Transformação Digital: um assunto além da tecnologia

Transformação Digital: um assunto além da tecnologia

Uma recente pesquisa realizada com CEO's e executivos seniores mostrou que a Transformação Digital está na liderança das maiores preocupações para os negócios de 2019. Isso porque grande parte das empresas ainda não conseguiu efetivar na prática os incontáveis benefícios que a aplicação da tecnologia certa no momento certo pode trazer.

Para colocar em números, em 2018, dos mais de US$ 1.3 trilhão investidos em Transformação Digital, ao menos US$ 900 bilhões não alcançaram a expectativa almejada. Isso significa que cerca de 70% das iniciativas digitais ainda não prosperam conforme o imaginado.

Se é incontestável o elevado potencial transformador que as novas tecnologias podem trazer aos negócios, fica a pergunta sobre o porquê de ainda serem poucas as empresas que realmente deram um passo definitivo rumo ao futuro.

Tecnologia sem estratégia: a fórmula para o insucesso

Há alguns anos, era bastante razoável quando um gestor identificava uma necessidade ou oportunidade em seu departamento/empresa e, a partir disso, procurasse as soluções disponíveis no mercado capazes de satisfazê-las.

Hoje, ao contrário, esse tipo de ação normalmente leva ao insucesso. Primeiro porque entender a tecnologia como um "tapa buraco" ou uma ferramenta de alcance pontual certamente é um grande limitador do enorme potencial por trás da inovação. Segundo, pois é fundamental que as necessidades e as oportunidades sejam colocadas dentro de um espectro estratégico maior. Afinal, a Transformação Digital só se torna efetiva quando guiada por uma estratégia empresarial clara e objetiva.

Leia Mais:
Plataforma de IoT: a escolha-chave para a Transformação Digital

A grande dificuldade que perfaz esse delineamento estratégico deve-se ao fato de as novas soluções serem cada vez mais integradas (e integráveis). Com isso tornam-se muito mais desafiadoras a projeção e a mensuração dos impactos globais que uma simples implantação pode acarretar na realidade da empresa. Mesmo bastante complexo, esse caminho é fundamental ser percorrido, afinal só se pode classificar como um "sucesso" ou um "fracasso" aquilo que foi previamente estabelecido como tal.

Líderes precisam reconhecer que os colaborares temem ser substituídos

O assunto é bastante polêmico. Alguns estudiosos dizem que sim, as novas tecnologias estão "matando" empregos, enquanto outros defendem que o mundo apenas passa por mudanças (como sempre ocorreu) e que se antigas funções podem desaparecer com a Transformação Digital, outras certamente irão nascer dela.

Ao que tudo indica, a segunda visão parece ser mais coerente com a realidade histórica por que toda a humanidade passou desde a Primeira Revolução Industrial. Da mesma maneira em que hoje não são mais necessários operários para apertar parafusos em uma linha de produção, nunca antes o mercado demandou tantos desenvolvedores, uma profissão, por sinal, relativamente nova.

Mesmo assim, é preciso ser empático o suficiente para entender que alguns da equipe enxergarão a tecnologia como uma ameaça ao emprego. E, muitas vezes, esse pode ser um grande complicador para efetivamente alavancar a digitalização dentro de uma companhia.

Leia Mais:
Do piloto à escala: pesquisa aponta os desafios para expandir soluções de IoT

As empresas são levadas por pessoas, sem as quais qualquer iniciativa torna-se inviável. Engajá-las e inseri-las no processo de mudança, como atores protagonistas, é fundamental para que a configuração 4.0 dos negócios realmente saia do papel.

Ao longo de sua carreira, o professor de Stanford, Behnam Tabrizi, identificou esse temor em milhares de colaboradores. Nos últimos anos, ele tem efetivado um exercício de reflexão junto a eles, fazendo-os apontar as contribuições únicas que oferecem às empresas em que trabalham e como elas podem se conectar à Transformação Digital. Como resultado, os colaboradores sentiram-se no controle da mudança, inclusive esforçando-se ainda mais para executar suas tarefas de forma engajada e eficiente.

Empresas que não nasceram digitais precisam correr mais rápido

De maneira genérica, o mercado conta atualmente com dois grandes blocos de empresas: de um lado aquelas com anos de experiência e estrutura robusta e de outro as start-ups.

Para o primeiro grupo, certamente a Transformação Digital será um pouco mais desafiadora. Primeiramente porque em seu DNA não está inserida a necessidade constante de mudança exigida pelos atuais padrões de inovação que envolvem o mercado. Segundo, pois redefinir sistemas legados, movimentar cadeias complexas de gerenciamento processual e redesenhar padrões de tomada de decisão obviamente são tarefas muito mais difíceis de serem executadas em estruturas grandes, quando comparadas a empresas com apenas algumas dezenas de pessoas (quando não menos).

