Open Lab 5G inicia testes com release 16 em dezembro

Em evento promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) no último dia 24/11, o CEO da V2COM, Guilherme Spina, apresentou o relatório final de testes do Open Lab 5G WEG - V2COM sob o release 15 do 3GG.

Na mesma oportunidade, foi comunicada a continuação da parceria com a agência, dessa vez iniciando testes sob o release 16, que permitirá conexões massivas M2M e ultraconfiáveis. A execução segue com acompanhamento da Anatel.

release 16 3GPP
Fonte: 3GPP

Com o release 16, partimos para uma fase de alavancagem da Internet das Coisas (IoT) sob a rede celular de quinta geração. Os protocolos trazem especificações para sensores, direção remota e autônoma e para aplicações industriais remotas.

Nesta nova fase de testes do Open Lab 5G, seguiremos com validações práticas da tecnologia, focando agora nas características CoMP (Coordinate Multi-Point), que permite conexões com várias estações base ao mesmo tempo, e URLLC, relacionada à comunicação de ultraconfiabilidade e baixa latência.

Saiba mais sobre o Projeto Open Lab 5G WEG - V2COM

Também confirmaremos melhorias incrementais trazidas pelo release 16 ao standalone, detalhando como a tecnologia pode acessar frequências abertas  para ampliar a largura de banda e garantir a localização de objetos com margem de erro de apenas 3 a 10 metros, através da rede celular.

Essa etapa de testes é fundamental para validar na prática o desempenho das redes 5G privativas sobre o ecossistema de IoT, o que irá ajudar a entender melhor a relação custo-benefício da nova tecnologia e orientar as decisões para os próximos investimentos na área.

Os resultados serão disponibilizados publicamente à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à sociedade, de tal forma que possam servir de referencial para diferentes segmentos e setores da economia.


5G

WEG/V2COM conclui testes práticos de rede privativa 5G na indústria

O relatório diz que o 5G virtualiza e flexibiliza a infraestrutura fabril, além de gerar valor com o uso de robôs autônomos e sensoriamento inteligente. Equilíbrio entre custo e benefício depende do número de pontos de conexão e melhor vantagem deve chegar em 2025


Os testes práticos de rede privativa 5G realizados pela WEG/V2COM indicam que a quinta geração móvel oferece, para aplicações industriais, desempenho superior ao Wi-Fi atualmente utilizado, com maior confiabilidade, cobertura de rede e capacidade de maior densificação da malha de conexões. O relatório conclui que a tecnologia está madura para adoção imediata em plantas fabris.

Quanto à viabilidade econômica da tecnologia, os experimentos revelaram que a relação custo/benefício melhora com a quantidade de pontos conectados na indústria. De maneira geral, a expectativa de massificação da adoção do 5G industrial se dará em um prazo de três anos.

O relatório executivo da WEG/V2COM foi entregue à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os testes foram realizados no âmbito da parceria entre a ABDI e a Anatel, que, em novembro de 2020, assinaram acordo para permitir a realização de experimentos de redes privadas de 5G em três ambientes: indústria, agricultura e cidades inteligentes.

Os experimentos também mostraram que o 5G vai permitir casos de uso baseados principalmente em transmissão massiva e estável de pacotes de dados, como realidade imersiva, realidade aumentada e computação distribuída. As capacidades técnicas da nova rede móvel permitem a instalação de casos de uso inovadores, não possíveis em redes de Wi-fi industriais, como robôs de inspeção e câmeras inteligentes.

“O 5G e as redes privativas são as peças que faltavam para o maior ganho da produtividade e avanço da indústria 4.0. Os testes realizados pela WEG/V2COM comprovam isso e apontam um caminho para a adoção das tecnologias. Esperamos que esse conhecimento adquirido seja útil para todo o setor produtivo”, Igor Calvet.

“Os testes demonstraram o potencial que a tecnologia 5G possui para elevar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira. A quinta geração do serviço móvel tem, de fato, um impacto disruptivo nas cadeias de produção de bens e serviços”, avalia o presidente da Anatel, Carlos Baigorri.

