidade

Biomimética é aplicável em todos os segmentos, afirma referência internacional no assunto

Biomimética é aplicável em todos os segmentos, afirma referência internacional no assunto

Uma ciência "aplicada e aplicável em qualquer área e em qualquer setor". O exercício de "olhar para o mundo natural, e para o nosso próprio mundo, com novas perspectivas, através de novos ângulos. Ver tanto os problemas, quanto os processos para a resolução de problemas". É assim que a Biomimética — eleita pela Forbes Magazine uma das cinco maiores tendências em inovação —  é definida pela co-Fundadora do Biomimicry Brasil e fundadora do bio-inspirations, Alessandra Araújo.

Em entrevista à V2COM, a designer de inovação e bióloga referência internacional no assunto constrói um panorama detalhado da Biomimética no Brasil: a progressão para os próximos anos, os desafios para expansão e sua aplicabilidade quando o assunto é inovação.

Esse conteúdo faz parte de nossa série sobre Biomimética, produzida desde janeiro, quando o CEO da V2COM, Guilherme Spina, participou de um Workshop de Imersão do Biomimicry Institute, na Costa Rica.


Como você avalia a progressão da Biomimética no Brasil para os próximos anos?

Eu acredito que a Biomimética está crescendo muito no Brasil. Eu vejo meu próprio trabalho como um termômetro. Abri a empresa (Bio-Inspirations) focada apenas em Biomimética há dois anos e meio — apesar de que já trabalho na área há quase uma década — e a demanda por cursos e por eventos está cada vez maior. Tenho feito trabalhos com bastante profundidade em quase todos os setores. Este ano, por exemplo, fiz um inédito com uma corporação de seguros canadense em que atuei com a prototipagem (Biomimicry Thinking) em todas as áreas de negócios da empresa. Muito desse trabalho foi focado em engajamento de equipe, sucessão profissional, melhoria de comunicação, entendimento de valor da cadeia de negócios... São temas que usualmente não estamos acostumados a pensar com Biomimética, mas que foram muito bem trabalhados, com bastante profundidade, e que trouxeram diversos insights para o planejamento da empresa do próximo ano.

Na área de inovação, tenho recebido demandas do SEBRAE, vinculado ao Ministério do Trabalho, que recentemente me contratou para fazer rodadas ao redor do Brasil. A demanda tem sido muito grande, não apenas no aspecto interrelacional dentro das empresas, mas também para fomentar novos negócios, e uma nova forma de inovar.

Outro importante uso da Biomimética acontece na ideação, junto aos Design Thinkers, onde ela funciona como uma fonte de luz. Às vezes, dentro do processo de Design Thinking — depois de analisada em profundidade qual é a percepção do desafio dentro de relações empáticas com os stakeholders — pode ocorrer uma sutil (falando com bastante respeito) "travada" diante de qual poderia ser a ideia para resolver aquele determinado assunto. E a Biomimética entra justamente como uma forma muito elucidativa para trazer essa etapa de ideação. Como resolver um problema que já foi profundamente trabalhado e entendido com o mercado.

A Biomimética já está amplamente difundida entre as empresas, ONGs, universidades e governo brasileiros?

Sim, eu vejo muitas companhias brasileiras — ou estrangeiras que estejam no Brasil — cada vez mais compreendendo o valor da Biomimética. Ainda há um espaço muito grande a percorrer, um potencial enorme... Estamos bem no início de entender o valor, mas ele já começa a ser percebido.

Com relação às universidades, vejo algumas aplicando a Biomimética dentro de suas cadeiras de ensino. Eu mesma já realizei vários trabalhos em universidades do estado de São Paulo. Sou frequentemente convidada para dar palestras e, com relação à formação em si, já atuei em duas instituições de ensino. Há também muita interconexão entre eventos — que promovo e participo — e essas instituições. As faculdades onde não há a Biomimética dentro da cadeira curricular, já tem (a Biomimética) como uma disciplina que, embora não regular, traz o conhecimento para a área de inovação.