Assim, as grandes organizações precisam fazer bom uso de sua capacidade de investimento e alta expertise para redesenhar alguns parâmetros da cultura organizacional voltada à mudança, pessoas e processos, adequando-se a um ambiente (interno e externo) de transformação constante.

Parceiros estratégicos: transformação digital com expertise comprovada

Se por um lado é complicada a tarefa de encontrar um parceiro com expertise comprovada e que forneça soluções holísticas para efetivar a Transformação Digital, por outro os resultados certamente compensarão os esforços.

Ao longo de sua trajetória, a V2COM consolidou-se no cenário nacional e internacional por ser um dos poucos fornecedores de soluções de IoT ponta à ponta. Com isso, tem garantido um elevado grau de customização dos projetos que, assim, adequam-se com bastante profundidade às mais diferentes necessidades do mercado.

Por desenvolver integralmente tanto hardware quanto software, a V2COM alcançou um padrão de tecnologia plenamente compatível com a inovação, integrando-se perfeitamente a diferentes sistemas legados de forma simples e ágil. Por consequência, os clientes auferem elevado impacto financeiro e escalabilidade dos projetos em curto intervalo de tempo.

Entre em contato e inicie a jornada de Transformação Digital

 


Cultura Organizacional inspired by Nature

Como criar uma cultura organizacional inspired by Nature?

Como criar uma cultura organizacional inspired by Nature?

Na Natureza é regra: quanto maior o número de indivíduos que cooperam para a manutenção do coletivo, maior a chance de sucesso. Exemplo clássico são os formigueiros que chegam a contar com milhões de indivíduos, todos trabalhando de forma organizada e sustentável em busca de objetivos comuns. Mas quando observamos as empresas muitas vezes a realidade experimentada é bastante diferente. E nesse sentido cabe perguntar por quê?

Estudos organizacionais indicam que a produtividade per capita dos colaboradores e a capacidade de aplicar a inovação no dia a dia diminuem à medida que uma empresa cresce. Por outro lado, os custos com o gerenciamento e a manutenção dos processos só aumentam. Assim, estruturas maiores tendem a investir mais e a obter resultados proporcionalmente menores, justamente o oposto do que qualquer gestor poderia almejar.

Esse paradoxo é explicado pelo fato de a maioria das empresas ainda se comportar de forma estática, presa a padrões e procedimentos, categorizações, descrições de cargos fixos, práticas estanques e administração em silos. E, isso, claro vai contra à concepção de que uma corporação é, antes de tudo, um organismo vivo, dinâmico e em constante interação com o ambiente (mercado).

Formigas: exemplo de simplicidade, coletivismo e resultados

A Biomimética (saiba mais do assunto) foi recentemente apontada pela Fortune como a tendência número 1 para os negócios. Nos últimos anos, as aplicações dessa ciência têm sido direcionadas sobretudo para a criação de novos materiais, tecnologias e produtos, bem como para o desenvolvimento de sistemas computacionais, sensores e serviços.

Mais recentemente, verificou-se que a Biomimética também poderia servir de inspiração para remodelar padrões de gerenciamento institucional o que envolve, claro, as relações entre os colaboradores e desses com os cargos hierarquicamente superiores. Mais do que isso, ela ajudou a construir um novo entendimento sobre o modo como as empresas interagem com o mercado que, pouco a pouco, deixou de ser apenas uma fonte de números e estatísticas complexas para se transformar em um potente impulsionador de mudanças fundamentais à garantia da sobrevivência.

Cultura Organizacional inspired by Nature

Na Natureza, muitas das espécies que vivem em sociedade fazem bom uso daquilo que parece ser o maior desafio das empresas do século XXI: a simplicidade. Voltando às formigas, elas são um clássico exemplo de sucesso evolutivo alcançado a partir de rotinas e práticas curiosamente simples. Através de um mecanismo de comunicação periferia-centro, elas conseguem tomar decisões quase em tempo real com elevada assertividade. E note que para isso não são necessárias reuniões, fluxogramas estáticos, metas, incentivos anuais, nem qualquer outro tipo de prática amplamente difundida por nós, seres humanos, mundo à fora. O segredo está na comunicação descentralizada, não hierárquica e, sobretudo, no sentimento de coletivismo, esse último certamente ainda muito enfraquecido dentro das empresas.

Esse coletivismo normalmente é mais evidente em companhias enxutas, em que quase todos os colaboradores, gerentes e diretores conseguem manter proximidade no dia a dia de trabalho. Mas conforme a estrutura organizacional aumenta, surge a necessidade de subcategorizar quase tudo — de pessoas a departamentos, de processos a sistemas — com vistas a ampliar o controle, melhorar o gerenciamento e identificar falhas com mais agilidade.

