Brasil ultrapassa 2 mil usinas de energia em operação

O Brasil ultrapassou a marca de 2.005 usinas de geração de energia elétrica em funcionamento, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). No intervalo de um ano, entre fevereiro de 2019 e fevereiro de 2020, mais de 110 novas unidades entraram em operação ou em fase de testes.

As hidrelétricas continuam majoritárias no país, com 875 unidades. Em segundo lugar, aparecem as usinas eólicas, com 615 unidades, sobretudo nas regiões Sul e Nordeste. O Sistema Interligado Nacional (SIN) conta ainda com 401 térmicas e 114 solares fotovoltaicas.

Essas últimas atingiram em abril deste ano a marca de 2,5 gigawatts (GW) de potência instalada, somando os sistemas de microgeração e minigeração distribuídas em residências, comércios, indústrias, produtores rurais, prédios públicos e pequenos terrenos.

Já as térmicas são representadas em sua maioria pelas usinas à biomassa, que somam 286 empreendimentos. O Brasil conta também com 48 termelétricas a gás, 44 a óleo, dez movidas a carvão mineral, duas nucleares e outras 11 usinas, que podem ser bicombustíveis ou até mesmo reação exotérmica.

Smart Grids: a geração dos “prosumidores”

Seja pela necessidade de implantar um modelo distribuído, com a inclusão de fontes mais limpas (como energia solar e eólica), seja para diminuir as perdas técnicas e não técnicas, as chamadas Smart Grids têm sido a grande aposta para conferir mais inteligência à produção, distribuição e consumo de energia.

De acordo com um estudo da IBM, 14,7% do total de energia produzida no Brasil são dissipados no processo de distribuição. Grande parte do que é gerado e transmitido no país sofre com as chamadas perdas técnicas e não técnicas, antes de chegar ao destino final.

  •  Perdas Técnicas são aquelas inerentes ao transporte da energia elétrica na rede, relacionadas à transformação de energia elétrica em energia térmica nos condutores (efeito joule), perdas nos núcleos dos transformadores, perdas dielétricas, etc. Podem ser entendidas como o consumo dos equipamentos responsáveis pela distribuição de energia.
  • Perdas Não Técnicas correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Esse tipo de perda está diretamente associado à gestão comercial das distribuidoras

As Smart Grids são uma nova arquitetura de redes de energia elétrica, que integra e possibilita ações a todos os usuários a ela conectados. Elas fazem uso de tecnologia de ponta, como a Internet das Coisas (IoT), e permitem a transmissão e a distribuição de energia de forma descentralizada, com base em informações em tempo real ao longo de toda a cadeia.

perdas de energia
Esquema de cálculo de perdas de Energia Elétrica
Fonte: ANEEL

Segundo a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), as redes elétricas inteligentes devem atender cerca de 74,4 milhões de usuários no Brasil, até 2030.

Atualmente, 15% de cada 100 quilowatts (kW) produzidos no país são perdidos entre a geração e o consumo, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Com a medição inteligente, aumenta-se a precisão para identificar esses pontos de escape, de tal forma que com o mesmo nível de produção atual seja possível atender ao número crescente de consumidores com o desenvolvimento dos centros urbanos.

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Além disso, as redes inteligentes criam uma nova dinâmica de mão dupla, em que os consumidores (também chamados de “prosumidores”) atuam como receptores e pequenos produtores de energia. Se, por exemplo, uma residência fizer uso de painéis solares e consumir menos energia do que produz, ela poderá armazenar (e até mesmo vender) o excedente por meio das Smart Grids conectadas à rede elétrica.


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