Fórum de Davos de Verão

Fórum de Davos de Verão: 5 razões para adiantar a Transformação Digital

Fórum de Davos de Verão: 5 razões para adiantar a Transformação Digital

Quase dois mil políticos, empresários, acadêmicos e representantes da mídia provenientes de 100 países reuniram-se em Dalian, na Província de Liaoning, nordeste da China, para o Fórum de Davos de Verão. Também conhecido como a 13ª Reunião Anual dos Novos Campeões, o encontro deste ano teve como tema "Liderança 4.0: Ter Sucesso em uma Nova Era de Globalização"

De acordo com uma pesquisa do Manufacturing Institute e da PwC, apenas cerca de metade das manufaturas está nos estágios iniciais da chamada Smart Factory e 20% “desejam adotar” o digital, embora relatem dificuldades. Muitas empresas ainda se posicionam como meras "observadoras" nessa jornada e continuam à espera para, de fato, iniciarem sua transição digital de forma escalável e efetiva.

Com base nesse panorama, o Fórum de Verão de Davos 2019 apresentou cinco principais razões pelas quais os líderes das manufaturas devem começar a implementar suas estratégias digitais o mais cedo possível:

1. Fábricas voltarão para casa


Quando as fábricas se mudaram para países em desenvolvimento, a ideia era reduzir, sobretudo, o custo da mão-de-obra. Mas ao longo do tempo, essa redução tem se mostrado cada vez menos representativa. Justin Rose e Martin Reeves, do Boston Consulting Group, corroboraram essa tendência em uma uma publicação da Harvard Business Review: “Em 2004, o custo de produção na costa leste da China foi aproximadamente 15 pontos percentuais mais barato, em média, do que nos Estados Unidos. Em 2016, essa diferença caiu para cerca de 1 ponto percentual ”.

Outra razão pela qual as fábricas permaneceram no exterior deve-se ao fato de que, à medida que os produtos se tornaram mais complexos, cadeias de fornecimento igualmente complexas se desenvolveram em torno dessas fábricas e mudá-las seria bastante custoso. Mas com as novas tecnologias, como a impressão 3D, uma outra realidade se impôs ao mercado. Muitas fábricas já estão livres para voltar para casa e estão menos limitadas às antigas cadeias de suprimento.

Como consequência, as manufaturas modernas devem estar preparadas para expandir as operações nos mercados domésticos. A visão detalhada do processo de como os produtos são fabricados no exterior deve ser minuciosamente estudada e os engenheiros industriais devem considerar como serão esses processos nas fábricas a serem repatriadas. Igualmente importante, a volta das manufaturas oferece uma enorme oportunidade para repensar a infraestrutura de tecnologia, incluindo sistemas de TI e OT.

2. Fábricas encolherão

As discussões no Fórum de Davos de Verão 2019 também concluíram que as fábricas tendem a diminuir sua estrutura no futuro. Farão parte de cadeias de suprimentos regionais e, com isso, serão capazes de atender as demandas numa fração de espaço muito menor. As manufaturas ficarão cada vez mais próximas dos centros urbanos e, por consequência, o custo imobiliário nas periferias e áreas mais afastadas tende a diminuir com o tempo.

Como consequência, será necessário visualizar como transportar as atuais operações focadas em grandes indústrias para realidades muito mais enxutas e tecnológicas, além de redefinir prioridades e linhas de trabalho. Isso, claro, requer testes e protótipos com antecedência, para que sejam ajustados todos os detalhes antes dessa nova formatação iniciar as tarefas.

3. SKU explosion

Não é surpresa que os consumidores exijam opções de escolha cada vez mais personalizadas. Os produtos tendem a diminuir de tamanho e a atender demandas de residências com um ou dois moradores (visto que as pessoas têm menos filhos). A chamada explosão de SKU será responsável por uma variação ainda maior de novos produtos e tecnologias que permitirão ao fabricante se relacionar diretamente com o usuário final, oferecendo-lhe um elevado grau de customização. Entretanto, para controlar os custos operacionais que isso implica, as manufaturas deverão não apenas crescer em flexibilidade, mas também em eficiência.