Saiba mais:

O grande problema é que ao reduzir a importância das partes, acaba-se por diminuir a importância do todo. Os colaboradores deixam de se ver como protagonistas e voltam-se apenas às atividades específicas de sua função, sem se importar com as demandas que o organismo maior apresenta. As metas tornam-se limitadas — e muitas vezes conflitivas —, os gestores passam a brigar por orçamento departamental, sem entender que em uma empresa existe (ou deveria existir) apenas um único grande orçamento e que de nada adianta tirar de um lado para colocar no outro se isso não for feito de forma articulada, visando um objetivo comum.

Todo esse cenário vai na contramão do que a Biologia e seus milhões de anos de evolução têm nos ensinado. As espécies e sociedades que mais evoluíram são justamente aquelas que conseguiram diminuir necessidades individuais em prol do coletivo: afinal se o todo deixar de existir de nada adiantam as aspirações particulares. Com as empresas (deveria acontecer) o mesmo: de que adianta uma equipe ou um departamento eficiente se a máquina como um todo está prestes a ruir?

Objetivo claro: a chave para uma cultura organizacional inspired by Nature

O que diferencia uma formiga-rainha das outras é a sua capacidade de reunir a diversidade genética em si mesma sem a qual todo o formigueiro morreria em pouco tempo. E é justamente aí que as empresas de maior sucesso têm se inspirado para repensar sua cultura organizacional.

Sociedades diversas costumam gerar mais ideias e, por consequência, inovar mais. Mas quando falamos de uma empresa, com espaço e recursos limitados, é importante que essa diversidade trabalhe em prol de um objetivo único — caso contrário os esforços tornam-se pouco eficazes.

Como dito anteriormente, a maioria das corporações não consegue crescer ao mesmo tempo em que mantém a eficiência e motivação dos colaboradores. A razão para isso certamente está na falta de um objetivo comum e bastante claro, capaz de impulsionar um verdadeiro sentimento de coletividade. Isso não significa dizer que as empresas não tenham bem definido aonde pretendem chegar, mas sim a inabilidade de passarem essa mensagem de forma empática e precisa. Como consequência, as pessoas não criam compromisso com o todo, não dividem propósitos e, por consequência, não movimentam a estrutura no ritmo que poderiam.

Aprofunde-se no tema:

Um outro grande exercício a ser desempenhado pelos líderes é tirar a mudança do âmbito do discurso e colocá-la em prática. Inovar não pode mais ser visto como algo necessário, mas sobretudo como algo almejado. E é importante destacar que entre essas duas palavras existe um imponente abismo conceitual, que pode representar a sobrevivência ou a falência de muitas iniciativas futuras.

Se a Biomimética tem sido uma promissora ferramenta para alavancar a inovação tecnológica, por que não utilizá-la para repensar os processos que envolvem a interação entre pessoas? Desde a origem, todas as espécies tem interagido com vistas a perpetuar o sucesso. Antes, porém, é importante deixar claro os objetivos comuns capazes de impulsionar cada indivíduo a lutar pela sobrevivência do todo.

 


O que os sistemas de IoT aprenderam com as plantas?

O que os sistemas de IoT aprenderam com as plantas?

As soluções de Internet das Coisas (IoT) são, na essência, uma poderosa ferramenta sensorial. É através dela que dados de diferentes naturezas são coletados e processados para gerar respostas inteligentes aos processos.

Quando se fala em resposta sensorial, talvez as plantas sejam o grupo de seres vivos mais adaptado e preparado a tomar decisão com base nas informações que captam do meio ambiente. Estudos recentes mostram que as espécies mais evoluídas do reino vegetal chegam a contar com até 20 diferentes tipos de sentidos que, em conjunto, garantem a sobrevivência e a perpetuação do reino com grande eficiência.

Esse sucesso evolutivo tem sido estudado pela Biomimética com vistas a entender o modo como as respostas sensoriais das plantas poderiam ser usadas por engenheiros e designers para desenvolver sistemas de IoT ainda mais avançados.

Entradas sensoriais geram respostas descentralizadas nas plantas

Da raiz às folhas, as plantas possuem uma enorme diversidade de entradas sensoriais capazes de coletar informações — como umidade, insolação, gravidade e até mesmo presença de campos eletromagnéticos — que servem de base para a geração de respostas às mais diferentes barreiras ambientais. Esse mecanismo tem sido considerado um dos mais bem-sucedidos da natureza, visto que o reino vegetal compõe 99,5% de toda a biomassa do planeta e está presente na Terra muito antes do surgimento do primeiro exemplar animal.

