IoT até debaixo d'água: MIT desenvolve sensor subaquático sem bateria

Uma equipe de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) revelou, semana passada, um sensor subaquático sem bateria que pode transmitir dados por períodos extremamente longos.

De acordo com o MIT News, a implantação de uma rede desses sensores poderias ser usada para monitorar a temperatura do mar, estudar a mudança climática ou até mesmo ser aplicada em redes subaquáticas de Internet das coisas (IoT) em planetas distantes.

Mas como fornecer energia constante a dezenas de sensores projetados para permanecer por longos períodos nas profundezas do oceano?

A resposta: um sistema de comunicação subaquática sem bateria que usa energia próxima de zero para transmitir dados do sensor.

A equipe envolvida na inovação explicou o funcionamento da tecnologia. Tudo começa com um transmissor que envia ondas acústicas através da água em direção a um sensor piezoelétrico onde são armazenados os dados. Cada onda que chega ao sensor cria uma carga elétrica que pode ser armazenada. Nos primeiros testes, foi possível transmitir simultaneamente 3 Kbps de dois sensores, a uma distância de 10 metros do receptor.

Fadel Adib, co-autor do estudo, afirmou:

“Os oceanos cobrem cerca de 72% da superfície da Terra. Ocorreu-me quão pouco sabemos sobre esse ambiente e como os animais marinhos evoluem e procriam… Dispositivos de IoT podem ajudar nessa pesquisa, mas debaixo d’água você não pode usar sinais de Wi-Fi ou Bluetooth… E você não quer colocar baterias em todo o oceano, porque isso levanta problemas com a poluição. Sensores que se comunicam sem bateria abrem possibilidades para detecção em ambientes extremos.”

Os materiais piezoelétricos, que já existem e são usados em microfones e outros dispositivos há cerca de 150 anos, produzem uma pequena voltagem em resposta a vibrações. E esse efeito também é reversível: a aplicação de tensão faz com que o material se deforme e, se colocado debaixo d’água, produza uma onda de pressão que se desloca.

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O mecanismo já é muito usado para detectar embarcações afundadas, peixes e outros objetos submersos.

A equipe agora quer testar se o sistema pode trabalhar a distâncias maiores e se comunicar com mais sensores simultaneamente.