5G no setor de energia

Qual a importância da infraestrutura inteligente para o setor elétrico?

Após dois anos de pandemia, volta à pauta a importância da modernização da infraestrutura inteligente como meio fundamental para garantir a retomada do crescimento econômico através da aplicação de tecnologias digitais de ponta.

A meta é garantir o gerenciamento otimizado de recursos críticos, como água, energia e iluminação pública, viabilizando a digitalização em larga escala das rotinas de medição e manutenção preditiva, garantindo-se, assim, o alicerce estrutural para outros setores da economia.

As tecnologias estão diretamente ligadas à redução de custos operacionais e diminuição de perdas, com impacto direto na qualidade dos serviços prestados, sem perder de vista o atingimento de novos parâmetros de sustentabilidade e crescimento no longo prazo.

Infraestrutura Inteligente no Setor Elétrico: um setor em destaque

No que se refere especificamente ao setor elétrico brasileiro, há ainda uma vasto campo de renovação de infraestrutura a ser desbravado, o que impacta positivamente toda a cadeia de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia.

Em primeiro plano, é preciso destacar a urgente necessidade de substituição e modernização de equipamentos e instalações críticas com vida útil já esgotada Brasil afora. Essa renovação é especialmente importante para viabilizar a incorporação das novas tecnologias aplicáveis ao setor de forma escalável.

É também de fundamental importância avançar com a implementação de medidores conectados inteligentes, capazes de contemplar opções tarifárias mais compatíveis com os custos reais de fornecimento de energia e com as características específicas de cada classe de consumidor final.

A modernização do setor é ainda imprescindível para acomodar uma nova realidade de geração distribuída, com destaque para as provenientes de fontes eólica e solar. O fluxo bidirecional de energia precisa ser atendido por uma infraestrutura adequada e compatível com esse novo formato, inclusive agregando novas ofertas de serviços e usos, como o carregamento de veículos elétricos.

Ainda nesse sentido, a renovação da infraestrutura do setor garante a integração e implementação em larga escala de sistemas avançados de telegestão e monitoramento de ativos distribuídos, com a aplicação do que há de mais moderno no mundo da tecnologia, como IoT, cloud e fog computing, Inteligência Artificial, entre outros.

América Latina: digitalização para crescimento no PIB da região

Uma recente pesquisa da GSMA apontou as tecnologias digitais como fundamentais para superar os desafios estruturais típicos das cidades do século passado, permitindo o início de uma nova dinâmica digital compatível com as demandas do século XXI.

Esse cenário é ainda mais sensível quando pensamos na América Latina, a região mais urbanizada do globo, em que o desenvolvimento inteligente das cidades pressupõe o gerenciamento de uma quantidade infindável de ativos.

Segundo o relatório "A Economia Móvel da América Latina 2021", a região deve experimentar um crescimento de 67% na expansão do 4G, número 12% maior que o estimado para 2020. A tecnologia celular é fundamental para garantir a escalabilidade e a segurança das aplicações de Internet das Coisas que impactam as questões estruturais das cidades, como o fornecimento de água, energia, gás, iluminação pública e saúde.

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No que se refere ao 5G, a tecnologia deve somar 12% de todas as conexões até 2025, momento em que teremos ao menos 1.2 bilhão de conexões na América Latina, um volume capaz de gerar mais de 31 bilhões de dólares em receita.

Com a tecnologia de quinta geração, haverá um sobressalto bastante importante no alcance e robustez das soluções de IoT, especialmente em razão da maior largura de banda e velocidade de conexão disponíveis.

Por sinal, segundo dados do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), um aumento de 10% na penetração da banda larga na América Latina pode levar a um crescimento de até 3,19% no PIB e 2,16% em produtividade.

Esses dados são de fundamental importância, visto que a região ainda carece de tecnologias de ponta com aplicação sistêmica em diferentes setores da economia, capazes de garantir vantagem competitiva de forma plenamente sustentável.


Energia Sustentável

Manutenção Preditiva reduz custos de usinas eólicas

No Brasil, a energia eólica representa 12% da matriz elétrica, com mais de 800 parques eólicos em 12 estados e mais de 9.200 aerogeradores em operação. Apenas para efeitos de comparação, em 2020, eram aproximadamente 7.540 aerogeradores espalhados em cerca de 620 parques eólicos.