Por muito tempo, considerou-se que os sistemas de sobrevivência dos vegetais fossem bastante simples. Não é à toa que expressões como "estado vegetativo" referem-se a situações de total inércia e falta de atividade. Entretanto, estudos recentes da Neurobotânica provam que essa visão reducionista está bastante longe da realidade. Concluiu-se que as plantas estão aptas a gerar respostas bastante complexas e até mesmo a se comunicarem umas com as outras. Plantações de milho e feijão, por exemplo, na presença de predadores (como a taturana), emitem substâncias para atrair as vespas (acima das taturanas na cadeia alimentar). Com isso, de forma natural, elas conseguem se defender e perpetuar as espécies.

Leia mais:

Ainda nessa direção, Stefano Mancuso, um dos grandes expoentes da Neurobotânica, defende que o conceito vigente de inteligência, vista apenas como um produto do cérebro, está ultrapassado. Isso porque sem o restante de todas as estruturas do organismo, o cérebro é incapaz de executar qualquer ação, mesmo as mais simples. As plantas ao contrário, ao desempenharem um padrão de resposta descentralizado e independente, garantem muito mais chances de sucesso no meio ambiente, mesmo sem nenhuma estrutura que se aproxime de um cérebro.

E é justamente a partir desses conceitos e observações biomiméticas que alguns engenheiros de software e sistemas de IoT estão desenvolvendo soluções mais adaptáveis e, portanto, menos suscetíveis a falhas.

Redes de IoT também funcionam a partir dos nós sensoriais

Muitos dos mecanismos de IoT que nos cercam seguem um padrão de resposta semelhante ao das plantas. Assim como um girassol, que movimenta seu caule conforme as células são estimuladas pela sensibilização da luz, os edifícios também podem ser programados a reduzir a intensidade das lâmpadas diante do aumento da claridade natural. Ainda, um prédio que acelera o fluxo de ar limpo para seu interior quando mensura a necessidade de renová-lo, segue um padrão muito parecido com o das raízes que se tornam mais ou menos permeáveis a depender da oferta de água à qual estão expostas.

Heliotropismo +: caule cresce em direção à luz

Respostas descentralizadas provenientes da conexão entre nós sensoriais das plantas permitem alcançar um padrão de comunicação muito mais rápido e eficiente. E isso, claro, em muito se assemelha aos modernos sistemas de Internet das Coisas que, antes de tudo, estruturam-se como uma gigantesca rede de nós conectados capazes de gerar comandos automáticos e inteligentes.

Estamos cercados por tecnologias humanas que se aproximam do funcionamento das plantas, mesmo que muitas vezes não consigamos correlacioná-las com os padrões de resposta encontrados no meio ambiente. A nossa maior dificuldade está em reconhecer que a inteligência das plantas se manifesta de forma diferente da nossa. Temos a tendência de querer extrapolar nossas características nas outras espécies e tentar reconhecer comportamentos parecidos. A Biomimética surge justamente para quebrar essas barreiras e, com isso, permitir que novas versões de sistemas muito mais simples no funcionamento sejam desenvolvidas, mesmo que complexas e rebuscadas no plano conceitual.

Plantas evoluem de forma autossustentável: próximo passo para a IoT?

A grande vantagem dos sistemas sensoriais humanos alimentados pela IoT em relação às plantas reside na sua capacidade de evoluir com muito mais rapidez. Na Natureza, qualquer  mudança microscópica pode levar centenas de milênios para gerar resultados favoráveis, diferente do processo de inovação atual baseado em ciclos de acertos e erros muito mais curtos.

Por outro lado, evoluções mais rápidas demandam muito mais energia. Os animais, por exemplo, desempenham grande esforço para se alimentar e sobreviver. Para isso, aperfeiçoaram técnicas de locomoção para a caça que demandam muita energia dos músculos, cérebro e outras estruturas. As plantas, por sua vez, não dependem de nada disso. Inclusive, são autossustentáveis, produzindo o próprio alimento a partir da luz.

Leia também:

Além disso, em vez de desenvolverem órgãos para realizar funções específicas, os vegetais funcionam como organismos modulares. Cada módulo é capaz de realizar muitas das funções vitais para a sobrevivência do todo. E, se observarmos o funcionamento da internet e dos sistemas que dependem dela, mais uma vez perceberemos uma configuração muito semelhante a das plantas. A internet foi criada com essa mesma lógica modular, de tal modo que até a perda da maioria dos centros de comando não impede por completo a transmissão dos dados  — uma característica por sinal muito importante aos sistemas de IoT que nunca podem parar. No caso dos vegetais, por exemplo, eles são capazes de se refazer por inteiro mesmo que 99% de sua estrutura tenha sido eliminada.