Como consequência, é importante que, desde já, as empresas mapeiem quais produtos serão personalizáveis e qual será a extensão dessas variações. Isso significa um contato ainda mais direto com os consumidores, entendendo suas "micro-necessidades". Além disso, o mapeamento deve considerar quais tecnologias serão imprescindíveis para atender esse novo padrão de demanda individualizada e quais máquinas e operações precisam ser revistos.

4. A escassez de mão-de-obra experiente deve crescer

Uma fábrica menor, infinitamente flexível, será significativamente mais automatizada e exigirá trabalhadores com um conjunto de habilidades muito diferente do que a maioria das fábricas tem agora. As atividades do futuro serão cada vez mais específicas e exigirão formação contínua de alto nível. Em um estudo de 2018, a Deloitte e o Manufacturing Institute previram que cerca de 2,4 milhões de posições permanecerão vazias entre 2018 e 2028, com um impacto econômico negativo de US $ 2,5 trilhões.

Como consequência, os salários deverão crescer com o tempo para atrair profissionais de outras áreas que estejam dispostos a se reciclarem e iniciarem um novo tipo de atividade. Além disso, mais do que nunca, é fundamental que as empresas olhem para dentro e mapeiem os talentos que precisam ser impulsionados e desenvolvidos para atenderem as novas demandas.

5. Os trabalhadores precisarão estar mais conectados

Na fábrica do futuro, cada trabalhador comandará um pequeno exército de máquinas. Eles precisarão se comunicar com elas e uns com os outros em tempo real. A precisão das operações e das linhas de operação devem ficar cada vez mais cirúrgicas e, por consequência, demandarão investimentos ainda mais importantes.

Como consequência, um plano operacional claro, instruções e um ciclo de feedback em tempo real entre o chão de fábrica e os gerentes precisam estar disponíveis para todos os funcionários sem interrupções. Atualmente, isso significa aproveitar as tecnologias nas quais os funcionários podem acessar as informações, o conhecimento e os insights de que precisam para realizar suas tarefas da maneira mais eficiente possível.

O texto toma como referência dados publicados pelo World Economic Forum

Irrigação inteligente: mercado bilionário impulsionado pela IoT

Irrigação inteligente: mercado bilionário impulsionado pela IoT

O mercado de irrigação inteligente foi avaliado em US $ 0,83 bilhão, em 2018, e deve chegar a US $ 1,76 bilhão até 2023, a um CAGR de 16,30%, de acordo com a empresa de pesquisa MarketsandMarkets.

Os principais fatores que contribuem para o crescimento do mercado de irrigação inteligente incluem iniciativas tomadas por vários governos para promover o uso racional de água, a adoção de novas tecnologias para controle de irrigação e a necessidade de aumentar a produtividade e os lucros agrícolas.

IoT no campo viabiliza esse mercado bilionário

Sistemas avançados de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) para tomada de decisão, juntamente com dados em tempo real, podem fornecer informações abrangendo todos os aspectos da agricultura com profundidade de detalhes, o que, até pouco tempo atrás, não era possível. Com a ajuda de sensores inteligentes, os agricultores podem garantir o fornecimento da quantidade mais adequada de água à lavoura no momento certo, evitando tanto a escassez quanto o desperdício.

A irrigação inteligente compreende dispositivos de hardware especializados, software e serviços ​​para obtenção de dados em tempo real. A combinação das tecnologias de Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial (AI), como Machine Learning, visão computacional e análise preditiva, permite que os agricultores analisem grande volume de dados, como os relacionados a condições climáticas, temperatura, umidade do solo, entre muitos outros.

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A pesquisa ainda aponta que o continente americano é protagonista em em irrigação inteligente. Em 2018, conquistou quase 50% do mercado global, com destaque para os Estados Unidos e Canadá. Até 2023, a região deve manter essa importante fatia de mercado.

Entre os maiores desafios para acelerar ainda mais a expansão desse mercado está a dificuldade de implementação das tecnologias inteligentes de irrigação em terras fragmentadas e a carência de conscientização generalizada entre os agricultores para esse tipo de demanda.