Só em julho deste ano, o setor atingiu 22 gigawatts (GW) de capacidade instalada, montante suficiente para abastecer quase 30 milhões de residências todos os meses. Projeções da ABEEólica mostram que, até 2026, devemos alcançar 37,09 GW de capacidade eólica instalada.

No gráfico abaixo, podemos ver a situação atual da matriz elétrica do Brasil. Os números reforçam nossa posição como um país que já possui mais de 85% da matriz elétrica composta por energias renováveis, enquanto a média mundial é de 30%.

eficiência da usina eólica

 

Os parques eólicos são um excelente exemplo de máquinas conectadas que podem operar de forma independente, ao menos até que algo de errado interrompa o andamento dos processos. E é justamente aí que entra a Internet das Coisas.

Os sistemas mais avançados de IoT permitem o aumento contínuo da eficiência das usinas eólicas, ao mesmo tempo em que preveem com elevada confiabilidade o melhor momento para a manutenção dos ativos, evitando custos desnecessários.

Manutenção Preditiva Inteligente diminui custos

Ao redor do mundo, as fazendas eólicas estão travando importantes batalhas para manter a eficiência dos sistemas. Intempéries climáticas — como chuvas excessivas, tempestades de areia, fortes vendavais, oscilações térmicas e movimento das marés — diminuem o intervalo de tempo necessário entre as manutenções, aumentando os custos.

Há poucos anos, a região do Mar do Norte — conhecida pela agressividade dos ventos —  sofreu importantes perdas devido a problemas com o mapeamento de manutenção. Engenheiros tiveram que examinar e reformar 206 torres às pressas, após danos não previstos.

Na Alemanha, uma outra fazenda eólica sofreu com o colapso de vários aerogeradores muito antes do esperado. Acreditava-se que os ativos trabalhariam sem problemas por pelo menos 15 meses quando, na verdade, eles aguentaram apenas 15 semanas de funcionamento.

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Diante disso, e visando evitar novas surpresas desagradáveis, as engenharias de projetos passaram a se apoiar nas novas tecnologias de IoT para garantir a total eficiência das usinas eólicas. Fez-se necessário o acompanhamento automático e em tempo real dos parques para evitar o colapso dos sistemas e os altos custos com reparos e substituição de peças.

Essas tecnologias tornam-se ainda mais necessárias toda vez que uma fazenda decide adicionar megawatts ao esquema geral do sistema, o que eleva a importância fundamental da manutenção preditiva.

Sensores de alta capacidade associados a plataformas de IoT robustas e inteligentes permitem mapear e monitorar, em detalhes, o cisalhamento e a velocidade do vento, a temperatura atmosférica e do mar, o torque, a vibração dos sistemas, entre muitas outras variáveis. Todas elas, juntas, fornecem informações que levam à tomada de decisão segura e no tempo certo.

 

Uma turbina pode ter mais de 150 sensores acoplados
Uma turbina pode ter mais de 150 sensores acoplados

A partir dessa coleta de dados, as plataformas de Internet das Coisas geram respostas instantâneas a todo e qualquer problema que possa aparecer, corrigindo-os no menor intervalo de tempo possível. Mais do que isso, a inteligência dos softwares garante que a operação se antecipe às falhas, disparando avisos que permitem alterações processuais, antes mesmo que o dano torne-se realidade.

Tudo isso em conjunto, claro, diminui os custos operacionais.

Plataformas de IoT elevam a eficiência das usinas eólicas

Redes industriais conectadas a estruturas remotas, como as fazendas eólicas, precisam de sistemas redundantes. Os projetos de turbinas devem ser compostos por alertas ativos e antecipados, além de respostas automáticas de segurança (shutout / shutoff). Desse modo, é possível se adiantar na resolução de problemas, sem interrupções desnecessárias que geram perdas financeiras.

E, nesse processo, as plataformas de IoT são peça-fundamental. Com capacidade de trabalhar uma quantidade enorme de dados por segundo, elas diminuem o tempo de resposta dos sistemas, enquanto elevam a inteligência do mecanismo como um todo: quanto mais dados e respostas automáticas, mais a plataforma adquire capacidade preditiva com elevada acuracidade.