Os testes práticos em ambiente industrial foram conduzidos pelo projeto Open Lab 5G WEG-V2COM, estabelecido por meio de um acordo de cooperação técnica firmado entre a ABDI e a empresa WEG-V2COM e contou com a participação dos parceiros Qualcomm no suporte técnico para a execução do projeto, das empresas Claro, Nokia e Ericsson. A execução do projeto é acompanhada pela Anatel, uma vez que que os dados gerados subsidiaram decisões da Agência em relação à tecnologia 5G, de acordo com os limites técnicos especificados na Consulta Pública 30/21, bem como na Consulta Pública 11/22, que trata dos requisitos técnicos e operacionais para uso em bandas de ondas milimétricas.

Saiba mais sobre o Open Lab 5G

O principal objetivo é testar a conectividade de diversos dispositivos IoT à rede 5G em um ambiente real de produção na fábrica da WEG Drives & Controls, localizada em Jaraguá do Sul (SC), para avaliar a viabilidade de conexão nessa nova tecnologia e identificar os benefícios que podem ser obtidos com a transição para o 5G.

Os testes verificaram três grupos de casos de uso: Internet das Coisas (IoT) industrial, robótica e dispositivos inteligentes, a partir de três indicadores, que são o Throughput (velocidade de transmissão de dados), a densificação de malha de conexões (comparando 5G e Wi-Fi) e a confiabilidade de conectividade 5G em ambiente indoor.

O foco dos experimentos teve como base o Release 15 do 3GPP, que é o padrão do 5G com maior disponibilidade comercial se comparado às novas versões disponíveis, tanto em termos de infraestrutura quanto de dispositivos de conexão. E os testes foram implementados a partir de duas redes privativas, sendo uma mista (integrada), em parceria com a operadora Claro, usando infraestrutura Ericsson. E outra, independente, em parceria com a Nokia.

 Resultados

Segundo Guilherme Spina, Diretor da V2COM, os testes indicaram três ganhos práticos ao colocar o 5G em um ambiente real da indústria.

“Do ponto de vista técnico, conseguimos validar os parâmetros de limites físicos definidos pela Anatel, suportando a regulamentação das faixas de frequência dedicadas ao 5G. Na perspectiva mercadológica, avaliamos o grau de maturidade da oferta de soluções neste momento, seja na camada de infraestrutura, seja na camada de aplicações. E, por fim, sob o ângulo econômico, encontramos o caminho de viabilidade para a adoção do 5G na indústria, entendendo os detalhes de custos e benefícios dessa tecnologia frente às alternativas no caso especifico da WEG e extrapolando o provável cenário geral”.

No caso de uso de IoT industrial, foi conectado o Coletor de Dados da empacotadora no setor de montagem. O 5G proporcionou melhora na verificação dos dados, sem atrasos, maior precisão devido à baixa latência, sem sobrecarga de energia no seu uso excessivo e assertividade na contabilização de peças e embalagens produzidas.

Na aplicação de robótica, foram conectados robôs logísticos e as esteiras inteligentes que interagem com eles no transporte de equipamentos. A comunicação, realizada com o 5G, superou pontos escuros que o Wi-fi não poderia atender, levando maior assertividade e menor tempo de resposta para as decisões tomadas pelo robô.

A WEG/V2COM também implementou um robô de inspeção com uso de realidade virtual. Esse robô conta com uma câmera 360 graus e necessita alta capacidade de transmissão de dados e baixa latência, um cenário típico de conexão 5G.

https://www.youtube.com/watch?v=bTwsl2A-y48&t=11s

No caso de uso dos dispositivos inteligentes, o 5G permite aumentar o número de dispositivos conectados e prover maior capacidade de tráfego de dados, o que permite a escala massiva de dispositivos na indústria. No experimento com câmeras inteligentes, por exemplo, o 5G substituiu a conectividade cabeada, permitindo ampliação no número desse tipo de equipamento e instalação flexível em pontos de interesse não alcançáveis os dias de hoje.

Nos testes de Throughput (velocidade de transmissão de dados), o 5G apresentou capacidade 12 vezes maior do que as redes Wi-fi, sendo 4 vezes maior em upload e 46 vezes maior em download. Isso significa melhor desempenho com 5G no fornecimento de um canal de dados mais amplo seja para aplicações críticas ou que tenham múltiplos dispositivos. Além disso, o 5G ofereceu uma constância, sem grandes variações, na transmissão de dados. A latência observada foi menor e de comportamento estável em relação ao Wi-fi, mesmo em testes de estresse.