Assim, ao estudar as plantas com mais detalhes, a Biomimética tem permitido a aplicação de aprendizados que certamente ajudarão no desenvolvimento de sistemas de IoT ainda mais poderosos, funcionais e ricos em simplicidade. Se a estrutura modular e a capacidade de comunicação avançada das plantas já são uma realidade visível nas tecnologias atuais, talvez o próximo grande passo seja gerar sistemas inteiros que consigam produzir a própria energia a partir de poucos recursos, tal como ocorre com a fotossíntese dos vegetais. Dessa forma, chegaremos a soluções plenamente autossustentáveis e ainda mais eficientes.

 

 

 

 


A antifragilidade das Smart Grids inspired by nature

A antifragilidade das Smart Grids inspired by nature

Foi o pesquisador libanês Nassim Nicolas Taleb quem criou o conceito de “antifragilidade”. Segundo ele, o antifrágil é aquele que não só se opõe à ideia de fragilidade, mas sobretudo ultrapassa os conceitos de resiliência e robustez, muito difundidos atualmente no mercado. Isso porque o resiliente é aquele que tem apenas a capacidade de resistir aos choques, sempre mantendo o status quo. Por outro lado, o antifrágil é aquele que utiliza a dificuldade para ficar ainda mais forte.

Ao longo dos últimos milhões de anos, a Natureza tem se mostrado um dos exemplos mais perfeitos de antifragilidade. As espécies, processos e sistemas de sucesso não foram aquelas que apenas sobreviveram à seleção natural, mas sim as que se adaptaram frente aos desafios, criando base para evolução constante.

E com o desenvolvimento tecnológico não tem sido diferente. O mercado anseia por inovações inteligentes que não apenas corrijam problemas, mas sobretudo aprendam com eles. Os erros (tão subvalorizados tempos atrás) tornaram-se um instrumento poderoso de aprendizado e fundamental para garantir a antifragilidade dos processos.

Árvore: exemplo de sistema bottom-up autogerenciado

Já está mais do que claro que, nos últimos anos, a Natureza tem funcionado como uma importante fonte de inspiração para uma série de novos métodos de geração e distribuição de energia sustentáveis. A grande demanda atual, entretanto, inclina-se para o esforço de analisar os diferentes sistemas de comunicação do meio ambiente e, assim, assegurar que não haja desperdício e sobrecarga na utilização de recursos. Nessa jornada, a Biomimética - e seu propósito único de esmiuçar formas, processos e sistemas biológicos com vistas a aplicações humanas – tem sido uma aliada fundamental.

Janine Benyus – o grande nome quando falamos dessa ciência – defende que a maioria dos sistemas biológicos possui alta capacidade de comunicação a qual desempenharia o papel de um sistema de controle. Para ela, os casos de arquitetura processual mais avançados na Natureza não são aqueles que transmitem a informação top-down, mas justamente o inverso: os capazes de obter e dissipar comandos bottom-up, com vistas ao gerenciamento eficiente das demandas e ao combate e até mesmo punição dos desperdícios.

Como exemplo, Janine relembra a arquitetura das árvores. Nesses organismos, as folhas caem quando não são mais úteis ao sistema, antes mesmo de sobrecarregá-lo com sua perda de função. Mais do que isso, ao pousarem no solo, elas funcionam como adubo que auxilia na manutenção e no crescimento de todo o conjunto. Assim, a árvore funciona como um sistema que se autodefende, capaz até mesmo de tirar proveito de estruturas periféricas inoperantes. O conjunto só entra em colapso quando um problema realmente grande acomete a raiz, seu verdadeiro núcleo de operação. Benyus acredita que esse é um dos inúmeros exemplos que provam a antifragilidade* dos sistemas biológicos. De um problema nasce não só uma solução, mas uma oportunidade.

Smart Grids: antifragilidade inspired by nature

Algo semelhante acontece com as atuais Smart Grids que, cada vez mais, caminham para atingir a antifragilidade nos processos de distribuição e gerenciamento de energia elétrica.

A grande razão por trás desse progresso está especialmente na Inteligência Artificial e na Internet das Coisas (IoT). Quando postos em conjunto e processados por softwares de alta performance, os dados obtidos das mais diversas etapas dos processos produtivos garantem que a tomada de decisão parta de uma estrutura pulverizada bottom-up (tal como as árvores). A retroalimentação de dados e comandos garante correções constantes, sem que o sistema como um todo tenha que ser envolvido em um problema pontual e simples. Mais do que isso, esses desvios - inevitáveis a qualquer processo - servem de substrato para o cerne desses sistemas, os quais tornam-se ainda mais inteligentes e adaptáveis a mudanças. Com isso, eles passam a tomar conta de si próprios com baixíssima intervenção humana (novamente, tal como uma árvore que se autorregula).