Esse padrão de rede para ambientes externos funciona em sentido duplo. De um lado vai o dado transmitido do sensor até a placa de emergência; do outro, volta o comando com a ação a ser tomada. Como exemplo, quando se recebe o dado de superaquecimento, tem-se como resposta imediata o desligamento dos equipamentos.

Esse vaivém de dados e respostas eleva o refinamento do sistema, de tal forma que as escolhas ficam ainda mais eficientes. Quando os aspectos de aprendizagem das redes se combinam com sistemas redundantes e mais robustos, eles passam a trabalhar juntos, tornando o aprendizado ainda mais rápido, numa espécie de ciclo virtuoso. Voltando ao exemplo anterior, em vez de uma resposta para desligar por completo o sistema, poderia ocorrer apenas a ordem de desaceleração, ou mesmo o desligamento de apenas uma única turbina.

V2COM: aliada estratégica do mercado de energia 

A V2COM consolidou-se no mercado nacional e internacional por ser um dos poucos fornecedores de soluções de IoT ponta à ponta. Com isso, garante um elevado grau de customização dos projetos, que se adequam perfeitamente às mais diferentes necessidades dos clientes.

Por desenvolver integralmente tanto hardware quanto software, a V2COM alcançou um padrão de tecnologia plenamente compatível com as inovações, integrando-se perfeitamente a diferentes realidades de forma bastante ágil e flexível.


Energia

Furtos e erros de medição de energia afetam 2,9% das receitas de distribuidoras

A produção de energia limpa a partir da mesma matriz energética é um desafio comum à maioria dos países. Pesquisas indicam que ao menos 25% do total de gases do efeito estufa seriam resultado do processo de geração de energia com base não renovável.

No Brasil, embora a matriz elétrica seja aproximadamente 86% renovável, observa-se que grande parte do que é gerado e transmitido sofre com as chamadas perdas técnicas e não técnicas, antes de chegar ao destino final.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os custos decorrentes de furtos de energia ou erros nos processos de medição e faturamento representam 2,9% das receitas das distribuidoras no Brasil. Em alguns casos, como na Região Norte, chegam a 10,7%

  •  Perdas Técnicas são aquelas inerentes ao transporte da energia elétrica na rede, relacionadas à transformação de energia elétrica em energia térmica nos condutores (efeito joule), perdas nos núcleos dos transformadores, perdas dielétricas, etc. Podem ser entendidas como o consumo dos equipamentos responsáveis pela distribuição de energia.
  • Perdas Não Técnicas correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Esse tipo de perda está diretamente associado à gestão comercial das distribuidoras.

Seja pela necessidade de implantar um modelo distribuído, com a inclusão de fontes mais limpas (como energia solar e eólica), seja para diminuir as perdas técnicas e não técnicas, as chamadas Smart Grids têm sido a grande aposta para conferir mais inteligência à produção, distribuição e consumo de energia.

Vantagens das Smart Grids para as concessionárias de energia

As Smart Grids são uma nova arquitetura de redes de energia elétrica, que integra e possibilita ações a todos os usuários a ela conectados. Elas fazem uso de tecnologia de ponta, como a Internet das Coisas (IoT), e permitem a transmissão e a distribuição de energia de forma descentralizada, com base em informações em tempo real ao longo de toda a cadeia.

Segundo a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), as redes elétricas inteligentes devem atender cerca de 74,4 milhões de usuários no Brasil, até 2030. E isso trará impacto positivo direto para as concessionárias de energia.

Com as Smart Grids, é possível identificar instantaneamente qualquer possível queda no fornecimento da rede e tomar as medidas necessárias de forma remota para restabelecer o fornecimento. Esse mecanismo não apenas diminui os custos com o deslocamento de equipes para o local da queda, mas também ajuda a prevenir fraudes e a controlar perdas de energia, bastante comuns no Brasil.

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5G no setor de energia: mais segurança, eficiência e qualidade nos serviços prestados

Atualmente, cerca de 15% dos quilowatts (kW) produzidos no país são perdidos entre a geração e o consumo, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Com a medição inteligente, aumenta-se a precisão para identificar esses pontos de escape, de tal forma que com o mesmo nível de produção atual seja possível atender ao número crescente de consumidores com o desenvolvimento dos centros urbanos.