Entre as redes privadas independente e integrada, ambas tiveram performance similares. Nos testes de Throughput por número de dispositivos, o 5G se comportou de maneira adequada com a inserção de novos dispositivos em sua malha. A quinta geração móvel pode suportar diversas aplicações com consumo de dados em casos de uso críticos simultaneamente sem prejuízo para o desempenho dos casos de uso. 

Viabilidade econômica

Comparados os custos para digitalização entre as redes 5G e Wi-fi, com o uso de robôs logísticos e esteiras inteligentes, verificou-se que as redes Wi-fi são, hoje, mais econômicas para os casos de uso atuais que não requerem alta transmissão de dados e baixa latência. Mas o custo já alcança o equilíbrio a partir do segundo múltiplo de pontos, em função da flexibilidade da infraestrutura oferecida pelo 5G.

Dessa forma, o relatório indica que, para fábricas novas (green field) que requeiram a conexão de múltiplos pontos, é mais vantajoso iniciar a jornada com 5G. Para indústrias existentes, o 5G é adequado para os casos em que se deseja a conexão de mais de 200 pontos por célula.

Considerando casos de uso com computação visual e realidade virtual imersiva que exigem alta transmissão de dados e baixa latência, não fornecidas pelo Wi-fi industrial, o custo/benefício do 5G é melhor.

Para redes integradas independentes, onde a infraestrutura 5G ficará na indústria, e com número de pontos acima de 500 dispositivos conectados, é esperado o retorno de investimento entre o terceiro e quarto ano, podendo ser acelerado pelo aumento do número desses pontos conectados.


Open Lab 5G WEG-V2COM

Guilherme Spina apresenta relatório de testes do Open Lab 5G

Em evento organizado hoje (24/11) pela Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o CEO da V2COM WEG Group, Guilherme Spina, apresentou o relatório final de testes sob o release 15 do 3GPP, que vêm ocorrendo no projeto Open Lab 5G WEG-V2COM.

Além de Spina, o evento contou com a presença de Igor Calvet, Presidente da ABDI, Carlos Manuel Baigorri, Presidente da ANATEL, Daniel Godinho, Diretor de Relações Institucionais e Marketing da WEG, além de jornalistas dos principais meios de comunicação do país, que se reuniram em uma mesa redonda para debater questões acerca do impacto da tecnologia 5G no ambiente industrial.

O Open Lab é uma iniciativa inovadora no país que estrutura cases de uso reais do 5G no ambiente industrial, abordando de forma prática questões fundamentais para o setor, no que tange eficiência operacional, inovação, segurança e até mesmo novos modelos de negócios.

Nessa etapa de testes, utilizando o release 15 do 3GPP (padrão 5G com maior disponibilidade comercial até o momento), o foco esteve em casos de uso centrados na banda larga estendida (eMBb - Enhanced Mobile Broadband) e CoMP (Coordinated Multipoint).

Entre as principais conclusões dos testes, nota-se que o maior valor do 5G no ambiente industrial advém da multiplicação dos pontos conectados a uma mesma antena, de tal forma a potencializar o uso de uma única rede de comunicação.

Além disso, os testes mostram que a rede de quinta geração móvel oferece maior desempenho que o Wi-Fi em aplicações industriais, gerando maior confiabilidade, cobertura de rede e densificação da malha de conexões.

Maiores detalhes sobre o relatório serão apresentados em breve.

Clique aqui para conhecer mais detalhes do projeto Open Lab 5G WEG - V2COM.

 


descarbonização

Com matriz elétrica 85% renovável, Brasil deve focar na descarbonização

O Brasil é o país com a matriz elétrica mais renovável do mundo. Mesmo assim, precisa investir cada vez mais na descarbonização de seu sistema de energia. Parece contraditório, mas não é.

Pelo menos 84,4% de nossa matriz elétrica provêm de fontes renováveis, com destaque especial para as hidrelétricas. O número é bastante superior à média global, que ainda não atinge os 25%.

Até a década de 70, as usinas hidrelétricas foram responsáveis pela geração de quase 90% da energia consumida no país. Hoje, somam aproximadamente 65% do abastecimento nacional. Essa queda percentual está relacionada ao rápido crescimento na participação de outras fontes renováveis na geração de energia, com destaque para as fontes eólica e solar.

Projeções indicam que, até 2050, a fonte eólica pode representar até 40% do total produzido de energia no Brasil, seguida pela solar fotovoltaica, com até 12%. Isso em um cenário de demanda por energia três vezes maior que o atual.