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A próxima Revolução Industrial virá da Biotransformação

A próxima Revolução Industrial virá da Biotransformação

Sob o tema "Nature-Inspired Technology and the Future of Manufacturing", a segunda edição do Global Manufacturing and Industrialization Summit (GMIS) reuniu, na semana passada, líderes globais de vários países, industriais e membros da academia em Yekaterinburg, na Rússia, para debaterem os próximos passos da Quarta Revolução Industrial. O evento é uma iniciativa do Ministério de Energia e Indústria dos Emirados Árabes Unidos e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), da qual o Brasil é membro desde 1985.

Entre os principais temas abordados, o GMIS 2019 destacou algumas das maiores inovações em Biomimética e o modo como as manufaturas podem se inspirar em sistemas da Natureza para resolver problemas humanos complexos. A iniciativa vai ao encontro da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e fomentou uma série de debates sobre economia circular, segurança alimentar, cidades futuras, segurança cibernética, evolução da impressão 3D, futuro do trabalho, entre outros aspectos fundamentais para o desenvolvimento industrial das próximas décadas.

Créditos: wam.ae

Entre os participantes de maior destaque esteve o presidente da Rússia Vladimir Putin que ressaltou a necessidade de as indústrias serem menos focadas no uso intensivo de recursos naturais e mais eco-friendly:

Estou convencido de que garantir ar limpo, água, comida, qualidade e expectativa de vida para bilhões de pessoas exige tecnologias e dispositivos técnicos drasticamente novos, que consomem menos recursos e sejam muito mais ecológicos. Essas soluções de engenharia científica, que são extremamente eficientes, nos permitirão encontrar um equilíbrio adequado entre as esferas bio e techno. Isso inclui as chamadas tecnologias inspiradas na natureza. Elas imitam processos e sistemas naturais. Elas seguem as leis da natureza.

Em colaboração com o Instituto Kurchatov, a Fundação Skolkovo e o Ministério da Indústria e Comércio da Rússia, o GMIS 2019 também anunciou sua segunda iniciativa para impulsionar a pesquisa e a implantação de tecnologias inovadoras, que levem à transformação tangível das indústrias. Com abrangência global, esse movimento visa ajudar as manufaturas a se transformarem sem agravar os desafios ecológicos, como o esgotamento de recursos e as mudanças climáticas. A iniciativa contará com trabalhos de pesquisa através de uma rede acadêmica, com foco em Biomimética e tecnologias industriais sustentáveis ​​inspiradas na natureza.

O Processo de Biotransformação das empresas

Um recente estudo científico conduzido em empresas alemãs demonstrou como funciona o processo de Biotransformação das empresas. Os resultados foram apresentados em um workshop da ManuFUTURE , em Bruxelas, pelos professores  Bauernhansl e pelo doutor Wolperdinger.

Segundo os achados, a Biotransformação segue três estágios: a bioinspiração, a biointegração e a biointeligência.

  • Os chamados produtos bioinspirados ocupam a fase inicial da Biotransformação. Eles já são amplamente encontrados nos mais diversos setores da economia, sobretudo nas indústrias. Tomam forma como braços e garras robóticos, por exemplo, que lembram a tromba de elefantes ou câmeras de vigilância inspiradas na visão dos insetos. A bioinspiração é também comumente chamada de biônica e, basicamente, busca nas estruturas vivas a inspiração para o desenvolvimento de aplicações industriais e científicas.
  • No segundo momento, o que funcionava apenas como inspiração começa a integrar o processo de inovação propriamente dito. Os produtos passam a conter em sua formulação ou em seu design o aspecto biológico inicialmente analisado. Como exemplo, podemos destacar os materiais de autocura, hoje presentes em alguns tratamentos utilizados pela Medicina.
  • "Enxame de Drones" - inteligência biointegrada

    Por fim, como fase final do processo de Biotransformação, alcança-se a inteligência. É nesse momento que ocorre, de fato, a fusão entre a Biologia, a Tecnologia da Informação e a Engenharia. Essa etapa ainda não está amplamente difundida na indústria, mas os primeiros sinais podem ser vistos em sistemas computacionais biomiméticos que utilizam a sinapse nervosa humana como referencial de processamento ou em tecnologias de Machine Learning e Sistemas Autônomos Cooperativos (também conhecidos por robótica de enxame).

Como se nota, seja na Rússia, na Bélgica ou no Brasil, os debates sobre as novas tecnologias bio-inspiradas, cada vez mais, tomam conta do cenário manufatureiro global. Através delas será possível conciliar as metas de sustentabilidade propostas por acordos internacionais, como o Acordo de Paris, e, ao mesmo tempo, fomentar o crescimento das economias e a geração de empregos.