Antes do advento da IoT e de toda a infraestrutura de conectividade esse tipo de mecanismo não era possível. Os sistemas eram apenas complexos, mas não adaptáveis, ou seja, não havia comunicação e inteligência suficientes para que reagissem (como um ser vivo) e superassem os desafios de forma descentralizada.

Leia também:
Biomimética: o mais eficiente benchmarking para a inovação

Hoje, a situação é bastante diferente. As Smart Grids avançam em direção à antifragilidade. Elas se estruturam a partir de diferentes eixos de comunicação que interagem entre si, enquanto conseguem se adaptar, evoluir e se organizar a partir de regras simples. Além disso, se uma parte desse conjunto é modificada ou substituída (por exemplo, em razão de algum avanço tecnológico), todo o sistema é capaz de novamente se adaptar, elevando a qualidade de seu funcionamento. Assim, as Smart Grids se mantêm vivas, operantes e autorreguláveis.

Como se percebe, a Natureza surgiu do caos e fez dele o grande suprimento para pontapés evolutivos constantes. E tal como ela, a arquitetura, gerenciamento e desenvolvimento das Smart Grids parecem caminhar na mesma direção. Esses sistemas passaram a nutrir sua inteligência a partir de mudanças e problemas inesperados que, progressivamente, deixam de ser entendidos apenas como um empecilho. Desse modo, garante-se o autogerenciamento adaptativo de processos vivos e dinâmicos, fundamentais à antifragilidade.

 

* Importante deixar claro que Janine não usa explicitamente o termo antifragilidade, mas seu raciocínio permite perfeitamente a correlação.

Agricultura 4.0 cria novos modelos de negócios

Agricultura 4.0 cria novos modelos de negócios

A inovação tecnológica no campo em ritmo acelerado tem garantido a redução tanto do tamanho quanto do preço dos novos dispositivos. A chamada Agricultura 4.0 está cada vez mais acessível aos pequenos e médios agricultores, sobretudo de países menos desenvolvidos, justamente aqueles cujas economias são mais dependentes do setor agrícola e ao mesmo tempo mais carecem de inovação para elevar a produtividade.

O acesso mais democrático à transformação digital do campo não só está impactando a eficiência das lavouras em larga escala, mas também criando novos modelos de negócios. O pequeno/médio agricultor hoje tem mais recursos para tomar decisões, administrar a fazenda e automatizar atividades com o uso de robôs e outros maquinários. Além disso, a cadeia de suprimento (da terra ao prato) torna-se progressivamente mais coesa, distribuindo informação em tempo real para produtores, distribuidores, varejistas, consumidores e todas as indústrias que orbitam em torno desse sistema.

Para tanto, a parceria com fornecedores e desenvolvedores de tecnologia tornou-se imprescindível para viabilizar todos esses benefícios, garantindo elevação contínua de produtividade, diminuição de custos operacionais e, não menos importante, estruturação de processos sustentáveis e com baixa pegada ambiental.

Agricultura 4.0: Cadeia de Suprimento "On Demand"

A Agricultura Digital não só impacta os tradicionais modelos de negócios existentes, mas sobretudo cria novas oportunidades dentro e fora do campo.

Para tanto, as novas tecnologias têm focado sobretudo no usuário final, através do desenvolvimento de soluções com elevado padrão de usabilidade e customização. Desse modo, é possível que o administrador agrícola e sua equipe usufruam de todas as funcionalidades dos sistemas de modo muito mais simples.

Saiba mais:

Hoje, o pequeno/médio agricultor pode alcançar o que há de mais avançado, sem a necessidade de investir pesadamente na expansão de equipes técnicas in-loco ou mesmo dispender muito tempo e esforço para o aprendizado das novas soluções. Boa parte das tarefas foram delegadas às plataformas de Internet das Coisas (IoT) que tomam decisão com alta velocidade e assertividade.

Mas a Agricultura 4.0 não produz efeitos apenas no interior das lavouras. Toda a cadeia produtiva conectada ao campo está se beneficiando com a inovação cada vez mais democrática. E isso tem acontecido de três maneiras principais:

  • Closed-Loop Process

A transformação digital no campo garante processos mais inteligentes e articulados sob demanda. Com isso é possível reduzir o uso de químicos na produção, diminuir os resíduos e aproveitá-los de maneira inteligente, conectando-os a outros processos adjacentes, capazes de aliviar a pegada ambiental da cadeia produtiva.

Além disso, os ciclos fechados, sobretudo na Cadeia de Suprimentos, sintonizam perfeitamente o consumo com a produção, evitando o desperdício ou a falta de alimentos, ambos prejudiciais para a administração financeira das fazendas.

  • Serviços e Produtos Personalizados

As novas tecnologias hoje podem ser desenhadas "on demand". Isso significa que o agricultor construirá junto ao seu parceiro fornecedor a solução que se encaixe perfeitamente à realidade atual de sua produção.