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Mas o grande desafio por trás da expansão dessas novas fontes está em garantir a manutenção do suprimento mesmo diante de demandas flutuantes ou de condições de geração de energia submetidas às variações do tempo. Diferentemente das hidrelétricas, que podem armazenar o potencial de geração em grandes represamentos de água, as fontes eólica e solar apresentam capacidade de armazenamento mais complexa.

Por essa razão, o Brasil, mesmo sendo líder em energia renovável no mundo, precisa investir cada vez mais em tecnologias modernas capazes de sincronizar o processo de descarbonização das redes ao atendimento crescente de demanda por energia e suas respectivas oscilações.

Mudanças climáticas afetam potencial das hidrelétricas

Nos últimos 30 anos, o Brasil perdeu quase 16% de sua superfície de água, o que representa 3,1 milhões de hectares, uma redução equivalente à 150% da área da região Nordeste. Os dados são do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG/OC).

Com o potencial hídrico em risco, associado ao incremento das fontes eólica e solar, expandimos a fatia de geração de energia com base em fontes renováveis variáveis, as quais necessitam de um sistema cada vez mais flexível e integrado às flutuações de demanda.

As redes atuais não são capazes de absorver todo o potencial energético que vem crescendo no país a partir da geração distribuída e das micro redes que se formam.

Duas frentes pela descarbonização

Para contornar o problema, é necessário garantir a expansão das tecnologias digitais pela descarbonização do ecossistema elétrico, atuando especificamente em duas frentes:

  • A primeira, parte da consolidação de um planejamento estruturado para a escalada das redes inteligentes de energia no Brasil. Sem elas, é impossível adaptarmos nossos sistemas a uma nova dinâmica de geração, consumo e armazenamento cada vez mais flexível.
  • A segunda, por sua vez, está ligada à modernização e atualização das políticas tarifárias brasileiras, sobretudo na baixa tensão, responsável por 99,8% dos consumidores e 48% do consumo de energia elétrica no pais.

Por sinal, uma das razões para o recente avanço da energia solar entre os consumidores brasileiros está justamente na falta de opções de produtos e de sustentabilidade de tarifas e preços oferecidas pelas distribuidoras, muito em razão da ausência de medidores inteligentes na ponta da cadeia de consumo.

Medições e tarifas inteligentes permitem a implementação de um novo mercado competitivo de serviços de energia. O movimento atende o padrão de demanda de consumidores e cidadãos, cada vez mais engajados com o que consomem e o impacto gerado na sociedade e no meio ambiente.

A tecnologia garante mais transparência, previsibilidade e sustentabilidade para o consumidor final que, a partir dela, pode ampliar seu leque de escolhas e alternativas para serviços que atendam com mais efetividade as suas necessidades atuais.


Gateways IoT

Gateways IoT: tradutores universais para conectividade inteligente

O ecossistema da Internet das Coisas (IoT) tem sido cada vez mais explorado por diferentes verticais de mercado com o intuito de extrair o máximo proveito dos dados gerados durante o processo produtivo.

Ao interligar uma série de tecnologias, como as de Cloud, Edge, Big Data e Inteligência Artificial, a IoT viabiliza a comunicação entre diferentes equipamentos, máquinas, controladores, sensores e outros dispositivos, de tal modo a construir um fluxo inteligente de informações, de ponta a ponta.

Nesse trajeto, os gateways IoT são responsáveis por viabilizarem a comunicação entre os sensores e a nuvem, atuando como o iniciador da cadeia de comunicação em Internet das Coisas.

Ainda, realizam o processamento inicial de dados, otimizando toda a cadeia de comunicação subsequente, até os sistemas de gestão integrada (SGI). Mais do que isso, com um ambiente de conectividade cada vez mais complexo, marcado por diferentes protocolos e uma vasta gama de sensores, atuadores, transmissores, etc, os gateways reduzem complexidades, permitindo uma comunicação harmônica e eficaz entre os dispositivos conectados.

Em outras palavras, os gateways são os tradutores universais da cadeia de IoT, sintonizando diferentes redes e equipamentos, independentemente do protocolo, arquitetura e ambiente que os regule.

Gateways IoT e Tecnologia Celular nas redes capilarizadas de energia elétrica

As redes celulares têm sido amplamente utilizadas para viabilizar as smart grids. Dada sua grande cobertura geográfica, elevada confiabilidade, segurança e disponibilidade, a tecnologia é ideal para aplicações que não podem falhar, como o processo de distribuição de energia.