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Nessa tarefa, a Biomimética impõe-se como uma ciência fundamental para efetivar o processo de Biotransformação dos processos produtivos, inserindo-os no conceito de economia circular em que a salvaguarda de recursos naturais e o reaproveitamento de resíduos biológicos diminuem a pegada ambiental das indústrias e estimulam o nascimento da chamada bioeconomia.


IoT reina mais uma vez entre tecnologias mais disruptivas

IoT reina mais uma vez entre tecnologias mais disruptivas 

A KPMG lançou há poucos dias o estudo "Inovação na indústria de tecnologia 2019" (Technology Industry Innovation Survey). O levantamento entrevistou 740 líderes do setor de tecnologia e analisou as dez ferramentas que irão mudar as empresas no curto prazo. Em 1° lugar entre as tecnologias mais disruptivas ficou a Internet das Coisas (IoT), considerada a ferramenta com maior potencial de modernizar os negócios nos próximos três anos.

De acordo com Felipe Catharino, sócio-diretor da KPMG no Brasil, a IoT tem grande capacidade de adoção em empresas porque "pode ser aplicada tanto em avançados sistemas de robótica quanto em pequenos gadgets, como relógios inteligentes e eletrodomésticos".

Dados recentes de outra consultoria, a norte-americana Frost & Sullivan, vão na mesma direção e confirmam o potencial disruptivo da tecnologia, ainda no curto prazo. Nos próximos três anos, os investimentos em IoT no Brasil devem ultrapassar US$ 3,29 bilhões e o acesso às soluções promete se espalhar para diversas regiões do país com o incremento da infraestrutura e o planejamento estratégico recém instituído.

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Entre os principais desafios a serem superados, os entrevistados apontam questões envolvendo segurança e agilidade na implantação dos projetos.

Quais são as outras tecnologias mais disruptivas?

Em segundo lugar como tecnologia mais disruptiva, a KPMG aponta a inteligência artificial e robótica. A chamada RPA (Robotic Process Automation) foi uma das tecnologias com maior aumento de performance em relação à ultima edição do estudo, em 2018. Saiu do nono lugar para o segundo.

tecnologias mais disruptivas

De acordo com os entrevistados, a robótica está mais associada a ganhos de eficiência e lucratividade e, na sequência, ao aumento da fatia de mercado. Mas o grande desafio ainda reside na dificuldade de adoção dessa ferramenta e na complexidade da implantação. 

Em terceiro lugar, estão Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning. Em relação ao ano passado, perderam uma posição. A grande dificuldade para a adoção dessas tecnologias, segundo os entrevistados, está na viabilidade econômica (que carece de mais provas), em questões de cunho regulatório e na alta complexidade.

Alguns desafios ainda precisam ser vencidos

A pesquisa também revelou que o aumento dos custos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é o maior problema enfrentado pela indústria, apesar desta área ter sido apontada também como uma das principais prioridades estratégicas. Os entrevistados apontaram também para o desafio de encontrar talentos no setor de tecnologia, o que dificulta o crescimento, sobretudo diante de cadeias de suprimentos mais complexas e demandas ainda mais específicas dos clientes.

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“As empresas líderes aproveitarão as oportunidades e criarão estratégias para garantir fluxos de receita futuros. Os desafios apresentados por aplicações emergentes podem ser resolvidos com o investimento em soluções inovadoras com benefícios a longo prazo, como, por exemplo a incorporação de análise de dados no gerenciamento do portfólio de produtos, a introdução de blockchain na cadeia de suprimentos e a expansão de serviços direcionados para produtos essenciais”, afirma Felipe Catharino, sócio-diretor de Tecnologia da KPMG no Brasil.

A pesquisa destacou ainda que as empresas menores são cada vez mais a fonte de desenvolvimentos promissores na indústria e estão empenhadas em capitalizar tecnologias mais disruptivas para novas aplicações.

V2COM: referência em IoT e Smart Systems

A V2COM consolidou-se no mercado nacional e internacional por ser um dos poucos fornecedores de soluções de IoT ponta à ponta. Por isso, tem garantido um elevado grau de customização dos projetos que se adequam com bastante profundidade às mais diferentes necessidades dos clientes, não importando o segmento de atuação, nem a localização geográfica da implantação.