Mais do que isso, todos os serviços em torno da solução arquitetada (como suporte de atendimento, manutenção, chamados, alertas, alarmes, etc) podem ser configurados para atender com alta especificidade as mais diversas demandas do dia a dia.

  • Ecossistema Colaborativo

Cadeias de Suprimento interligadas e conectadas em tempo real permitem trocas de informação e dados fundamentais para o sucesso de todos os players envolvidos nos sistemas agrícolas.

De produtores ao consumidor final, todos se beneficiam com a transformação digital do campo, uma vez que cultivos mais inteligentes garantem produtos de melhor qualidade e mais baratos.

V2COM: presença no campo do começo ao fim

Embora a revolução digital esteja em clara expansão no campo, ainda são poucos os parceiros tecnológicos capazes de oferecer soluções 360°, que atendam as necessidades do agricultor do começo ao fim.

A V2COM, há mais de 17 anos no ercado de IoT, oferece a seus clientes e parceiros o grande diferencial de desenvolver tanto Hardware quanto Software, arquitetando soluções com elevado grau de customização e adaptabilidade aos mais diversos locais e demandas.

Sua exclusiva metodologia de PoV garante que o Custo da Solução seja sempre menor que o Custo do Problema, escalando resultados em curto intervalo de tempo. Com isso, garante a eficiência financeira, sem deixar para trás a fundamental necessidade de promover o desenvolvimento sustentável.

Dessa maneira, a V2COM fomenta a Agricultura 4.0, em nível nacional e internacional, impactando positivamente a vida de milhões de pessoas com segurança e responsabilidade ambiental.

Ficou interessado?
Preencha o formulário abaixo e conheça os Projetos Agro da V2COM

 

 

 


Biomimética: o mais eficiente "benchmarking" para a inovação

Biomimética: o mais eficiente "benchmarking" para a inovação

Ao longo dos últimos 3.8 bilhões de anos, a Natureza tem se mostrado bastante rígida quando o assunto é controle de qualidade. Prova disso é que apenas um décimo (1/10) de 1% das espécies que já estiveram na Terra sobreviveram até os dias atuais.

Por essa razão, cada vez mais estudiosos, empresas, universidades e centros de pesquisa do mundo todo estão se debruçando sobre as 30 milhões de espécies vitoriosas para entender melhor suas estruturas fisiológicas, morfológicas e bioquímicas, além do modo como interagem com o meio ambiente.

A Biomimética acredita que o sucesso desse pequeno grupo remanescente deve-se à elevada capacidade com que atendeu o que se denomina “Princípios da Vida”. São eles os grandes responsáveis por permitir o sucesso evolutivo das espécies mais resistentes e adaptáveis.

Fonte: Biomimicry
Fonte: Biomimicry 3.8

Cada vez mais, esses princípios desempenham também um importante papel no desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de negócios. Eles funcionam como “benchmarking” para que as empresas superem o desafio de prosperar de maneira sustentável, por sinal, uma das demandas mais importantes do século XXI.

A seguir, detalharemos três desses “Princípios da Vida”, cuja aplicabilidade prática na esfera dos negócios garantiu não só a sobrevivência de algumas empresas, mas sobretudo a sua compatibilidade com a nova realidade do mercado.

Evoluir para sobreviver: integrando o inesperado

O que é a evolução senão uma combinação aleatória de genes que se adapta melhor ao meio ambiente?

Ao longo dos milênios, grande parte das inesperadas mutações genéticas não levaram a resultados bem-sucedidos, que fossem compatíveis com a vida. Entretanto, algumas vezes, esses “erros” não só se mostraram viáveis, como também responsáveis por originar indivíduos mais bem adaptados e resistentes.

Dobras na pele do elefante: uma mutação que deu certo

Exemplo disso é o tamanho atual dos elefantes, o maior mamífero terrestre. Cientistas afirmam que uma mutação espontânea afetou a textura da pele do animal, deixando-a repleta de rugas. O que poderia ser apenas algo indiferente ou até mesmo prejudicial facilitou a sobrevivência. Com o aumento da superfície de contato pelas dobras, o organismo dos elefantes permitiu maior troca de calor com o ambiente, de tal forma que os corpos puderam aumentar de tamanho, sem o risco de superaquecimento.

Leia também:
Biomimética: a nova geração de tecnologias "inspired by nature"

Traçando-se um paralelo com o mundo dos negócios, algumas empresas também tiveram suas histórias marcadas por “erros” inesperados que impactaram positivamente os resultados. Foi o que aconteceu com a empresa 3M, um excelente exemplo de integração do inesperado. Anos atrás, enquanto tentava desenvolver uma nova cola, a 3M não alcançou o esperado, chegando apenas à uma versão inicialmente considerada como falha. Mas após o olhar visionário dos cientistas envolvidos no projeto, percebeu-se uma importante vantagem daquela mistura: a capacidade de ser reutilizada. Desde então, os Post-its tornaram-se um imenso sucesso e até hoje ocupam grande fatia da receita da empresa.