Outra importante vantagem das redes inteligentes é a possibilidade que elas conferem às concessionárias de mapearem as características de consumo dos clientes, facilitando o planejamento do sistema como um todo. Para que isso seja possível, será necessário substituir os atuais medidores eletromecânicos por versões digitais, que transmitem os dados em tempo real por meio de cabos de fibra ótica ou redes sem fio, sem a necessidade de deslocar técnicos para a medição pessoal.

E quais são as vantagens para os consumidores?

O sistema de Smart Grids também confere inúmeras vantagens aos consumidores. Com os medidores inteligentes, os clientes poderão acompanhar de perto e em tempo real o consumo. Isso confere mais autonomia para ajustarem hábitos e até mesmo reduzir o valor das contas, o que é interessante em termos financeiros e ambientais.

Além disso, as redes inteligentes criam uma nova dinâmica de mão dupla, em que os consumidores atuam como receptores e pequenos produtores de energia. Se, por exemplo, uma residência fizer uso de painéis solares e consumir menos energia do que produz, ela poderá armazenar (e até mesmo vender) o excedente por meio das Smart Grids conectadas à rede elétrica.

Outro avanço é que o estabelecimento de diferenças tarifárias ao longo do dia tornará possível escolher o melhor horário para utilização dos equipamentos elétricos que consomem mais energia, como chuveiros e ferros de passar, por exemplo. No Brasil, desde 1º de janeiro deste ano, a opção pela tarifa branca tornou-se disponível para todas as unidades consumidoras conectadas em baixa tensão (como residências e pequenos comércios).

Esse é um passo importante para estimular o consumo consciente, que certamente fará ainda mais sentido quando as Smart Grids alcançarem a população brasileira em larga escala.

 


Tecnologia 5G

Conectividade e segurança no 5G

Unir conectividade e segurança é um dos grandes desafios da atualidade. O rápido crescimento do ecossistema de Internet das Coisas nos últimos anos colocou em campo bilhões de dispositivos inteligentes. Uma quantidade infinita de dados transita a cada segundo ao redor do mundo, conectando máquinas, pessoas e processos em um formato de interação jamais visto.

Se por um lado essa revolução digital garantiu uma série de benefícios que impactam diretamente a vida das pessoas e o meio ambiente, bem como a eficiência produtiva e operacional das empresas, por outro trouxe à tona novos debates a respeito da cibersegurança e o quão sensíveis a ataques estão os dispositivos de IoT.

Com a chegada do 5G, a questão ficou ainda mais sensível, visto que a nova rede acarretará um crescimento ainda mais acelerado no volume de dados em circulação, fundamentais para revolucionar as aplicações de Internet das Coisas (IoT) nas mais diferentes verticais, como Indústria 4.0, Cidades Inteligentes, Agricultura 4.0, e muitas outras.

2021 bateu recorde de ciberataques. E 2022 parece ir na mesma direção.

De acordo com relatório da Kaspersky, o número de ataques contra dispositivos IoT quase duplicou da segunda metade de 2020 para os primeiros seis meses de 2021: foram mais de 1.5 bilhão de ciberataques, contra cerca de 639 milhões entre agosto e dezembro de 2020.

Já a Check Point aponta que, no Brasil, houve um aumento de 62% nos ataques cibernéticos semanais em 2021, em comparação com 2020 (967 ciberataques por semana em média).

Os ataques de ransomware cresceram dez vezes entre julho de 2020 e julho de 2021. Ao menos 51% das organizações sofreram ataques de tecnologia operacional (OT) que afetaram a produtividade e 45% sofreram ataques de OT que colocaram em risco a segurança física de um funcionário.

Um relatório de inteligência de ameaças divulgado pela Nokia (Threat Intelligence Report) também revelou o rápido crescimento no número de ataques cibernéticos em dispositivos conectados à Internet. Segundo os dados, os dispositivos de IoT já representam mais de 33% dos dispositivos infectados.

Conectividade e segurança no 5G

Tendo em vista esse cenário de incremento no número de ciberataques, é fundamental que os desenvolvedores de tecnologia adotem uma abordagem de segurança em primeiro lugar, o que significa sempre verificar o grau de proteção das conexões instauradas, antes de adicionar novas.