Dentro do Governo, eu acho que ainda é incipiente. Tem uma iniciativa recém-lançada por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia, que faz uma correlação com o design criado pela Natureza. É uma etapa anterior à profundidade da própria Biomimética, mas acho que o governo está começando a entender a profundidade disso.

Se você pudesse dar uma "dica" a uma empresa que está prestes a iniciar sua trajetória na Biomimética, qual seria?

É preciso ter uma conversa bastante profunda sobre o que a empresa precisa, o que ela quer fazer, tanto no sentido na inovação, quanto na melhoria de seu processo interno, seja com melhores relações entre as pessoas, propostas mais colaborativas... Aliás, a colaboração está muito vinculada à criação. Como a Biomimética trata de vida — e cria uma ponte entre a genialidade que podemos observar na Natureza e a demanda de processos criados pelo homem —, é importante ter bastante clareza sobre o espaço ocupado por nós (humanos) e a necessidade de inovar. É dessa reflexão que será construída uma ponte muito mais sólida entre a ciência e a Natureza.

Quais os maiores desafios que as empresas enfrentam quando tentam colocar a Biomimética em prática? 

O grande desafio é mudar o status quo, a maneira como as coisas são feitas. Não só o próprio processo de Design Thinking traz uma ruptura para a conhecida sequência linear de pensamento — "temos um problema, e já temos uma solução" —, mas também a Biomimética. Ela, aliás, traz uma disrupção a mais: além de quebrar essa linearidade, também coloca um novo componente, que é olhar como a Natureza faz o que eu gostaria de resolver.

E, para isso, é preciso fazer uma nova pergunta. Entender o que de fato é o meu desafio para, então, olhar a Natureza, e ver como ela responde. Esse processo nem sempre é automático, nem sempre é simples, e, muitas vezes, precisa de uma facilitação. Então, o desafio para as empresas é trazer essas novas "lentes"; esse olhar para o mundo natural e para o nosso próprio mundo com novas perspectivas, através de novos ângulos... Ver tanto os problemas, quanto os processos para a resolução de problemas.

ROI (Retorno sobre Inspiração): como você define essa métrica?

Acho o ROI fantástico! Eu definiria essa métrica como infinita. Nós somos a própria Natureza, e o caminho da Biomimética é, através de um olhar para fora, entender nosso grande valor também olhando para dentro. Nós, seres humanos, temos quase 3.8 bilhões de anos de evolução acumulados em nossa constituição bioquímica, física, energética... Trabalhar com essa ponte de conhecimento do universo natural também amplia o nosso próprio conhecimento.

Tomo uma licença, quase poética, de dar muito mais corpo a algo tão importante, que é a intuição. Essa voz de conhecimento que nos diz qual o melhor cenário, a melhor resposta, a melhor forma de pensar em alguma solução. A Natureza opera o tempo todo com um alinhamento muito fino do que está acontecendo em seu contexto e o que precisa ser feito. Nós (humanos), ao contrário, estamos um pouco menos despertos para perceber a demanda que está sendo apresentada.

Assim, eu acredito que, a partir do momento em que criamos essa conexão com o universo natural, aumentamos a potencialidade dessa conexão interna. E, com isso, aumentamos a criatividade, que é inerente a nós. Somos todos extremamente criativos, somos todos designers... Às vezes, precisamos apenas de uma nova porta, ou de uma nova possibilidade para isso ser muito mais aflorado no cotidiano.

Como uma empresa pode aplicar o ROI de uma maneira prática?