Adaptar-se às novas condições: respondendo aos contextos dinâmicos

Adaptar-se é uma das necessidades mais básicas e ao mesmo tempo mais desafiadoras para qualquer negócio. Diariamente, novas tecnologias surgem, impondo uma nova dinâmica ao mercado. As empresas que se mantêm saudáveis e competitivas por mais tempo são justamente aquelas capazes de se adaptar (e até mesmo se adiantar) a essas mudanças.

A Natureza é fonte extensiva de mecanismos de adaptação que garantem a sobrevivência das espécies. A camuflagem do polvo é certamente um dos exemplos mais interessantes. O animal é capaz de mudar a cor do corpo de acordo com a superfície em que se apoia. Para tanto, faz uso dos cromatóforos, pequenas células epiteliais ativadas por contração muscular. Com a camuflagem, os polvos conseguem se proteger dos predadores e caçar com mais eficiência, ao mesmo tempo em que se deslocam para diferentes ambientes com bastante segurança.

Polvo camuflagem
Camuflagem do Polvo: um exemplo de adaptabilidade aos contextos adversos

No mundo empresarial, são diversas as situações em que uma companhia precisa responder rapidamente às mudanças contextuais. Um bom exemplo disso é a nova relação do mercado com os dados.

Anos atrás, eram poucas as empresas que tomavam decisões com base na análise inteligente de dados. Por essa razão, a resposta aos problemas costumava ser muito mais lenta, comprometendo a eficiência dos processos e os retornos financeiros dos projetos.

Com o advento de novas infraestruturas de rede e de tecnologias de Internet das Coisas (IoT), as fábricas sofreram grandes mudanças. Sensores passaram a coletar uma enorme quantidade de dados e transmiti-los para softwares inteligentes em tempo real. Surgia a Indústria 4.0 e toda sua capacidade inédita de elevar a eficiência e a segurança dos processos fabris e reduzir drasticamente os custos operacionais, por meio de manutenção preditiva e melhor gerenciamento de fluxos.

Nesse contexto, as empresas que não se adaptaram com rapidez às novas tecnologias certamente sentem muito mais dificuldade para se manter competitivas atualmente.

Ser eficiente no uso de recursos: diminuindo o consumo de energia nos processos

Obter energia custa energia. Essa é a máxima que perfaz a Natureza desde o princípio e, a cada dia, torna-se mais crítica para uma sociedade ainda muito dependente de recursos escassos.

Não é à toa, portanto, que a energia é um dos grandes temas do século XXI. Nunca foram desenvolvidas tantas tecnologias com foco na redução do consumo, no combate à fraude e no uso de fontes mais limpas.

Um exemplo são as Smart Grids. Graças ao alto nível de tecnologia agregado, elas conseguem responder a várias demandas da sociedade moderna, tanto no que se refere às necessidades energéticas, quanto em relação ao desenvolvimento sustentável. A maior eficiência e controle do fluxo de energia proporcionam um conjunto variado e abrangente de benefícios para consumidores, concessionárias de energia e para o próprio sistema elétrico como um todo.

Leia também:
Elektro reduz 60% no custo de leitura com tecnologia de IoT

Os medidores inteligentes são o cerne desse sistema. Eles são versões mais modernas dos medidores convencionais e disponibilizam uma série de funcionalidades inovadoras, como o envio de eventos e alarmes, além da possibilidade de medição remota. Com isso, milhões de megawatts são economizados todos os anos, o que leva à redução na tarifa para os consumidores finais.

Na natureza, a hibernação é um dos mais eficientes mecanismos de proteção de energia utilizados por animais homeotérmicos, aqueles com temperatura corpórea constante. Durante o inverno, algumas espécies entram em estado de latência, reduzindo a frequência cardiorrespiratória e a temperatura corporal, que pode chegar a apenas 5° C. Com isso, elas conseguem se manter vivas, mesmo ficando quase quatro meses sem se alimentar.

Como se nota, as correlações entre o ambiente de negócios e a Natureza acontecem a toda hora, muitas vezes sem que sequer tenhamos ciência disso. Ao seguir os "Princípios da Vida", inúmeras espécies ao longo dos últimos milênios têm desenvolvido mecanismos eficientes de sobrevivência que garantiram a sua perpetuidade na Terra. Muitas vezes, a inovação já está posta à mesa: cabe a nós desenvolver a capacidade de observá-la com mais atenção.