Além disso, as diferenças de arquitetura entre as redes de conectividade disponíveis impactam diretamente o grau de segurança das aplicações. A tecnologia celular, por exemplo, apresenta uma arquitetura vertical integrada, com o estabelecimento de conexões diretas na camada de dados entre o dispositivo e a aplicação. Sem elementos intermediários de rede, esse padrão está menos suscetível a ataques maliciosos.

No que se refere especificamente ao 5G, sua arquitetura baseada em serviços tem inspiração nos atuais data centers e difere do 4G e suas versões anteriores, que seguem uma abordagem ponto a ponto. Esse modelo fornece um quadro modular, com a possibilidade de serem utilizados componentes das mais diferentes fontes e fornecedores, ao mesmo tempo, o que pode levar a combinações ainda mais seguras.

O tráfego de dados na infraestrutura 5G é protegido por criptografia de última geração. Os dispositivos e a rede se autenticam, com sinalização protegida por integridade. Dessa forma, o comprometimento de um componente não altera a proteção dos demais.

Além disso, o 5G adiciona um processo de confirmação dessa autenticação e a criptografia da transmissão da identidade de longo prazo dos assinantes (IMSI), o que garante ainda mais segurança ao roaming. As versões anteriores não suportam estas funções.

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Qual a relação entre 5G e Edge Computing?

Num ambiente cada vez mais dinâmico, com soluções customizadas e aplicações variadas, os fornecedores de IoT assumem um papel de grande importância no desenvolvimento de projetos seguros abrangidos pelo 5G.

Além dos rigorosos padrões de segurança já presentes nas redes celular (os mesmos utilizados por bancos em transações eletrônicas extremamente sensíveis a ataques), os fornecedores podem adicionar outras camadas de proteção que mitigam de forma eficaz os riscos de invasões.

Essas camadas são construídas a partir de um olhar holístico, dentro do qual a autenticação de usuários, encriptação de dados e resiliência da rede são alguns dos diversos aspectos que, ao serem considerados em conjunto, elevam a segurança das soluções ofertadas.

Assim, enquanto as operadoras de telecomunicação trabalham na robustez e segurança da infraestrutura de rede e dos dados móveis, os fornecedores de IoT atuam sobre protocolos específicos para o desempenho seguro dos hardwares, softwares e sistemas.

Somados os esforços, as soluções usufruem de todo o potencial transformador do 5G, sem exposição às crescentes vulnerabilidades do mundo digital.


5G e Edge Computing

Qual a relação entre 5G e Edge Computing?

5G e Edge Computing são duas tecnologias intrinsicamente correlacionáveis no contexto da transformação digital. Ambas são essencialmente importantes num momento de rápida aceleração das aplicações de Internet das Coisas (IoT). Juntas elas aumentam a performance e permitem que um volume cada vez maior de dados seja processado em tempo real.

O 5G é cerca de 10 vezes mais rápido que o 4G e pode suportar até 50 vezes mais dispositivos por quilômetro quadrado (100.000/km²). Já a Edge Computing é essencial para reduzir a latência das aplicações, trazendo para a borda boa parte do processamento que antes precisava alcançar a nuvem. Com isso, garante-se ainda menor consumo de energia e redução de custos com infraestrutura.

Não à toa, projeções da KPMG e IDC mostram que, até 2023, a adoção simbiótica entre 5G e Edge Computing poderá alcançar US$ 517 bilhões de receita em aplicações voltadas para a manufatura industrial, saúde conectada, transporte inteligente, monitoramento ambiental e jogos.

Como funciona na prática a interação entre 5G e Edge Computing?

Com mais velocidade, banda e throughput, menor latência (sem esquecer do incremento em requisitos de segurança que a rede 5G e os gateways com processamento de borda oferecem), as aplicações de IoT começam a alcançar um novo paradigma de performance, espalhando-se para locais cada vez mais remotos.

Está cada vez mais claro que essa expansão de possibilidades vem do uso conjunto das duas tecnologias. Basicamente, a arquitetura distribuída da computação de borda mantém os dados mais próximos da operação, enquanto a robustez do 5G garante que eles sejam levados para onde for preciso, no menor intervalo de tempo.