Por desenvolver integralmente tanto hardware quanto software, a V2COM alcançou um padrão de tecnologia plenamente compatível com as inovações, integrando-se perfeitamente a diferentes realidades de forma bastante ágil. Por consequência, os clientes auferem elevado impacto financeiro e escalabilidade em curto intervalo de tempo.

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Princípios da Vida: benchmarking para a inovação

Princípios da Vida: benchmarking para a inovação

Ao longo dos últimos 3.8 bilhões de anos, a Natureza tem se mostrado bastante rígida quando o assunto é controle de qualidade. Prova disso é que apenas um décimo (1/10) de 1% das espécies que já estiveram na Terra sobrevivem até os dias atuais.

Por essa razão, cada vez mais estudiosos, empresas, universidades e centros de pesquisa do mundo todo estão se debruçando sobre as 30 milhões de espécies vitoriosas para entender melhor suas estruturas fisiológicas, morfológicas e bioquímicas, além do modo como interagem com o meio ambiente.

A Biomimética acredita que o sucesso desse pequeno grupo remanescente deve-se à elevada capacidade com que atendeu o que se denomina “Princípios da Vida”. São eles os grandes responsáveis por permitir o sucesso evolutivo das espécies mais resistentes e adaptáveis.

Fonte: Biomimicry Princípios da Vida
Fonte: Biomimicry 3.8

Cada vez mais, esses princípios desempenham também um importante eixo inspirador para o desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de negócios. Eles funcionam como “benchmarking” para que as empresas superem o desafio de prosperar de maneira sustentável, por sinal, uma das demandas mais importantes do século XXI.

A seguir, detalharemos três desses “Princípios da Vida”, cuja aplicabilidade prática na esfera dos negócios garantiu não só a sobrevivência de algumas empresas, mas sobretudo a sua compatibilidade com a nova realidade do mercado.

Evoluir para sobreviver: integração do inesperado

O que é a evolução senão uma combinação aleatória de genes que resistiu ao meio ambiente?

Ao longo dos milênios, grande parte das inesperadas mutações genéticas e dos cruzamentos não levou a resultados bem-sucedidos, que fossem compatíveis com a vida. Entretanto, nas raras vezes em que funcionaram, esses “erros” não só se mostraram viáveis, como também responsáveis por originar indivíduos mais bem adaptados e resistentes.

Dobras na pele do elefante: uma mutação que deu certo

Exemplo disso é o tamanho atual dos elefantes, o maior mamífero terrestre. Cientistas afirmam que uma mutação espontânea afetou a textura da pele do animal, deixando-a repleta de rugas. E o que poderia ser apenas algo indiferente ou até mesmo prejudicial facilitou sua sobrevivência. Com o aumento da superfície de contato pelas dobras, o organismo dos elefantes conseguiu efetivar trocas mais importantes de calor com o ambiente, de tal forma que os corpos puderam aumentar de tamanho, sem o risco do superaquecimento.

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Traçando-se um paralelo com o mundo dos negócios, algumas empresas também tiveram suas histórias marcadas por “erros” inesperados que mudaram definitivamente sua trajetória. Foi o que aconteceu com a empresa 3M, um excelente exemplo de integração do inesperado. Anos atrás, enquanto tentava desenvolver uma nova cola, a 3M não alcançou o esperado, chegando apenas à uma versão inicialmente considerada como falha. Mas após o olhar visionário dos cientistas envolvidos no projeto, percebeu-se uma importante vantagem daquela nova mistura: a capacidade de ser reutilizada. Desde então, os Post-its tornaram-se um imenso sucesso e até hoje ocupam grande fatia da receita da empresa.

Adaptar-se às novas condições: contextos dinâmicos exigem respostas rápidas

Adaptar-se é uma das necessidades mais básicas e ao mesmo tempo mais desafiadoras para qualquer negócio. E um dos Princípios da Vida que a Biomimética explora com bastante profundidade.

Diariamente, o surgimento de novas tecnologias dão um novo ritmo à dinâmica de mercado. As empresas que se mantêm saudáveis e competitivas por mais tempo são justamente aquelas capazes de se adaptar (e até mesmo se adiantar) a essas mudanças.