Essa resposta tem um componente muito interessante que é sair do automatismo. Sair deste lugar de que "como sempre fizemos, e deu certo, continuaremos a fazer". Sabemos que tudo que acontece no planeta Terra opera por impermanência: nenhum dia é igual ao outro, os negócios mudam o tempo todo, as pessoas mudam de hábitos, as possibilidades mudam. Esse universo digital, que cada vez se apresenta com mais sofisticação, tem mudado — e vai mudar ainda mais — nossos hábitos de relacionamento, de consumo... Então, eu acredito que é fundamental sair do automático, de um lugar quase que conservador, e entendermos que, a cada dia, criamos e vivemos novas realidades.

Isso, sim, tem muito a ver com a necessidade de responder as demandas atuais de uma forma criativa, alinhada e humana. Humana no sentido de que podemos fazer sempre mais e melhor não só para nós, mas para todos os outros seres. Às vezes, tenho conversas profundas e belas sobre o Human-Centered Design (HCD), mas é importante saber de que "Human" estamos falando. Qual a qualidade desse humano? É um ser humano que tem completo entendimento de que todos os seres vivos têm muito valor? Eu acredito que é apenas a partir dessa expansão de consciência que realmente tudo o que for feito dentro dessa concepção de Human-Centered Design faz muito sentido.

Como você vê a relação entre a Internet das Coisas e a Biomimética?

Tudo o que acontece no universo tecnológico e digital tem muita manifestação no mundo natural. Os mapas de fluxo de Internet são muito parecidos com os mapas de sinapses nervosas, que também são muito semelhantes às redes de microrrizas (das raízes das árvores). A complexidade das redes virtuais ou de Inteligência Artificial é muito semelhante à complexidade dos sistemas vivos. Hoje, o que essas inteligências estão emergindo e manifestando são e nascem da Natureza. O homem começa a colocar em softwares, em processos e projetos essa inteligência, essa complexidade que vem, sim, de sistemas vivos. Há uma conexão absolutamente íntima, espelhada. Eu não vejo distância entre esses dois universos.

Existe algum exemplo de um Sistema Biológico de IoT?

Há várias inovações que já tiveram algoritmos e soluções que vieram de elementos naturais. Por exemplo, o algoritmo do Waggle Dance das abelhas — o processo de decisão para a mudança de colmeia — já resolveu muitos problemas de fluxo de Internet. Algoritmos de crescimento de alguns fungos já ajudaram bastante o entendimento de softwares de distribuição logística, pensando em rotas mais eficientes. Então, eu vejo que há uma intimidade muito grande entre essas traduções, essas matemáticas sagradas que acontecem no universo natural com soluções do mundo digital.

A Biomimética pode ser aplicada a qualquer segmento de negócios, ou há algum tipo de restrição?

Essa pergunta é belíssima! Eu acho que não existe nenhuma restrição porque, fundamentalmente, o Biomimicry Thinking, ou a Biomimética, é um modelo de criação, uma forma de pensamento. E, em razão disso, ela é aplicada e aplicável em qualquer área e em qualquer setor. Eu acredito, inclusive, que ela permite até mesmo a expansão dos próprios negócios, pois toda vez que trabalhamos com cenários análogos, criamos momentos paralelos.

Toda vez que limitamos nossa área do conhecimento, colocando tudo numa caixa — como em processos de educação e de transmissão de informação, sempre tratados dentro de seus universos respectivos (Engenharia só fala com Engenharia; Biologia com Biologia) —, deixamos de ter uma ampliação de visões e de conhecimentos que podem ser complementares. Quando trabalhamos e damos profundidade a qualquer complementariedade, trabalhamos intrinsecamente com a colaboração.

Se repararmos no boom de espécies do planeta Terra, muito se deu por processos colaborativos. Nosso próprio corpo é a resposta evolutiva disso. Basta ver que dentro de nós existem muito mais células de bactérias do que células humanas. Assim, eu vejo que o trabalho transdisciplinar, quando falamos em inovação, é a única forma de darmos conta das mudanças que vêm por aí, sejam por fenômenos naturais, mudanças mercadológicas, econômicas... E isso tudo é inevitável: não paramos o universo; existe sempre um fluxo constante de renovações e impermanências.

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