Para conquistar a baixíssima latência demandada por operações críticas, por exemplo, essa combinação é fundamental. Ela suporta o grande adensamento de dados ao mesmo tempo em que diminui as distâncias a serem percorridas, garantindo um tempo de resposta quase instantâneo.

https://www.youtube.com/watch?v=bTwsl2A-y48

Em linhas gerais, podemos afirmar que a Edge Computing funciona como um otimizador do 5G. Ao atuar como um "filtro inteligente", o processamento de borda reduz o volume de dados que vai à nuvem, garantindo que ela armazene apenas aquilo que de fato é essencial para a operação.

Com isso, garante-se não apenas ganhos em latência (o que implica uma melhor experiência ao usuário e novos casos de uso), mas também uma importante redução nos custos de armazenamento, o que impacta diretamente a escalabilidade das aplicações.

Edge Computing e Segurança

Muito se debate sobre os riscos em segurança advindos do maior volume de dispositivos espalhados em campo. Com mais portas de entrada suscetíveis a ataques, o ecossistema de Internet das Coisas estaria mais exposto e, por consequência, seus usuários.

Mitigar vulnerabilidades é fundamental para qualquer aplicação que utilize Edge Computing. A segurança deve ser incorporada desde as fases mais iniciais de concepção e planejamento dos softwares e hardwares envolvidos (security by design), sendo implementada por meio de sistemas virtualizados nas redes principais.

Saiba mais sobre Segurança na Rede 5G

Nesse contexto, o papel dos gateways é fundamental para mitigar o risco de invasões maliciosas. Justamente por estar na borda e atuar como um filtro de processamento de dados, o gateway de IoT é uma peça fundamental na identificação e neutralização de ataques, antes que eles tomem a rede como um todo.

Num cenário de grande expansão dos devices de IoT, inclusive para locais de difícil acesso (como minas de carvão e plataformas de petróleo), é de importância crítica que esses equipamentos possam ser acessados de forma remota, inclusive para garantir as rotinas de atualização de firmware, tão essenciais ao incremento da segurança.


Indústria 4.0

Indústria de Petróleo e Gás: 3 aplicações da IoT

A indústria de petróleo e gás tem enfrentado importantes desafios nos últimos anos. A queda do preço do barril provocada por mudanças nos padrões de demanda, a maior complexidade para explorar novos campos e o crescimento exponencial do volume de dados envolvido nas atividades impulsionaram uma mudança no olhar estratégico e operacional do setor.

Nesse redesenho, as soluções digitais tornaram-se fundamentais para aumentar a competitividade das empresas, sem perder de vista a segurança dos trabalhadores envolvidos nas operações, o maior cuidado para mapear, evitar e combater danos ambientais e ainda criar novos modelos de negócios que atendam a constante flutuação de demanda e preços.

IoT: peça-chave para a indústria de petróleo e gás

A Research and Markets defende que a Internet das Coisas (IoT) é uma das mais potentes aliadas do setor de petróleo e gás. Ao integrar softwares robustos para análise de dados a dispositivos equipados com sensores, a IoT é capaz de gerar um novo horizonte de insights que permitem automatizar processos, supervisionar à distância diferentes etapas da linha de produção e distribuição e, claro, elevar a segurança das operações. Não à toa, o mercado global de Internet das Coisas voltado à indústria de petróleo e gás promete mobilizar, até 2023, mais de 39,4 bilhões de dólares.

Entre as principais demandas que podem ser atendidas por essa tecnologia estão a manutenção preventiva, que evita paralisações inesperadas, o monitoramento das instalações e a segurança dos processos, resguardando os trabalhadores de riscos e exposições inerentes à atividade.

https://www.youtube.com/watch?v=9mH0MYOHF2A

Ainda, a IoT garante o gerenciamento das frotas e dos demais ativos envolvidos em toda a cadeia produtiva, o monitoramento das tubulações, o mapeamento de zonas mais suscetíveis a danos ambientais e o alerta e correção imediatos de intercorrências das mais diversas naturezas que porventura ocorram.

1. Segurança e Sustentabilidade

Acidentes ambientais, como explosões das plataformas de petróleo e vazamentos de resíduos nos oceanos, podem ser evitados, ou ao menos rastreados com máxima celeridade, através das tecnologias de IoT. Ao identificar danos ambientais com mais agilidade e programar respostas automáticas durante as crises, controla-se com muito mais eficiência o impacto negativo sobre o meio ambiente.