Com o incremento e crescente incorporação das vertentes LTE específicas para soluções distribuídas e escaláveis (NB-IoT e Cat-M), foi possível incorporar milhões de dispositivos ao ecossistema das redes inteligentes, o que é fundamental para elevar o controle e gerenciamento digital dos sistemas.

Essas novas tecnologias, além de viabilizarem o adensamento das redes, ainda permitiram elevar o tempo de vida útil das baterias dos dispositivos, sobretudo nas chamadas aplicações de última milha, mais próximas do consumidor final. Por sinal, a crescente incorporação das redes LTE-LPWA (low power wide area) tem acelerado o processo de redução de custos associados à aplicação da tecnologia celular, de tal modo que sua incorporação, especialmente na interface com o consumidor final, é uma tendência com forte crescimento para os próximos anos.

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Em cenários capilarizados, onde a rede celular ainda não é aplicável ponta a ponta, a incorporação de gateways IoT é essencial como uma solução de agregação das mais diferentes tecnologias de conectividade. Isso porque os gateways permitem a reutilização de funções e ativos celulares (com todos os requisitos de segurança e capacidade de gerenciamento em escala de dispositivos) sem exigir que cada elemento da rede seja efetivamente habilitado para celular.

Como exemplo, temos uma situação em que um medidor inteligente numa residência pode se comunicar via Bluetooth com um gateway principal e, a partir dele, conectar-se com o servidor de uma aplicação via rede LTE-LPWA.

Além disso, por serem extremamente versáteis, os gateways IoT podem ser utilizados tanto em aplicações simples, quanto em ecossistemas bastante complexos, conectando não apenas os equipamentos entre si, mas redes inteiras umas com as outras.

A importância da atualização remota dos gateways IoT

Dispositivos capazes de serem acessados remotamente são mais seguros, escaláveis e econômicos.

O controle à distância, e em especial a atualização remota, é especialmente importante para viabilizar a expansão das soluções IoT para áreas de grande extensão, difícil acesso ou de risco para os trabalhadores.

O mecanismo remoto garante que o acesso a esses lugares só seja realizado quando de fato for necessária a substituição de um dispositivo. Com as atuais tecnologias de bateria de alta duração e a computação de borda otimizada (que diminui o consumo de energia em cada dispositivo), é possível garantir que uma substituição física dos equipamentos possa ocorrer num intervalo de até 10 anos.

Essa dinâmica é também de grande importância para as rotinas de manutenção dos dispositivos, já que a gestão à distância dos equipamentos pode ser via acesso temporário apenas para as correções devidas, com a posterior renovação automática das credenciais de acesso.

Por fim, especificamente no que tange a segurança, o acesso remoto aos equipamentos garante que suas credenciais de acesso sejam atualizadas regularmente, assegurando um ecossistema IoT mais estável e confiável. Esse mecanismo garante que qualquer reação diante da hipótese de alguma violação seja muito rápida e assertiva.


projetos de Smart Grid

Evolução das Smart Grids resulta de esforços tecnológicos e políticos

As Smart Grids são a grande aposta para conferir mais inteligência à produção, distribuição e consumo de energia. Com uma nova arquitetura de rede, integrando ações de todos os usuários a ela conectados, as redes inteligentes aplicam tecnologia de ponta, como a Internet das Coisas (IoT), e permitem a transmissão e a distribuição de energia de forma descentralizada, com base em informações em tempo real ao longo de toda a cadeia.

Por essa formatação multidirecional, com fluxos e integrações mais complexas, empresas e residências podem produzir agora sua própria eletricidade a partir de fontes renováveis, alavancando a descarbonização das redes, por sinal, uma das ações mais urgentes para o setor, em sintonia com o movimento que cresce mundo afora.

Por serem produzidas a partir de fontes de mais difícil controle, as energias eólica e solar, por exemplo, necessitam de mecanismos capazes de alavancar o seu máximo aproveitamento em momentos de abundância, mas também devem ser resilientes o suficiente para garantir estabilidade nos momentos de menor geração.

Esse dinamismo, característico dos sistemas distribuídos, só pode ser viabilizado através da propagação das redes inteligentes de energia ao longo do país.