A Natureza é fonte extensiva de mecanismos de adaptação que garantem a sobrevivência das espécies. A camuflagem do polvo é certamente um dos exemplos mais interessantes. O animal é capaz de mudar a cor do corpo de acordo com a superfície em que se apoia. Para tanto, faz uso dos cromatóforos, pequenas células epiteliais ativadas por contração muscular. Com a camuflagem, os polvos conseguem se proteger dos predadores e caçar com mais eficiência, ao mesmo tempo em que se deslocam para diferentes ambientes com bastante segurança.

Polvo camuflagem: Princípios da Vida
Camuflagem do Polvo: um exemplo de adaptabilidade aos contextos adversos

No mundo empresarial, são diversas as situações em que uma companhia precisa responder rapidamente às mudanças contextuais. Um bom exemplo disso é a nova relação do mercado com os dados.

Anos atrás, eram poucas as empresas que tomavam decisões com base na análise inteligente de dados. As respostas costumavam ser lentas e, muitas vezes, embasadas em "achismos" ou feeling gerencial. Além disso, havia uma grande dificuldade em responder às novas demandas com agilidade e prever problemas antes mesmo que acontecessem. A tecnologia era sobretudo reativa e não preditiva.

Com o advento da Internet das Coisas (IoT) e a ampliação da infraestrutura de rede, um novo mundo se abriu para empresas dos mais diversos segmentos. Hoje, sensores coletam uma enorme quantidade de dados e os transmitem em tempo real para softwares inteligentes, que administram comandos de forma remota e com elevada efetividade. Nasceu, assim, a chamada Indústria 4.0 e toda sua capacidade inédita de elevar a eficiência e a segurança dos processos fabris e reduzir drasticamente os custos operacionais, por meio de manutenção preditiva, gestão de riscos e melhor gerenciamento logístico.

Ser eficiente no uso de recursos: consumo inteligente de energia

Obter energia custa energia. Essa é a máxima que perfaz um dos mais importantes Princípios da Vida e que, a cada dia, torna-se mais crítica para uma sociedade ainda muito dependente de recursos escassos.

Não é à toa, portanto, que a energia é um dos grandes temas do século XXI. Nunca foram desenvolvidas tantas tecnologias com foco na redução do desperdício, no combate à fraude e no uso de fontes mais limpas.

Um exemplo são as Smart Grids. Graças ao alto nível de tecnologia agregado, elas conseguem responder a várias demandas da sociedade moderna, tanto no que se refere às necessidades energéticas, quanto em relação ao desenvolvimento sustentável. A maior eficiência e o controle do fluxo de energia proporcionam um conjunto variado e abrangente de benefícios para os consumidores, concessionárias e distribuidoras, e para o próprio sistema elétrico como um todo.

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Os medidores inteligentes são o cerne desse sistema. Eles são versões mais modernas dos medidores convencionais e disponibilizam uma série de funcionalidades inovadoras, como o envio de eventos e alarmes, além da possibilidade de medição remota. Com isso, milhões de megawatts são economizados todos os anos, o que leva à redução na tarifa para os consumidores finais.

Na natureza, a hibernação é um dos mais eficientes mecanismos de proteção de energia utilizados por animais homeotérmicos, aqueles com temperatura corpórea constante. Durante o inverno, algumas espécies entram em estado de latência, reduzindo a frequência cardiorrespiratória e a temperatura corporal, que pode chegar a apenas 5° C. Com isso, elas conseguem se manter vivas, mesmo ficando quase quatro meses sem se alimentar. O modo "stand by" dos aparelhos eletrodomésticos surgiu dessa observação.

Como se nota, as correlações entre o ambiente de negócios e a Natureza acontecem a toda momento, muitas vezes sem que sequer tenhamos ciência disso. Ao tomar os "Princípios da Vida" como benchmarking, inúmeras espécies ao longo dos últimos milênios têm desenvolvido mecanismos eficientes de sobrevivência que garantiram a sua perpetuidade na Terra. Muitas vezes, a inovação já está posta à mesa: cabe a nós desenvolvermos a capacidade de observá-la com mais atenção e replicá-la para as novas demandas que surgem no mercado.

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