A segurança proporcionada pelas tecnologias digitais não apenas resguarda os recursos naturais e as comunidades próximas às zonas de exploração, mas também os trabalhadores envolvidos nas atividades. E isso, em termos financeiros, representa um enorme volume de dinheiro salvo pelas companhias, que seria direcionado para reparar os danos ambientais e as comunidades afetadas.

2. Eficiência Operacional

Números da Research and Markets apontam que, por ano, o setor de petróleo e gás perde até 8 bilhões de dólares em tempo não produtivo, já que as equipes técnicas passam ao menos 70% de seu tempo procurando dados e trabalhando em sua manipulação.

Com a conexão em rede de vários sistemas e o envio programado de informações a partir de um número ilimitado de dispositivos, é possível extrair e processar dados, que serão base para a tomada de decisão inteligente dos sistemas de IoT conectadas às operações.

Eles são capazes de otimizar o tempo de trabalho dos profissionais técnicos e auxiliá-los no gerenciamento de crises, especialmente diante do mau funcionamento de equipamentos ou de qualquer tipo de problema que necessite de reparação quase imediata, como vazamentos ao longo das tubulações.

Esse aumento de eficiência operacional não apenas é importante para aumentar a segurança dos processos, mas também diminui custos que, ainda no curto prazo, são fundamentais para elevar a competitividade das empresas.

3: Gestão de Equipamentos e Manutenção Preditiva

Todos os anos, vultosos investimentos são direcionados à aquisição de ativos altamente específicos para suprir as necessidades operacionais da indústria de petróleo e gás. Muitas vezes, a compra de equipamentos novos deve-se a erros progressivos de manutenção que acabam sobrecarregando seu funcionamento e diminuindo a performance.

Uma simples falha em uma bomba de extração, por exemplo, pode custar até 300 mil dólares por dia. Já as pausas não programadas das refinarias por motivos técnicos chegam a comprometer 20 bilhões de dólares da indústria todos os anos, algo estimado em 5% do custo de produção.

Esse expressivo comprometimento de receita, entretanto, tem sido aliviado pela manutenção preventiva propiciada pela IoT. A análise inteligente de dados e o rastreamento digital das falhas operacionais são um dos grandes benefícios reportados pelas empresas do setor após redesenharem o esquema de manutenção de seus ativos.

Os sistemas de IoT são programados para enviar alertas sempre que um equipamento esteja com necessidade de manutenção. Essa programação toma como base o cruzamento de uma série de dados históricos, o que permite prever falhas antes mesmo que aconteçam. Com isso, evitam-se paradas repentinas e extremamente custosas.

Os sinais de alerta, customizáveis para cada etapa da linha produtiva, melhoram a eficiência dos equipamentos que passam a contar com um tempo de vida útil maior. Desse modo, diminuem-se os investimentos necessários para novas aquisições.

Medição Inteligente do Consumo de Gás

MTG: medição remota inteligente de gás
MTG V2COM: Clique aqui para saber mais

A medição remota do consumo de gás é uma revolução para o setor. Além de elevar a segurança da operação, a telemetria garante redução de custos operacionais, já que não é necessário o deslocamento de equipes técnicas.

O monitoramento remoto se dá em diferentes fases do processo de produção e distribuição de gás, o que inclui a mensuração remota de estações destinadas à redução de pressão do gás natural a regulagem de calçada (CRC - conjunto de regulagem de calçada).

A implantação dos sistemas é bastante simples. Seu funcionamento parte de sensores que enviam dados das operações à plataforma de IoT. É nela que ocorre o processamento inteligente das informações, disponibilizadas na forma de relatórios dinâmicos e 100% customizáveis.

O sensoriamento está diretamente ligado à segurança da operação, na medida em que pode emitir alertas diante de alguma ocorrência inesperada, como aquelas relacionadas a vazamentos ou até mesmo fraudes e furtos.

Os dispositivos de medição inteligente contam com baterias de longa duração (capazes de ultrapassar dez anos de funcionamento), podendo operar sem falhas inclusive quando há interrupção no fornecimento de energia.