Tecnologia pela geração distribuída

Pela geração distribuída, o excedente produzido é injetado na rede da distribuidora local e se torna um crédito financeiro para o proprietário do sistema. Assim, se uma família fizer uso de painéis solares, por exemplo, e consumir menos energia do que produz, ela poderá armazenar (e até mesmo vender) o excedente por meio das Smart Grids conectadas à rede elétrica.

Para tanto, é fundamental aplicar tecnologia especialmente na ponta da operação, capaz de mensurar, em tempo real, o que está sendo consumido, o que está sendo produzido, o sentido do fluxo de energia e integrar todos os dados gerados nessa cadeia para que seja possível efetuar o controle e a gestão do sistema.

Essa tarefa é executada a partir de um verdadeiro arsenal de dispositivos inteligentes e sistemas robustos que, viabilizados através do que há de mais moderno em conectividade avançada, permitem a coleta, transmissão e o processamento de dados provenientes do sistema elétrico.

Esses dados são os responsáveis por garantir o gerenciamento remoto das mais diversas etapas que compõem todo o ecossistema de geração, transmissão e distribuição de energia, viabilizando, inclusive, o acionamento de respostas automatizadas e inteligentes, em perfeita sintonia com o dinamismo do sistema.

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Internet das Coisas no consumo otimizado de energia

Mas falar em modernização do setor elétrico brasileiro não significa limitar-se a tratar das novas tecnologias disponíveis e suas aplicações. É fundamental colocar lado a lado da inovação tecnológica a modernização regulamentadora, tarifária e a oferta de serviços que acolham um novo perfil de consumidor. Enfim, é preciso falar sobre Política Energética no Brasil.

Política Energética do Brasil: uma pauta que necessita de mudanças

Na era dos prosumidores, ou seja, o consumidor que pode utilizar para si ou disponibilizar a terceiros parte da energia que ele mesmo produz, temas como digitalização das redes e atualização regulatória são centrais. Isso porque essa nova formatação operacional coloca o usuário final em destaque, com a ponta da operação passando a acumular as tarefas de geração, distribuição e, claro, o consumo de energia.

Esse movimento de modernização, ainda muito caracterizado por um esforço bottom-up, precisa inverter seu sentido, não apenas para acelerar a inovação e democratizá-la, mas também para diminuir a assimetria já instalada entre o padrão de consumo na ponta, cada vez mais digitalizado, e os provedores de serviços, ainda analógicos.

Tudo isso, claro, requer uma Política Energética pensada no longo prazo, fortemente estruturada na mudança do status-quo e efetivamente centrada na onda de digitalização por que passa o mundo todo.

A ABINEE (Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica) apresentou várias contribuições especificas sobre a necessidade de um efetivo programa de modernização, além de discutir alguns pilares que têm impedido a evolução tecnológica consistente de atualização tecnológica do setor elétrico.

Segundo a associação, a renovação pela qual o Brasil precisa fortalecer sua atuação divide-se nos seguintes eixos:

  • Substituição de equipamentos e instalações críticas com vida útil esgotada na Transmissão e Distribuição;
  • Implementação progressiva de medidores conectados e inteligentes para contemplar opções tarifárias mais aderentes aos custos reais de fornecimento e aos usos finais característicos de cada classe de consumidor. Estes sistemas permitem, adicionalmente, implementar programas efetivos de incentivo ao gerenciamento do lado da demanda em situações de crise energética, como a vivida em 2021;
  • Renovação da infraestrutura para permitir a digitalização dos sistemas elétricos de forma hospedar crescentes montantes de geração distribuída, principalmente solar e eólica, bem como habilitar infraestruturas críticas para novos usos, como carregamento de veículos elétrico e gerenciamento otimizado de sistemas de armazenamento de energia;
  • Integração e implementação de sistemas avançados de monitoramento de infraestrutura e gestão inteligente de ativos, incluindo tecnologias existentes de inteligência artificial, cyber segurança, transações bilaterais seguras, “blockchain” e outras tecnologias escaláveis suportadas por computação em nuvem.

O emprego dessas novas tecnologias vai na direção de atender ao objetivo da modicidade tarifária, substituindo a tradicional prática de diferir aumentos em parcelas plurianuais para oferecer diretamente a imediata redução de impactos e custos no curto prazo.

Além disso, a inovação corrobora um crescente esforço internacional em aumentar a resiliência e flexibilidade das redes de energia, de tal forma que sejam capazes de administrar uma nova dinâmica promovida pela produção de energia limpa, agregando ainda mais valor ao bem-estar social e ambiental.